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A Epístola de Paulo aos Efésios

A Revelação do Propósito Eterno de Deus Para Cristo e a Igreja (Capítulo 1)

Bruce Anstey · Texto do EPUB · Seção 4 de 14

A Revelação do Propósito Eterno de Deus Para Cristo e a Igreja
(Capítulo 1)

O grande assunto do capítulo 1 é o propósito eterno de Deus concernente à manifestação da glória de Cristo e da Igreja no mundo vindouro (o Milênio). O Espírito de Deus leva o apóstolo Paulo a revelar esta grande verdade da maneira mais peculiar. Contrariamente ao que suporíamos, ele não esquematiza o assunto, como um mestre com a sua capacidade normalmente faria, listando vários pontos de doutrina em uma apresentação ordenada da verdade. Em vez disso, o vemos agindo como um sacerdote. Somos permitidos ouvi-lo enquanto ele bendiz a Deus por Seu todo-sábio plano de glorificar Seu Filho com a Igreja, naquele dia vindouro de glória no reino, e também ouvi-lo rogar pelos santos para que entendam este grande plano e conheçam o lugar que eles têm nele com Cristo. Assim, o primeiro capítulo da epístola é realmente uma atribuição de louvor e oração por tão maravilhosa verdade ser comunicada a nós. É apropriado que tais sublimes verdades, que estão prestes a serem divulgadas nesta epístola, sejam comunicadas num tom sacerdotal e de adoração. Foram escritas nesse espírito e deveriam ser lidas nesse espírito.

A Saudação

Vs. 1-2 – Paulo inicia a epístola com sua saudação costumeira, se identificando como um “apóstolo de Cristo Jesus”.

Não é propriamente dirigida à uma assembleia, mas “aos santos e fiéis” (JND) que estão “em Éfeso” e, portanto, os outros servos não são associados com ele na saudação (Como regra, quando ele se dirigia à assembleias, outros eram incluídos na saudação de acordo com 2 Coríntios 13:1).

Aparentemente esta era uma carta circular que deveria ser passada entre os santos de toda aquela região (F. G. Patterson).

Depois da saudação, o capítulo é dividido em duas partes. Na primeira parte, o apóstolo é visto bendizendo a Deus (vs. 3-14). Na segunda, ele está rogando a Deus (vs. 15-23).

O Apóstolo Bendiz a Deus

Vs. 3-14 – O apóstolo bendiz ao trino Deus por Seu plano incrivelmente sábio para manifestar a glória de Seu Filho, no céu e na Terra, no mundo vindouro (o Milênio) pela a Igreja, a qual é o Seu corpo. Enquanto Paulo se regozija na bem-aventurança do grande propósito de Deus, temos o privilégio de ouvir e, assim aprender, quão ricamente somos abençoados em Cristo – o Homem que está no centro do propósito e conselho de Deus.

V. 3 – Paulo se dirige a Deus no duplo relacionamento que o Senhor Jesus tem com Ele, como “Deus” e “Pai”. As duas orações registradas na epístola, nos capítulos 1 e 3, coincidem com esses dois relacionamentos. A primeira oração é dirigida ao “Deus de nosso Senhor Jesus Cristo” (cap. 1:17) e a segunda oração é dirigida ao “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (cap. 3:14).

Paulo se regozija no fato que temos sido abençoados com “todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”. Estas bênçãos são celestiais, espirituais e eternas, em contraste com as bênçãos de Israel, que eram terrenas, materiais e temporais. Paulo fala que nossas bênçãos espirituais estão “nos celestiais em Cristo” (JND). Isto não é um lugar, como a KJV e ARC sugerem, mas a esfera de atividade espiritual. Cada uma destas bênçãos do Cristianismo é uma possessão presente do crente. Não estamos esperando para nos apropriarmos delas; elas já são nossas. Isto é indicado no capítulo pelo uso repetitivo de verbos no tempo passado.

Além disso, Paulo disse que essas bênçãos Cristãs estão todas “em Cristo” – uma expressão usada muitas vezes nos primeiros três capítulos e que se refere à posição Cristã de aceitação perante Deus em Cristo – o Homem ressuscitado. Não é dito que os santos, nos tempos do Velho Testamento, antes da ressurreição e ascensão de Cristo, tinham esta posição exaltada diante de Deus. Estar “em Cristo” significa estar no lugar de Cristo diante de Deus. Consequentemente, a medida de Sua aceitação diante de Deus é a nossa! (1 Jo 4:17) O favor que repousa sobre Ele, é também o nosso, por conta de estarmos em Seu lugar. Não apenas a nossa posição está diante de Deus “em Cristo”, mas as nossas bênçãos também estão “em Cristo”.

Nossas Bênçãos Cristãs

(Cada uma delas está inseparavelmente ligada à nossa aceitação “em Cristo” – veja a tradução de J. N. Darby).

