A PLENITUDE QUE RESIDE EM CRISTO
Capítulos 1:1–2:3
Em vista do que estava perturbando os santos colossenses, é interessante que Paulo não comece advertindo-os sobre o falso ensino circulando em sua região e imediatamente lance uma exposição do erro. Em vez disso, neste primeiro capítulo, ele coloca a glória de Cristo diante deles para que eles possam obter uma estimativa verdadeira da grandeza de Sua Pessoa e Sua obra. Ao fazer isso, os colossenses veriam que tinham tudo o que precisariam n’Ele e, assim, não seriam tentados a se afastar seguindo as novas ideias que lhes estavam sendo apresentadas. Paulo também mostra aos colossenses que os Cristãos receberam “todos os tesouros da sabedoria e da ciência” no Mistério (cap. 2:2-3), e que eles são assim “perfeitos [completos – JND] n’Ele” (cap. 2:10). Tendo recebido toda a verdade de Deus, não havia necessidade de eles estarem procurando algo mais. Por isso, os santos colossenses precisavam entender a plenitude que reside em Cristo. Somente no segundo capítulo é que Paulo expõe o mal ensino e trabalho do inimigo. Essa ordem é instrutiva; é a maneira de Deus libertar as almas do erro. É para fundamentar os santos na verdade primeiro, e então eles serão capazes de identificar prontamente o erro quando for apresentado, e rejeitá-lo.
A Saudação
Vs. 1-2 – Ao escrever aos filipenses, Paulo não menciona seu apostolado, mas falou de Timóteo e de si mesmo como “servos [escravos]” do Senhor; enquanto aqui, escrevendo aos colossenses, ele emprega seu apostolado, afirmando que ele era um “apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus” (TB). Isso é significativo; introduz sua autoridade oficial. Devido à natureza do problema enfrentado pelos colossenses, isso era necessário. Como mencionado, havia um grave erro doutrinário concernente à Pessoa e obra de Cristo sendo pressionado sobre eles por certos mestres místicos. Paulo, portanto, usou sua autoridade apostólica para refutar o erro e insistir na verdade. As coisas eram completamente diferentes em Filipos; não havia nada lá que exigisse o uso de seu apostolado, e assim escreve para eles como “servo” do Senhor.
É de se notar que Paulo disse que ele era um apóstolo “de Cristo Jesus”. (A KJV e a ARC dizem “Jesus Cristo”, mas deve ser traduzida por “Cristo Jesus”). Quando o título do Senhor (Cristo) é colocado antes do nome de Sua Humanidade (Jesus), refere-se a Ele como tendo completado a redenção e voltado ao céu como um Homem glorificado. Assim, Paulo estava indicando que ele recebeu seu apostolado de Cristo no céu (1 Co 9:1). Pedro, por outro lado, chama a si mesmo de apóstolo “de Jesus Cristo” (1 Pe 1:1; 2 Pe 1:1). Declarar o nome da Humanidade do Senhor (Jesus) antes de Seu título (Cristo) se refere a Ele como tendo descido do céu para glorificar a Deus em Sua morte. Consequentemente, Pedro recebeu seu apostolado do Senhor quando o Senhor estava aqui na Terra (Lc 6:13-16).
Paulo acrescenta: “Pela vontade de Deus”. Isso significa que seu apostolado não era algo que ele buscava e desejava ter; era algo que o Senhor havia escolhido para ele (At 9:15). Paulo inclui “Timóteo” na saudação, não porque ele fosse o coautor da epístola, mas porque ele dava testemunho da verdade que Paulo estava prestes a dar (2 Co 13:1).