  • Redenção em Cristo Jesus (Rm 3:24).
  • Perdão dos pecados em Cristo – uma consciência purificada (Rm 4:7; Ef 4:32; Hb 9:14).
  • Justificação em Cristo Jesus (Rm 4:25-5:1; Gl 2:16-17).
  • O dom do Espírito em Cristo – unção, selo e penhor da herança do Espírito (Rm 5:5; 2 Co 1:21-22; Ef 1:13).
  • Reconciliação em Cristo Jesus – “aproximados” (Rm 5:10; Ef 2:13; Cl 1:21).
  • Santificação em Cristo Jesus (Rm 6:19; 1 Co 1:2).
  • Vida Eterna em Cristo Jesus (Rm 6:23; 2 Tm 1:1).
  • Libertação (Salvação) em Cristo Jesus (Rm 8:1-2).
  • Filiação em Cristo Jesus (Rm 8:14-15; Gl 3:26, 4:5-7).
  • Co-herança em Cristo (Rm 8:17; Ef 1:10-11; Gl. 3:29).
  • Nova criação em Cristo Jesus (Rm 8:29; Gl 6:15; 2 Co 5:17).
  • Membro do “um só corpo” em Cristo (Rm 12:5; 1 Co 12:12-13).

 

Essas bênçãos distintivas “em Cristo” pertencem somente aos crentes no Senhor Jesus Cristo – aqueles que compõem a Igreja de Deus, o corpo e noiva de Cristo. Os santos do Velho Testamento são abençoados por Deus, mas eles não possuem essas bênçãos Cristãs.

Como mencionado, a bendição de Paulo a Deus está relacionada com o Seu todo-sábio plano de glorificar Cristo. Ele menciona isso sob três cabeças em relação com as três Pessoas da Divindade (a Trindade) que propuseram este grande propósito eterno e Se aconselharam em fazê-lo acontecer no dia milenar. Cada seção termina com uma adequada nota de “louvor” (vs. 6, 12, 14).

Filiação com o Pai

1) O apóstolo se regozija pelo lugar que temos como filhos em relação “ao Pai” (vs. 4-7).

V. 4 – Deus nos “escolheu” para um lugar de “filiação” em Sua família.

Filiação é a mais elevada bênção individual conferida que uma criatura tem em relação a Deus. A frase “filhos de adoção” (KJV e as em português) deveria ser traduzida como “filiação” (v. 5). A palavra em grego significa “filho-lugar”, e se refere ao ato de Deus nos estabelecer perante Si mesmo no mesmo lugar do Seu próprio Filho. Não há lugar mais elevado do que esse! Nós estamos colocados nessa posição como uma presente bênção por meio da habitação do Espírito Santo (Gl 4:6; Rm 8:15).

Deus poderia ter nos colocado no lugar privilegiado dos anjos eleitos, ou mesmo nos ter elevado à eminente posição de um arcanjo, mas Ele escolheu nos dar um lugar muito mais exaltado e mais abençoado do que esse – Ele nos colocou no lugar do Seu próprio Filho! Filiação é uma posição na família de Deus que tem sido reservada para aqueles que são salvos durante este presente tempo, pelo chamado do evangelho, e selados com o Espírito Santo. Abraão, Isaque e Jacó, e todos os santos do Velho Testamento fazem parte da família de Deus como Suas crianças, e são maravilhosamente abençoados como tais, mas eles não têm este lugar favorecido de filhos (Gl 4:1-7). Como parte da família de Deus, os Cristãos são “crianças de Deus” (Rm 8:16), mas eles também são “filhos de Deus” (Rm 8:14).

Outra coisa que aprendemos com o regozijo de Paulo pelas nossas bênçãos em Cristo é que a filiação é algo para o qual Deus nos escolheu “antes da fundação do mundo”. Nós fomos “eleitos [escolhidos]” e “predestinados” para o lugar mais próximo possível de relacionamento com Deus que uma criatura poderia ter! Escolhido (eleito) é ser selecionado (v. 4), e predestinado é para o que fomos selecionados (v. 5). O primeiro tem a ver com pessoas; o segundo tem a ver com o lugar que Deus tem para essas pessoas. Como Deus terá filhos diante d’Ele na posição de Seu próprio Filho, eles precisam estar em uma condição na qual eles sejam como Ele.

Deus é “santo” em Seu caráter, e “irrepreensível” em Seus caminhos. Portanto, Ele propôs ter crentes nessa mesma condição e nesse lugar de bênção.

Deus escolheu esta bênção de filiação para os crentes no Senhor Jesus Cristo “segundo o beneplácito [bom prazer – JND] de Sua vontade”. Assim, traz satisfação ao Seu coração o ter uma companhia de filhos diante d’Ele em glória com o Seu próprio Filho amado. Enquanto Deus abençoa todos os que são de Sua família, Ele é Soberano e pode conceder um favor especial a alguns em Sua família acima dos outros, se assim Ele quiser. Isto é o que Ele fez escolhendo os crentes da presente dispensação (Cristãos) para filiação. Existem quatro lugares principais nas Escrituras onde a filiação é mencionada; cada referência considera um aspecto diferente desta grande bênção Cristã:

  • Gálatas 4:1-7 enfatiza a posição privilegiada que temos acima de todos os outros na família de Deus.
  • Romanos 8:14-15 enfatiza a liberdade especial que temos diante de Deus, sendo capazes de nos dirigir a Ele intimamente clamando “Abba, Pai”. Essa é a mesma liberdade que o Senhor Jesus teve (Marcos 14:36).
  • Efésios 1:3-10 enfatiza as bênçãos e entendimento superiores que temos quanto ao propósito de Deus, que até o dia atual foi mantido em segredo no “Mistério”.
  • Hebreus 2:10-13 enfatiza a dignidade que temos por sermos identificados com Cristo, como Seus “irmãos” na raça da nova criação – Cristo sendo o Cabeça da raça, como o “Primogênito” (Ap 3:14; Rm 8:29; Cl 1:18).

 

A grande bênção da filiação é compartilhar:

  • O lugar de favor do Filho (Ef 1:6).
  • A vida do Filho – a vida eterna (Jo 17:2).
  • A liberdade do Filho diante do Pai (Rm 8:14-16).
  • A herança do Filho (Rm 8:17).
  • A glória do Filho (Rm 8:18; Jo 17:22).

 

Este lugar no qual estamos diante de Deus é uma posição de “favor no Amado” (v. 6 – JND). Nós temos isso por causa da nossa conexão com Cristo, o Filho do Seu amor (Cl 1:13). Isso vai além de ser “Aceito” (como a KJV traduz o versículo 6 ou “agradável” como a ARC) e denota possuir a afeição do Pai de uma maneira especial.

V. 7 - Além disso, essa grande bênção é baseada na obra de “redenção” de Cristo, que teve como resultado os crentes recebendo “a remissão das ofensas [o perdão dos pecados]”. O fato de a redenção ser mencionada no eterno propósito de Deus demonstra que a entrada do pecado e a queda do homem (Gn 3) não foram uma surpresa para Ele. Redenção, então, não é um “plano B” de Deus.

As “riquezas da Sua graça” (v. 7) enfatizam o quão baixo Ele desceu para nos salvar. A “glória da Sua graça” (v. 6) enfatiza o quão alto Ele chegou para nos colocar no lugar de Cristo. Não é surpresa que o apóstolo tenha dito: “Para louvor da glória da Sua graça”! (TB) Estas duas coisas são ilustradas em Lucas 15, no pai recepcionando o seu filho. Cobrindo o pródigo com beijos ilustra “as riquezas da Sua graça” e vestindo-o com a melhor roupa, sandálias nos pés, anel na mão e dando-lhe um lugar de filho em sua casa ilustra “a glória da Sua graça”.

Portanto, nesses versículos temos três grandes coisas em relação ao Pai: Ele nos “elegeu [escolheu – TB]” (v. 4), Ele nos “predestinou” (v. 5), e Ele nos “trouxe a favor” (JND) ao mesmo lugar do Seu próprio Filho amado (vs. 5-6).

Herdeiros com Cristo

2) Filiação em relação com o Pai não é tudo. O apóstolo passa a se regozijar no relacionamento que temos como co-herdeiros da herança com “Cristo”, na administração do mundo vindouro (vs. 8-12).

Vs. 8-10 – A intenção de Deus é que esta companhia favorecida de filhos (a Igreja) seja inteligente quanto ao Seu propósito eterno. Ele quer que saibamos o que Ele está fazendo neste mundo agora e o que fará no mundo vindouro – o Milênio. Portanto, “Ele tem feito abundar para conosco em toda a sabedoria e inteligência” (JND) e nos tem revelado “o mistério da Sua vontade”. Ele tem nos dado um discernimento especial quanto a Seu plano de manifestar publicamente a glória de Seu Filho no dia Milenar. Assim os Cristãos se tornaram depositários do conselho de Deus referente ao Seu propósito para aquele dia vindouro. Comunicar isto a nós também, é algo que é dito ser “segundo o (Seu) bom prazer”. Nossas bênçãos são mencionadas neste capítulo, mas a ênfase está do lado das coisas de Deus – isso é aquilo que Ele tem feito para o Seu próprio prazer e para a satisfação do Seu próprio coração. Assim, há duas coisas em particular neste capítulo que são de acordo com o Seu bom prazer:

  • É Seu “bom prazer” ter filhos em companhia diante d’Ele o mesmo lugar do Seu amado Filho, e abençoados com bênçãos especiais que outros em Sua família não têm (v. 5). Compare Gênesis 25:5-6.
  • É Seu “bom prazer” dar a Seus filhos uma percepção especial do Seu grande propósito em manifestar publicamente a glória de Seu Filho no mundo vindouro (vs. 8-10). Isso é algo que agora foi revelado no Mistério.

 

“O Mistério” é um segredo a respeito de Cristo e da Igreja, que Deus manteve oculto em Seu coração até que a redenção fosse realizada e o Espírito Santo fosse enviado para habitar nos crentes. Por isso, é algo que os santos do Velho Testamento não conheciam, porque, “o mistério” até agora (o Dia da Graça), “esteve oculto desde todos os séculos”. (Ef 3:5; Cl 1:26; Rm 16:25).