Paulo se dirigiu aos colossenses como “santos e fiéis irmãos em Cristo” (ARA). Ser “santo”, no sentido em que ele estava falando aqui, é um resultado do que os crentes são diante de Deus por serem santificados pela fé na obra consumada de Cristo na cruz (Hb 10:10-14). (“Santificado” e “santidade” provêm da mesma palavra raiz no grego.) Este aspecto da santificação tem sido chamado de “santificação posicional”, porque se refere ao crente sendo separado da massa da humanidade para um lugar santo com Cristo. “Santo” significa “santificado” ou “separado”. Todos os santos são irmãos “santificados” em virtude do que Cristo realizou na redenção, mas nem todos podem ser irmãos “fiéis”. Isso mostra que existia certo estado de alma entre os colossenses que possibilitava que eles tirassem proveito da verdade que Paulo estava prestes a dar a eles. F. B. Hole disse: “Todos os crentes podem ser justamente chamados de irmãos ‘santos’ porque todos são ‘santos’ ou ‘santificados’, isto é, ‘separados para Deus’. Mas podemos todos ser chamados de ‘irmãos fiéis’? Estamos todos avançando com fé e fidelidade? Deixe-nos levar estas perguntas ao coração, pois o crente infiel provavelmente não apreciará muito nem entenderá a verdade revelada nesta epístola” (Paul’s Epistles, vol. 2, pág. 89).
Além disso, Paulo fala dos santos colossenses como estando “em Cristo”. Como mencionado anteriormente, “Cristo Jesus” se refere ao Senhor como um homem glorificado à destra de Deus. Ao declarar que os santos estavam “em Cristo”, Paulo estava indicando que eles permaneciam, no que diz respeito à sua posição diante de Deus, no mesmo lugar de aceitação do próprio Cristo! Isso é admirável, mas é exatamente o que a graça fez. Simplificando, estar “em Cristo” é estar no lugar de Cristo diante de Deus. É a posição de todos os Cristãos, independentemente de seu estado de alma. Os santos do Velho Testamento são abençoados por Deus no céu, mas não se diz que eles tenham essa bênção e posição. Os crentes em outras eras são “aceitos com Ele” (At 10:35 – KJV, TB), mas somente os Cristãos são considerados “agradáveis... no Amado [Aceitos (em) n’Ele – KJV]”! (Ef 1:6). Esta ligação com Cristo no alto é pela habitação interior do Espírito Santo nos crentes. Assim, a posição na qual os Cristãos estão diante de Deus é uma posição especial na família de Deus (ligada à filiação – Gl 3:26) que todos os outros em sua família não têm.
Paulo então diz: “Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e da do Senhor Jesus Cristo”. Assim, um suprimento fresco da graça divina do alto estava sobre os colossenses (assim como é sobre todos os Cristãos), e assim podiam contar com a ajuda de Deus em ficarem juntos contra as incursões do novo ensinamento místico que estava surgindo.
Ação de Graças de Paulo
Vs. 3-8 – Paulo começa agradecendo a Deus pelos colossenses. Ele diz: “Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós” (v. 3). Assim, queria que soubessem que ele apreciava a obra de graça de Deus neles e que estava orando por eles.
Vs. 4-5 – Em um esforço para ajudar os colossenses a reconquistarem um senso de união com Cristo como Cabeça do corpo – senso esse que eles perderam, ou estavam em perigo de perder – Paulo começou no ponto em que eles estavam espiritualmente e trabalhou a partir daí. Esta união, felizmente, nunca pode ser perdida, mas o sentido prático dela pode ser. Quando isso ocorre, os santos deixam de olhar para Cristo para todas as suas necessidades espirituais e, assim, não retêm a cabeça na prática (cap. 2:19 – TB). Em vez disso, eles começam a procurar outras coisas que acham que lhes darão satisfação espiritual. Isso, mais ou menos, era a situação dos colossenses. Eles estavam em perigo de ter suas mentes afastadas de Cristo e da sua porção n’Ele. Eles estavam, em alguma medida, fascinando-se com as ideias filosóficas transcendentais dos místicos, e pensavam que essas coisas preencheriam suas necessidades espirituais.