Paulo continua no versículo 10 para explicar o que exatamente está envolvido no Mistério. Ele diz que na “dispensação [administração] da plenitude dos tempos” (o Milênio), Deus propôs “encabeçar” todas as coisas no céu e na Terra sob “o Cristo”. “O Cristo” é uma expressão nos escritos de Paulo que se refere à união mística de Cristo, a Cabeça, e os membros do Seu corpo, pela habitação do Espírito Santo (1 Co 12:12-13 – JND). Ele fala do Mistério de duas maneiras na epístola. Quando é chamado de “o mistério da Sua vontade” (Ef 1:9), refere-se ao propósito de Deus de colocar todas as coisas sob a liderança de Cristo no dia milenar vindouro. Quando é chamado de “o mistério de o Cristo” (Ef 3:4 – JND, 5:32) está se referindo à união da Igreja com Cristo. O Velho Testamento fala de um Messias judeu que reinará sobre Israel, em um dia vindouro, com as nações gentias regozijando-se com eles (Sl 8, etc.). A revelação “do mistério” no Novo Testamento inclui, mas vai muito além disso, e desvenda o plano de Deus de ter o universo inteiro (o céu e a Terra) sob o reinado de Cristo. Ele também revela que Cristo teria um complemento (Sua noiva) ao Seu lado para engrandecer a manifestação da Sua glória (Jo 17:22-23; 2 Ts 1:10; Ap 21:9-22:5). Isto, como mencionado acima, é visto na expressão “o Cristo”. Além disso, o versículo 10 indica que não é intenção de Deus de ter os céus completamente apartados da Terra, como eles estão agora. Sua vontade é “encabeçar” a administração de todas as coisas, no céu e na Terra, sob o Cristo, para que houvesse um harmonioso sistema de glória celestial e terrestre sob Ele e Sua noiva.

V. 11 – A “herança” sobre a qual reinaremos com Cristo, é toda a criação – todas as coisas criadas. Ela não é enumerada entre nossas bênçãos espirituais, por serem coisas materiais. Nossa bênção, em conexão com a herança, é o fato de sermos herdeiros (Rm 8:17) – o direito e privilégio de reinar sobre todas as coisas criadas com Cristo em Seu reino glorioso.

Muitos Cristãos pensam, erroneamente, que somos a herança que foi dada a Cristo como possessão. É verdade que somos o dom do Pai para o Filho (Jo 17:2, 6, 9, 11, 12, 24), mas não somos a herança. Este versículo afirma claramente que a herança é dada a nós. Se é algo que nos é dado, então somos os herdeiros da herança. Uma esposa – que é o que estamos destinados a ser em relação a Cristo (Ap 19:7; 21:9) – não é contada entre as posses de um homem como um de seus bens.

Dois Aspectos da Herança

Existem dois aspectos da herança no Novo Testamento. Primeiramente, em 1 Pedro 1:4, que se refere às nossas bênçãos espirituais, que estão “reservadas no céu” (ARA) para nós. O Sr. Darby falou sobre esse aspecto da herança, como estando acima de nossas cabeças (nos celestiais), porque 1 Pedro é uma epístola do deserto e os santos são vistos como peregrinos na Terra. Este aspecto da herança tem sido traduzido em outro lugar como nossa “porção” em Cristo (Cl 1:12 – JND; At 26:18 – JND margem). Em Efésios, porém, a herança é a criação material. O Sr. Darby falou desse segundo aspecto como aquilo que se estende para de baixo de nossos pés. Nesta epístola somos vistos assentados nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2:6), e tudo no universo está sob nós – até mesmo os seres angélicos (Ef 1:20-21).

O Propósito e Conselho de Deus

Este grande plano de publicamente glorificar Cristo no mundo vindouro com e pelo Seu eterno complemento (a Igreja) é “conforme o propósito daqu’Ele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade”. Temos duas coisas aqui: “propósito” e “conselho”. Propósito é a intenção da vontade de Deus e conselho é a sabedoria que Ele emprega para realizá-lo. Propósito é o objetivo que Deus tem perante Si, e Pessoas divinas tomaram conselho quanto a como o propósito deveria ser assegurado, e os “caminhos” de Deus (Rm 11:33) estão trazendo tudo isto a efeito. Os professores bíblicos e os escritores de hinos frequentemente usam esses termos no plural, isto é, “os propósitos” e “os conselhos” de Deus, mas a Escritura nunca os menciona assim – eles são sempre mencionados no singular. Deus tem um “propósito”, que é glorificar Seu Filho e Seu “conselho” é sempre um em fazer isso acontecer.

V. 12 – A revelação do grande propósito de Deus será vista por todos no dia Milenar vindouro e redundará “para louvor da Sua glória” (v. 12). Quando os homens virem o que a graça de Deus tiver primorosamente formado em Cristo, eles louvarão a Deus pelo Seu grande e todo-sábio plano (Jo 17:23).

Hoje, os crentes dentre os judeus (“nós” – v. 12), que têm “pré-confiado” antes que um remanescente de Israel receba o Senhor como seu Messias, em um dia vindouro, e os crentes dentre os gentios (“vós” – v. 13), são preparados para compartilhar a bênção comum de fazer parte deste novo vaso celestial de testemunho – a Igreja.

Assim, nesses versos, Paulo tocou em três grandes coisas em relação a Cristo: temos “redenção” n’Ele (v. 7), nos foi dada a revelação do “mistério” n’Ele (vs. 8-10) e temos obtido “uma herança” n’Ele. (v. 11).

A Vivificação, Selo e o Penhor do Espírito Santo

3) O apóstolo então se regozija na obra do Espírito Santo que tem nos possibilitado conhecer e gozar estas coisas antes que o grande plano de Deus, de publicamente glorificar Seu Filho, se cumpra. (vs. 13-14).