Começando onde ele percebeu que os colossenses estavam espiritualmente, Paulo menciona três virtudes Cristãs que eram evidentes entre eles – “fé”, “amor” e “esperança” – e os recomenda por essas coisas. Ele tinha “ouvido” isso por meio de notícia, não tendo ido pessoalmente a Colossos. Essas virtudes devem acompanhar cada conversão e devem ser vistas na vida de todo crente como evidência de que ele é verdadeiramente salvo. Essas três coisas estão agrupadas em pelo menos dez lugares no Novo Testamento (1 Co 13:13; Gl 5:5-6; Ef 1:15-18, 4:2-5; Cl 1:4-5; 1 Ts 1:3, 5:8; Hb 6:9-12; 1 Pe 1:3-8, 21-22) e são vistas na Escritura como essenciais para o crescimento espiritual e o viver prático Cristão. Elas são as fontes que energizam a vida de um Cristão e fazem com que ele viva por coisas invisíveis e eternas, pelas quais sua fé abraçou.
A fé deles era “em Cristo Jesus” que está à destra de Deus no céu e o amor deles era para com “todos os santos” na Terra. Isso mostra que o amor deles, como o dos efésios (Ef 1:15), não foi estreitado em si mesmo. Eles amavam todo o povo de Deus, e isso é louvável. Devemos ter o mesmo amor por todos os Cristãos – não apenas por aqueles com quem nos encontramos no mesmo terreno de reunião. Podemos não ser capazes, por causa de boa consciência, de andar em comunhão com todos os Cristãos por conta de alguns que sustentam má doutrina (2 Jo 9-11; 2 Tm 2:16-21) e outros que estão na prática de mal moral (1 Co 5:11; 2 Tm 3:1-5), mas ainda podemos amar todos os santos de Deus e orar por eles.
Os colossenses também estavam vivendo em vista de sua esperança de estar “no céu”. Isso também era louvável. Eles foram marcados por sua firme espera pelo retorno do Senhor. Ao dizer: “Por causa da esperança”, Paulo sugere que o amor deles por todos os santos era porque sabiam que todos os santos compartilhavam a mesma esperança comum de estar juntos no céu. Essa “esperança” diante deles produziu afeições corretas para com o povo de Deus os quais estarão todos juntos um dia. Na Escritura, a esperança não é usada da mesma maneira que no vernáculo comum da linguagem de hoje. Usamos a palavra em nossos dias para nos referirmos a algo que gostaríamos de ver acontecer, mas não temos garantia de que isso acontecerá. Na Bíblia, a esperança é uma certeza adiada; tem expectativa com segurança relacionada a ela. Assim, temos a certeza de que o Senhor virá porque a Escritura nos diz que Ele virá novamente para nos receber para Si mesmo (Jo 14:2-3). Essas três virtudes mostraram que os colossenses no geral estavam em bom estado.
Vs. 6 – Além disso, visto que o evangelho primeiro veio a eles e eles o receberam em fé, ele estava “produzindo fruto e crescendo” (ARA). Isso significa que eles mesmos não apenas acreditaram nas boas novas, mas também estavam compartilhando-as com os outros, e essas pessoas estavam sendo salvas também. Este foi outro sinal de que os colossenses no geral estavam em um estado saudável.
Ao dizer que o evangelho estava “em todo o mundo”, Paulo não estava querendo dizer que cada pessoa no mundo havia ouvido o evangelho, mas que pessoas de “todas as nações que estão debaixo do céu” no mundo habitável estavam ouvindo isso (At 2:5). O uso de Paulo do artigo “as” aqui no versículo 6 indica que os colossenses tinham ouvido a mesma mensagem de graça que estava sendo pregada em outras partes do mundo. E, em cada lugar em que foi anunciada, não havia a menor indicação dada a alguém de que precisavam buscar conhecimento superior além do qual os apóstolos lhes haviam transmitido.
Duas Esferas do Conhecimento Divino
Nos próximos versos, Paulo menciona duas esferas de conhecimento divino que devem governar os santos. Ele fala de:
- Conhecer “a graça de Deus em verdade” (v. 6) e;
- Crescer no “pleno conhecimento de Deus” e de “Sua vontade” (vs. 9-10 – TB).
W. Kelly disse: “Conhecer a graça de Deus em verdade não é a mesma coisa que ser enchido com o conhecimento ou pleno conhecimento de Sua vontade” (Lectures on Colossians, pág. 89). A primeira delas tem a ver com a verdade do evangelho (v. 6) e a segunda refere-se à verdade do Mistério exibida no andar dos santos (vs. 9-10). Essas coisas estão intimamente conectadas, e entender ambas é necessário para “estabelecer” o crente (Rm 16:25 – JND). Ter conhecimento do perdão dos pecados e de ser justificado pela fé não é o objetivo final do evangelho. Pelo contrário, seu objetivo é que o crente seja inteligente quanto ao propósito de Deus em conexão com a manifestação da glória de Cristo na Igreja, e isto, para que ele possa ser encontrado promovendo a glória de Cristo neste mundo. Isto é o que é desvendado no Mistério.
É significativo que Paulo considera os colossenses como tendo um entendimento da graça de Deus no evangelho, mas não como tendo o conhecimento da vontade de Deus no Mistério. O fato de ele orar que eles fossem enchidos com esse conhecimento mostra claramente que eles não estavam assim ainda. Aqui está o ponto crucial do problema com os colossenses. Eles haviam recebido e crido no evangelho, mas eram deficientes no seu entendimento do Mistério. O inimigo havia notado isso e estava trabalhando por meio de falsos mestres para seduzi-los, se possível, a pensar que precisavam buscar a uma verdade mais elevada. Se os colossenses tivessem sido estabelecidos na verdade do Mistério, eles saberiam que os clamores desses místicos eram falsos, pois pelo Mistério haviam recebido “todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2:3).
Os colossenses não estão sozinhos nessa deficiência. Muitos Cristãos hoje conhecem a verdade do evangelho e creram nisto, mas não estão esclarecidos quanto ao Mistério, o qual explica a verdadeira natureza e o chamado da Igreja como uma companhia especial de pessoas abençoadas que reinarão no céu com Cristo. A maioria tem a ideia dos antigos reformadores de fundir os peculiares chamados de Israel e da Igreja em um só, conhecido como “Teologia do Pacto”. Consequentemente, eles têm uma visão completamente diferente e errônea do plano de Deus para publicamente glorificar Seu Filho no mundo vindouro. As ramificações práticas dessas doutrinas “de pactos (alianças)” são tais que os Cristãos não entendem seu verdadeiro chamado e serviço ao Senhor. Como resultado, ao invés de tentar colocar a verdade do Mistério em prática como os Cristãos deveriam, eles estão se envolvendo nos assuntos políticos deste mundo e estão tentando endireitar o mundo por meio de vários programas e protestos, etc. Eles sinceramente acreditam que é seu dever envolver-se nessas causas. Este é um exemplo clássico de como nossa doutrina afeta nossa prática – seja para o mal ou para o bem.
V. 7 – O evangelho da graça de Deus alcançou os colossenses por meio de Epafras. Paulo recomenda veementemente seu ministério para os santos de Colossos, falando dele como “nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo”. Epafras havia anunciado o evangelho aos colossenses e trabalhava fervorosamente em oração por eles (Cl 4:12-13). Recomendando Epafras como fez, Paulo procurou fortalecer a confiança dos colossenses nele, e assim assegurar-lhes que o que Epafras lhes havia ensinado era a verdade, e que eles precisavam continuar no que ele havia dado, sem procurar por algo novo.
V. 8 – Epafras também relatou a Paulo o genuíno “amor no Espírito” deles. O Espírito de Deus produziu neles aqueles sentimentos divinos. É significativo que o Espírito Santo seja mencionado apenas esta única vez na epístola e ainda, de passagem. Isto é bem diferente de Efésios, onde não há um capítulo sequer onde a Pessoa do Espírito Santo não seja mencionada como tendo uma parte integral na obra de Deus nas almas, revelando a verdade, etc. A razão para isto é que o Espírito está tão concentrado em glorificar a Cristo e voltar o foco dos santos colossenses para Ele, que Ele propositadamente Se mantém fora da cena (Jo 16:13-14). Além disso, devido à natureza do ensinamento que vinha dos falsos mestres, que ocupavam pessoas com coisas místicas invisíveis, insistir na obra do Espírito (que é invisível) poderia muito bem ter encorajado os colossenses em uma direção errada. O apóstolo, portanto, propositalmente não aborda a obra do Espírito nesta epístola, mas sabiamente não a destaca, e assim esperou por outro tempo para falar com eles sobre a obra do Espírito.