V. 13 – O Homem exaltado à destra de Deus não somente trará o universo à conformidade com Deus no dia vindouro, como também Ele está trazendo agora crentes à conformidade com a Divindade, por meio das operações do Espírito Santo. Paulo diz, “Depois que ouvistes a Palavra da verdade”. O “ouvir” aqui se refere ao começo da obra de Deus no homem. A Palavra de Deus penetra na alma e lhe concede vida e assim cria uma capacidade espiritual na pessoa pelo poder vivificador do Espírito. Ele agora está sintonizado com a voz do Filho de Deus e tendo a capacidade de receber comunicações divinas. (Jo 5:25, 8:47; Pv 20:12; Rm 10:17). Paulo continua dizendo, “Tendo n’Ele também crido”. Além de ouvir, há a necessidade, por parte do indivíduo, de crer na mensagem do “evangelho da vossa salvação”. Isto se refere à pessoa entendendo e descansando em fé na obra consumada de Cristo, sobre a qual ele é selado “com o Espírito Santo da promessa”. Isso se refere ao Espírito Santo vindo para habitar no crente (Jo 14:17; 1 Ts 4:8; Tg 4:5; 1 Jo 3:24, 4:13). O selo do Espírito dá ao crente a certeza em sua alma que ele é verdadeiramente salvo.Note que a pessoa é habitada com o Espírito, não como resultado de ser vivificada, mas como resultado de ter crido no evangelho da sua salvação. Vivificar é o começo da obra de Deus numa alma; selar é a finalização daquela obra, por meio do qual a pessoa é colocada na posição Cristã completa perante Deus (Rm 8:9). Como J. N. Darby e outros apontaram, há um intervalo de tempo entre esses dois eventos nos crentes, variando de segundos a anos, dependendo das circunstâncias da sua história pessoal.

V. 14 – Uma perspectiva maravilhosa está perante nós no dia vindouro de manifestação (o Milênio). Mas Deus não nos faria esperar até lá para nos dar a conhecer e gozar dessas coisas. Logo, o Espírito Santo, que veio habitar em nós, trabalha com esse propósito como o “penhor da nossa herança”. Esse é um aspecto ligeiramente diferente do trabalho do Espírito no crente. A selagem do Espírito nos faz saber que pertencemos a Ele; o penhor do Espírito nos faz saber que temos coisas que pertencem a nós mesmos. O selo é para a certeza de nossa salvação; o penhor é para o gozo da nossa porção em Cristo, antes mesmo de estarmos com Ele no estado glorificado.

Paulo indica aqui que a herança (a criação material) foi “comprada” na cruz (Hb 2:9 – “provasse a morte por cada coisa” – JND), mas ela está atualmente aguardando “redenção”. Isso mostra que a compra e redenção não são a mesma coisa. Redenção inclui, mas vai além de comprar, para também “libertar”. A herança está atualmente sob a escravidão da corrupção (Rm 8:20-23) e está nas mãos de Satanás e homens maus (1 Jo 5:19). Quando o Senhor vier para resgatar a criação que está gemendo, na Sua Aparição, subjulgará cada poder adversário e a libertará para o propósito para o qual foi planejada (Ap 11:15). Isso também é “para o louvor da Sua glória”.

Mas note que a frase “da Sua graça” (v. 6) não é encontrada aqui porque o assunto é a libertação da criação que agora geme. Esta não pecou como nós e, portanto, não necessita de Sua graça agindo em seu favor, do modo como humanos necessitam. A criação, que agora geme, precisa de Seu poder em redenção, não de Sua graça em redenção.

Portanto, nesses versículos temos três grandes coisas no Espírito e pelo Espírito Santo: Ele nos vivificou (“ouvistes”), Ele nos selou (“fostes selados”) (v. 13), e Ele é o “penhor” de nossa herança. (v. 14)

Ao revisar estas coisas, aprendemos que aqueles que compõem este novo vaso da feitura de Deus (a Igreja) têm:

  • O lugar de filhos perante “o Pai”, que os santos do Velho Testamento e do Milênio não têm (vs. 4-7).
  • União no corpo de “Cristo” e a perspectiva de reinar com Ele sobre a herança, que aqueles de outras épocas não têm (vs. 8-12).
  • A habitação do “Espírito Santo”, a qual todos os outros santos não têm (vs. 13-14).

 

Portanto, é um tremendo privilégio fazer parte desta companhia especial de santos que foi selecionada para esse tal propósito.

O Apóstolo Roga a Deus

Vs. 15-23 – O apóstolo bendisse a Deus pelo Seu todo-sábio plano para glorificar Cristo por meio da Igreja no mundo vindouro. Agora ele roga a Deus para que os santos tenham uma aumentada capacidade para apreender este divino objetivo. Então o louvor de Paulo passa para petição. Nos próximos versículos ele ora pelos santos.

Ele começa por afirmar que quando ele ouviu da “fé que entre vós há no Senhor Jesus” e “o vosso amor para com todos os santos”, (ARA) ele deu graças a Deus, porque sabia que essas coisas eram uma manifestação verdadeira da vida divina. Estas coisas provaram que eles eram verdadeiros e que estavam crescendo em graça.

Sua oração é endereçada ao “Deus de nosso Senhor Jesus Cristo”. Isto coincide com a primeira parte do duplo relacionamento do Senhor, mencionado no versículo 3. É para “Deus” porque tem a ver com a apreensão dos santos e o poder de Deus para cumprir Seu grande plano de glorificar Seu Filho no mundo vindouro.