Oração de Paulo
Vs. 9-14 – O relato de Epafras a respeito dos colossenses não apenas levou o apóstolo à ação de graças, mas também a fervorosa oração por eles. Tendo sido informado de seu estado, o apóstolo faz saber quais desejos ele tinha para com eles, por reiterar ao escrever-lhes uma oração típica sua. Talvez não haja maior serviço que possamos fazer pelos santos de Deus do que orar por eles. Paulo é um grande exemplo disso, como podemos ver o amplo espaço que ele dá à oração em suas epístolas. Epafras é outro exemplo (Cl 4:12). Este, obviamente, não deve ser o nosso único serviço para os santos, mas é onde o nosso serviço deve começar.
Em sua oração, Paulo enfatiza a profundidade e a abrangência de seus pedidos a respeito da verdade e de sua prática, usando repetidamente superlativos como: “cheios”, “toda” e “tudo”. A oração consiste em quatro pedidos principais:
1) Que eles pudessem ser “cheios do pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (v. 9). Assim como na epístola aos Efésios, a vontade de Deus é proeminente nesta epístola (Ef 1:1, 5, 9, 11, 5:17, 6:6; Cl 1:1, 9, 4:12). Apesar disso, um aspecto diferente da vontade de Deus está em vista nesta epístola. Em Efésios, é “o Mistério da Sua vontade” (Ef 1:9), que tem a ver com o propósito de Deus de trazer Cristo e a Igreja em manifestação na dispensação da plenitude dos tempos no mundo vindouro (Ef 1:10, 2:7). Considerando que, em Colossenses, é a prática da vontade de Deus nos santos em conexão com a verdade do Mistério, para que houvesse uma manifestação presente de Cristo e da Igreja neste mundo (Cl 1:26-27).
Neste primeiro pedido de oração, Paulo menciona três coisas relacionadas ao aprendizado e à aplicação da grande verdade do Mistério:
- “Conhecimento” – Isso tem a ver com ter uma apreensão intelectual da verdade. Desde que as Escrituras do Novo Testamento foram escritas, onde o Mistério foi revelado, este conhecimento pode ser adquirido por meio de um estudo cuidadoso das epístolas – especialmente Efésios e Colossenses.
- “Sabedoria” – Isso tem a ver com a aplicação do conhecimento do Mistério na prática. Isso é amplamente adquirido por meio da oração.
- “Entendimento espiritual” – Isso se refere a ter discernimento espiritual para entender a mente de Deus revelada pelo Espírito Santo. É adquirido por meio da reflexão e meditação na presença do Senhor.
Alguns resumiram essas três coisas como: “C” (conhecimento) + “S” (sabedoria) = “E” (entendimento) – mas isso pode ser uma explicação excessivamente simplista de como essas coisas se interconectam umas com as outras.
O aspecto da vontade de Deus a que Paulo se refere no versículo 9 não é exatamente conhecer a mente do Senhor em assuntos práticos na vida cotidiana – ou seja, onde devemos morar, que tipo de emprego procurar, que casa ou carro comprar, etc. A oração de Paulo aqui tem a ver com os santos tendo um pleno entendimento da vontade de Deus a respeito da efetivação da verdade do Mistério. Se esses queridos santos colossenses entendessem isso, eles saberiam imediatamente que a mistura de filosofia, judaísmo e misticismo que estava sendo propagada naquela região era falsa. Assim, a maior salvaguarda contra o erro é um conhecimento íntimo da verdade. Então, quando o erro se apresenta, ele será facilmente identificado como tal e imediatamente rejeitado.
2) Para que pudessem “andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no [verdadeiro – JND] conhecimento de Deus” (v. 10). Vemos disto que o segundo pedido de oração de Paulo pelos santos foi que ao serem cheios de conhecimento, sabedoria e entendimento, eles não usariam essas três coisas para competir com os filósofos de seus dias no palco do intelectualismo, mas sim, que eles iriam “andar” agradando ao Senhor.
Isso mostra que o motivo para aprender a verdade nunca é para alguém mostrar seu conhecimento. Aprender a verdade sempre tem em vista a sua colocação em prática em nossa vida. No entanto, isso não será possível sem que primeiro saibamos qual é a Sua vontade. Muito naturalmente, então, este segundo item na oração de Paulo provém do primeiro. O ponto chave aqui é que a verdade do Mistério deve governar nossa caminhada. Andar digno é mencionado pelo menos quatro vezes nas epístolas de Paulo:
- Andar “de uma maneira digna de Deus” (1 Ts 2:12 – TB).
- Andar “de uma maneira digna do Senhor” (Cl 1:10 – TB).
- Andar “duma maneira digna do evangelho” (Fp 1:27 – TB).
- Andar “de uma maneira digna da vocação com que fomos chamados” (Ef 4:1 – TB).
A prática da verdade é tão importante quanto aprendê-la. Assim, o conhecimento da verdade deve resultar em “frutificando em toda a boa obra”. Ao andarmos na verdade do Mistério de acordo com a vontade de Deus, cresceremos “no verdadeiro conhecimento de Deus”. Isso equivale ao “entendimento” a que Paulo se referiu no versículo 9.
3) Que eles fossem “Corroborados em toda a fortaleza [poder – JND], segundo a força da Sua glória, em toda a paciência [perseverança – ARA], e longanimidade1 com gozo”.
Poderíamos supor que orar pelos santos para serem dotados de poder divino, como Paulo faz aqui, seria em vista deles realizando obras poderosas no serviço, como as registradas nos primeiros capítulos do livro de Atos. Mas não é assim; foi para dar-lhes força para resistir à oposição e à perseguição que certamente encontrariam ao colocar em prática a verdade do Mistério. Assim, Paulo orou para que eles tivessem paciência “perseverante e longânime”, porque precisariam dela vivendo em um mundo que é oposto a Cristo.
Isso mostra que, se andarmos na plena verdade revelada de Deus e exibirmos o caráter de Cristo em nossas vidas, atrairemos o ódio do mundo. O mundo odeia a Cristo e, se exibirmos a Cristo, ele também nos odiará (Jo 15:18-20). O fortalecimento dos santos para esse tipo de oposição é, portanto, necessário. Por isso, Paulo ora para que os santos tenham “poder” de Deus, não para fazer alguma grande obra para Cristo, mas para sofrer por Cristo. Ele acrescenta que a nossa perseverança e longanimidade é para ser “com gozo”. Receber pacientemente a agressão do mundo é bom e aceitável (1 Pe 2:20), mas suportá-la com gozo é melhor. Isso faz com que o nosso rosto brilhe (1 Pe 4:14), e isso produz um poderoso testemunho para todos. Um mártir Cristão morrendo em chamas numa estaca, e fazendo isso com gozo, é uma manifestação desse tipo de força divina.
4) Que eles fossem enchidos com o espírito de ação de graças e louvor. Paulo diz: “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança [compartilhar a porção – JND] dos santos na luz; O Qual nos tirou da potestade (poder) das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor; Em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (vs. 12-14). Assim, ele orou para que os santos fossem encontrados em um espírito de gratidão pela presente “porção” na qual eles haviam sido trazidos pela graça. Ele menciona “o Pai”, que é a Fonte de todas as bênçãos; e “o Filho do Seu amor”, que é o Canal pelo qual a bênção chegou até nós; e um “reino” no qual fomos trazidos e que é governado pela “luz” e “amor” divinos. Que lugar maravilhoso para se estar! Isso certamente demanda ações de graça e louvor.
Entramos no reino pelo novo nascimento (Jo 3:5), mas o novo nascimento em si não nos torna “adequados” para essa porção abençoada em Cristo. Nós precisamos de algo mais; precisamos estar descansando por fé na obra consumada de Cristo e selados com o Espírito Santo (Ef 1:13). Isso nos leva à nossa plena posição Cristã diante de Deus (Rm 8:9). J. N. Darby disse: “Assim somos ensinados nesse versículo (12) de Colossenses 1, ‘Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz’. Um homem nascido de novo não o faz adequado; ser vivificado faz com que ele sinta a necessidade disso; há outra coisa necessária que o torna adequado à glória, e essa é a obra de Cristo em graça” (Collected Writings, vol. 21, pág. 193).