Note que Paulo não ora para que os santos fossem mais abençoados, porque eles não podem ser abençoados acima do que já são! A nós foram dadas “todas as bênçãos espirituais” que poderiam ser dadas (v. 3). Nossas bênçãos Cristãs são o pico de uma montanha de bênçãos ao qual o próprio Deus não pode acrescentar. Portanto, ao invés de orar por mais bênçãos, Paulo ora para que os santos estivessem num correto estado espiritual de alma para apreender o plano todo-sábio de Deus em glorificar Seu Filho, em Quem são achadas todas as suas bênçãos. Assim, o grande desejo de Paulo para eles é que conheçam o quão ricamente eles tinham sido abençoados. Ele anseia que os santos se apeguem à magnitude de tudo disso. Ele ora para que “os olhos” de nosso “coração” (TB) (não “entendimento” – KJV, ARC) sejam “iluminados” porque ele quer que não somente saibamos essas coisas, mas que esse conhecimento pudesse estar abraçado pelas afeições dos nossos corações.

Há três coisas em particular, pelas quais Paulo ora para que os santos viessem a “saber” em seus corações. Isto é indicado no uso triplo da palavra “qual”, nos versículos 18 e 19. Estas três coisas se correlacionam com as três coisas que o apóstolo bendiz nos versículos 3-14. São elas:

1) “Qual é a Esperança da Sua Vocação” (v. 18 – TB)

O apóstolo falou disso nos versículos 4-6. Ele gostaria que soubéssemos e apreciássemos a posição na qual fomos colocados como filhos de Deus. Nossa vocação é “soberana” (Fp 3:14), “santa” (2 Tm 1:9), e “celestial” (Hb 3:1). Não poderíamos ter sido chamados a um lugar mais abençoado, pois estamos diante de Deus no mesmo lugar do próprio Filho! Na adoção de filiação fomos colocados no lugar mais perto possível de relacionamento a Deus que o Seu amor poderia dar a uma criatura! Paulo explicou isto anteriormente neste capítulo. A “esperança” da nossa vocação ainda está para ser realizada. Isto não é a esperança da vinda do Senhor para nos levar ao nosso lar celestial porque o Arrebatamento não aparece em Efésios. Somos vistos como já estando lá (cap. 2:6). É, ao contrário, a certeza prorrogada de ser manifestado com Cristo em glória, na nossa vocação no dia da Sua manifestação (o Milênio). A glorificação dos filhos de Deus ocorrerá no Arrebatamento (Rm 8:17), mas a manifestação dos filhos de Deus não acontecerá até a Aparição de Cristo (Rm 8:19).

2) “Quais as Riquezas da Glória da Sua Herança” (v. 18)

O apóstolo falou disso nos versículos de 8-12. Ele gostaria que soubéssemos e apreciássemos os privilégios de herdeiros em conexão com a herança. A vocação é lá em cima em relação ao nosso lugar com as Pessoas divinas, mas a nossa “herança” é aqui embaixo e envolve as coisas criadas. A “glória” da herança será vista quando a vasta criação tiver em sua cabeça, sua coroa de joias – Cristo e a Igreja – reinando sobre essa vasta criação. Os santos não são a herança (como geralmente pensado); eles são os “herdeiros” dessa herança (Rm 8:17; Gl 3:29, 4:7).

A herança será tomada “nos santos”. Isto significa que o Senhor não tomará possessão da herança até que tenha Sua noiva Consigo mesmo, de modo que possamos tomá-la juntos na Sua Aparição (1 Ts 3:13, 4:14; 2 Ts 1:7). Naquele momento viremos dos céus com Cristo para possuir a herança (Zc 14:5; 1 Ts 3:13, 4:14; 2 Ts 1:7; Jd 14). Um tipo no Velho Testamento disso é quando Jeová possuiu a terra de Canaã por meio dos filhos de Israel. O Senhor os conduziu em sua herança prometida como Capitão dos exércitos, e eles tomaram possessão da terra com Ele (Js 5:13-15).

3) “Qual a Sobre-excelente Grandeza do Seu Poder” (vs. 19-23)

O apóstolo falou disso nos versículos 13-14. Hoje a herança tem sido manchada e corrompida pelo pecado, por Satanás e pelo mundo e ela necessita ser libertada dessa escravidão antes que o Senhor, com a Igreja, reine sobre ela. Paulo gostaria que soubéssemos que não há falta de poder em Deus para redimir (libertar) a herança. O Homem dos conselhos de Deus (Cristo) foi até a morte para assegurar tudo isso para Deus. A ressurreição de Cristo demonstra o grande poder e habilidade de Deus de fazer cumprir o Seu grande propósito. Paulo disse, “Segundo a operação da força do Seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dos mortos”. Todas as forças do mal (reino de Satanás) estavam reunidas no túmulo para impedir Sua ressurreição de entre os mortos (Sl 18:7-19; Cl 2:15; Hb 2:14), mas o poder de Deus rompeu tudo triunfantemente, “fazendo-O sentar-Se à Sua mão direita”. Tendo Cristo assentado à direita de Deus nos céus indica que, como igual a Deus, Ele irá fazer todas as coisas para o prazer de Deus. Essa posição é exclusiva d’Ele. É dito que estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2:6), mas nunca que estaremos à direita de Deus.

Os políticos e os líderes da atualidade fazem promessas para mudar e melhorar as condições na sociedade, num esforço de fazer deste mundo um lugar melhor – mas as coisas continuam no mesmo estado corrupto.

Este mundo não tem melhorado moralmente porque, por melhor intencionados que esses homens sejam, eles simplesmente não têm poder para implementar seus planos. Em contraste a isso, Deus não apenas prometeu colocar este mundo na linha, mas Ele executará o Seu grande plano de glorificar Seu Filho no céu e na Terra – e Ele tem o poder de fazê-lo! Ele irá arranjar (“encabeçar” – JND) todas as coisas no mundo vindouro sob a liderança universal de “o Cristo” – Cristo e a Igreja (v. 10 – JND). Ele deu prova de “a sobre-excelente grandeza do Seu poder” demonstrando-a, ao ressuscitar Cristo de entre os mortos, e ao assentá-Lo à Sua própria direita. Cristo está no momento “muito acima” (Ef 1:21 – TB) de todos os seres angelicais e “de todo o nome que se nomeia”. Isto é verdade “não só neste século, mas também no vindouro”.

É-nos dito que este “poder” é para nós “os que cremos” (v. 19). Isto significa que enquanto esperamos Deus trazer a efeito o Seu grande propósito na Aparição de Cristo, Ele está usando esse mesmo poder agora para nos fortalecer e capacitar a andarmos como é digno da nossa vocação, de uma maneira prática (Ef 3:16, 4:1).

Deus “Lhe sujeitou todas as coisas debaixo dos pés” (TB) – Seu Senhorio universal – e deu Ele para “ser cabeça sobre todas as coisas” (TB) – Sua autoridade universal – e também “O deu à Igreja” (TB). Assim, Cristo é não apenas “o cabeça da Igreja” (Ef 5:23), Ele também é “o cabeça sobre todas as coisas para a Igreja” (Ef 1:22). Sendo Cabeça sobre “todas as coisas” significa que Ele tem o controle de tudo o que toca a vida dos membros do Seu corpo, enquanto eles estão sobre a Terra. Portanto, nada nos acontece por acaso. O Senhor permitiu e ordenou tudo que nos atinge por alguma boa razão (Rm 8:28). Note que nunca é dito de Cristo ser a Cabeça sobre a Igreja, mas “Ele é a Cabeça do corpo” (Cl 1:18). Ele é, entretanto, Cabeça “sobre” todas as coisas que tocam nossas vidas.

O versículo 23 indica que a Igreja é a Eva do último Adão – “o complemento daqu’Ele que enche tudo em todas as coisas” (TB). Somos Seu complemento celestial e reinaremos com Ele ao Seu lado no dia vindouro de manifestação. A Igreja é “o complemento” d’Ele. Essa é uma extraordinária afirmação Em Efésios, Cristo é visto como incompleto sem nós (naquilo que se refere ao propósito de Deus). Em Colossenses, somos vistos como incompletos sem Ele (Cl 2:10).

Séculos e Dispensações

Paulo usou as palavras “dispensação” e “século” neste primeiro capítulo de Efésios (vs. 10, 21). Estas palavras não são a mesma coisa, e podem ser distinguidas da seguinte forma: Um “século” é uma época ou período que já transcorreu, está transcorrendo ou irá transcorrer o seu curso na Terra. Tais períodos são chamados “os tempos dos séculos” (2 Tm 1:9; Tt 1:2; Rm 16:25 – JND). O Senhor falou de dois séculos em Seu ministério: “neste século” e “no futuro” (Mt 12:32). “Este século” era o século mosaico que começou no Sinai e estava transcorrendo ao tempo da primeira vinda do Senhor. Quando Ele foi rejeitado e expulso deste mundo, este século se tornou “o presente século mau”, porque os “príncipes deste século” cometeram o maior pecado de crucificar o Senhor da glória (Gl 1:4; 1 Co 2:6, 8).

Este século mosaico ainda está em curso hoje. A vinda do Espírito Santo e a introdução do Cristianismo não trouxeram fim à era mosaica, nem deu início a um novo século (era). Atualmente, Deus está chamando crentes de entre os judeus e os gentios para fazerem parte da Igreja (At 15:14, 26:17). Aqueles que creem no evangelho de Sua graça hoje, são livrados “do presente século mal”, e não fazem mais parte dele, em relação a sua posição diante de Deus (Gl 1:4). Assim, a Igreja não tem conexão com a Terra e seus tempos e, portanto, falar deste tempo presente como “a era da Igreja” (como alguns Cristãos fazem) não é doutrinariamente correto.

A Igreja está na Terra neste momento atual como uma peregrina em seu caminho para o seu lar celestial; seu chamado, caráter e destino são todos celestiais. Como a Igreja ainda está na Terra e passando por “este século”, o qual é marcado pelo mal, as exortações do apóstolo são para nos manter separados de seu caráter e maneiras. Nós devemos viver “neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tt 2:12). Os crentes devem rejeitar a sabedoria deste século, porque “tornou Deus louca a sabedoria deste mundo” (1 Co 1:20). E também os Cristãos materialmente “ricos desde mundo” são advertidos a não permitir serem caracterizados por este século, e confiarem na “incerteza das riquezas” (1 Tm 6:17). Eles devem distribuir suas posses e, assim, estabelecer “para si mesmos um bom fundamento para o futuro” (1 Tm 6:18-19). É triste dizer que alguns Cristãos hoje estão se afastando de sua firmeza, e estão amando “o presente século” e, como resultado, eles estão se estabelecendo no mundo. Demas é um exemplo disso (2 Tm 4:10).

Alguns têm pensado que o presente chamado de Deus pelo evangelho colocou a era mosaica em suspenso, e que ela não vai recomeçar até algum dia futuro. No entanto, ela ainda está em curso na Terra, e a Lei ainda tem sua “aplicação” aos homens na carne neste século, no sentido de magnificar seus pecados e mostrar-lhes sua necessidade de um Salvador (1 Tm 1:8-10; Rm 3:19). A Lei, é claro, não tem aplicação para Cristãos os quais são vistos como tendo morrido com Cristo. A Lei não está morta; é o Cristão que está morto para a Lei. A Lei, portanto, não tem nada o que fazer com eles (Rm 7:4, 6).

Sabemos, pelas Escrituras proféticas, que este presente século terá pelo menos sete anos a mais, depois que a Igreja for chamada para o céu. Esses anos serão cumpridos na septuagésima semana de Daniel (Dn 9:27). Este século está atualmente sob o controle de Satanás, que é seu deus e príncipe (2 Co 4:4; Ef. 2:2), e está indo para o juízo. Ele se encerrará na Aparição de Cristo, no que é chamada “a consumação do século” (Mateus 13:39-40 – ARA, 49, 24:3, 28:20). Naquele tempo, o Senhor trará “o século futuro”, que é o Milênio (Mt 12:32; Mc 10:30; Ef 1:21; Hb 2:5, 6:5). Quando tiver transcorrido o curso de 1.000 anos do Milênio, o Estado Eterno será introduzido. A Escritura o chama de “séculos dos séculos [para todo o sempre]” (Gl 1:5; Ef 3:21; 1Tm 1:17; 1 Pe 5:11; Ap 5:13, 22:5). (TB [ARC])

A palavra “dispensação” significa “a administração de uma casa” ou “uma economia” ou “uma lei doméstica”. No sentido de que é usado na Escritura, é um tratamento de Deus, publicamente ordenado com os homens na administração de Seus caminhos durante várias épocas. Parece haver três dispensações principais (veja Concise Bible Dictionary, George Morrish – BTP, pág. 216-217).

A primeira delas é a Dispensação da Lei. Este foi um tratamento ordenado por Deus com os homens (a nação de Israel), pelo qual as exigências da Lei deviam ser cumpridas pelo povo, a fim de que eles andassem em comunhão com Deus. Houve três fases nessa dispensação:

  • Cerca de 400 anos sob os Juízes (desde a entrada de Israel em Canaã até o fim dos Juízes – At 13:19-20).
  • Cerca de 500 anos sob reinados (desde o rei Saul ao cativeiro babilônico).
  • Cerca de 600 anos de testemunho profético durante os Tempos dos gentios (desde o cativeiro babilônico até João Batista – Lc 16:16)

 

A segunda grande dispensação é a presente “dispensação da graça de Deus” (Ef 3:2). Também pode ser chamada “a dispensação do mistério” (Ef 3:9). A manifestação da graça realmente começou com o ministério de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 1:17), mas quando o Seu povo terrenal (Israel) O rejeitou, Deus ampliou a presente dispensação da graça no chamado celestial da Igreja, que começou com a vinda do Espírito Santo no Pentecostes (At 2:1-4, 11:15). Isso é uma ordenação de Deus completamente diferente, pertencente a uma companhia celestial de pessoas que estão agora sendo chamadas de entre os judeus e gentios, para fazerem parte de algo novo, celestial – a Igreja de Deus (At 15:14, 26:17). A responsabilidade do verdadeiro ministério Cristão hoje é “promover a dispensação de Deus” (JND), ajudando os santos a entenderem suas bênçãos celestiais em Cristo e os seus grandes privilégios que estão n’Ele (1 Tm 1:4).

A terceira grande dispensação ainda está por vir – “a dispensação da plenitude dos tempos” (Ef 1:10). Esta será uma ordenação especial de Deus para os homens durante o reinado milenar de Cristo.

 

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Paulo usa a palavra “século” nesta epístola para denotar três diferentes coisas:

  • “Este século” (Ef 1:21) – os dias atuais
  • O século “vindouro” (Ef 1:21) – o Milênio.
  • “Os séculos dos séculos [todo o sempre]” (Ef 3:21 – TB) – o estado eterno quando não haverá tempo.

 

Paulo também fala de duas dispensações nesta epístola:

  • “A dispensação da plenitude dos tempos” (Ef 1:10) – uma ordenação especial de Deus durante o reino milenar de Cristo.
  • “A dispensação da graça de Deus” (Ef 3:2) – uma ordenação celestial especial de Deus para aqueles que creem no evangelho da Sua graça e são, portanto, parte da Igreja de Deus.

 

Em resumo, um “século” é um período de tempo, e uma “dispensação” é uma economia (administração) moral e espiritual de Deus em relação aos homens, durante certo período de tempo.