A “porção” a que Paulo se refere aqui é todo o escopo de nossas bênçãos celestiais em Cristo. É uma herança de coisas espirituais, enquanto que em Efésios 1, a herança são coisas materiais desta criação nos céus e na Terra (Ef 1:11, 14, 18). Assim, há dois aspectos para a herança Cristã no Novo Testamento. Atos 26:18, Cl 1:12 e 1 Pedro 1:4 referem-se ao lado espiritual em Cristo “no céu”. J. N. Darby falou deste aspecto da herança como sendo “sobre nossas cabeças” (nos lugares celestiais), porque essas referências veem o crente como um peregrino trilhando o caminho da fé na Terra. Em contraste com isso, o Sr. Darby falou do aspecto de Efésios como algo que se estende “sob nossos pés”. Isso porque, nessa epístola, o crente é visto como assentado em lugares celestiais em Cristo (Ef 2:6) e tudo no universo está sob ele – até mesmo os seres angélicos (Ef 1:20-21). O Sr. Darby distinguiu esses dois aspectos da seguinte forma: “A herança é a herança de todas as coisas que Cristo criou. Mas em 1 Pedro, ou em Colossenses 1, a coisa está no céu “(Notes and Jottings, pág. 101). Para ajudar a distinguir estas duas coisas, a sua tradução da Bíblia traduz o lado espiritual como “porção” e o lado material como “herança”.
Para que nos tornássemos aptos para essa grande bênção, a libertação tinha que nos alcançar. As garras de Satanás sobre as almas perdidas são referidas aqui como “o poder das trevas” (Lc 22:53; At 26:18; Ef 6:12). Mas o grande poder e graça de Deus nos “libertou” (ARA) disso e nos “transportou” para “o reino do Filho do Seu amor”. Há pelo menos dez aspectos diferentes do reino mencionados na Escritura. Nesta passagem, tem a ver com o fato de estarmos em uma esfera de privilégio na qual vivemos em comunhão com o Pai e o Filho, e desfrutamos de Suas afeições. Assim, neste reino, somos amados por Deus tanto quanto Ele ama Seu próprio Filho! (Jo 17:23)
É no Filho do Seu amor que temos a nossa “redenção”. Para que nos tornássemos aptos para este reino, um “resgate” tinha que ser pago, e isto foi feito na obra consumada de Cristo na cruz (Mt 20:28; 1 Tm 2:6). Redenção significa que o crente foi “comprado de volta” para Deus e “libertado” das consequências de seus pecados, do poder do pecado e de Satanás. Por isso, Paulo acrescenta: “a saber, a remissão (perdão) dos pecados”. Isso significa que uma liberação total do julgamento eterno de nossos pecados nos foi concedida! A expressão “pelo Seu sangue”, encontrada nas versões King James, Almeida Corrigida e Almeida Fiel tem pouca autoridade de manuscrito e, na verdade, não deveria estar no texto porque a ênfase na passagem está na Pessoa que realizou a obra, e não na grandeza da obra – que virá mais tarde no capítulo.
AS GLÓRIAS DO FILHO EM QUEM TEMOS A REDENÇÃO
Vs. 15-22 – Como mencionado anteriormente, os santos colossenses precisavam entender a plenitude que reside em Cristo. Se eles pudessem ver que tudo o que precisavam estava n’Ele, não pensariam procurar nada em qualquer outro lugar para preencher suas necessidades espirituais. Isso os livraria de dar ouvidos aos instrutores místicos que circulavam em sua região.
Tendo nos apresentado o Filho em Seu relacionamento com o Pai – sendo o Objeto do afeto de Seu Pai – Paulo agora se ocupa da glória do Filho, de modo que Ele Se tornasse o grande Objeto dos afetos de nossos corações também. Quem então é “o Filho do Seu amor” em Quem temos a redenção? Sob a direção do Espírito Santo, Paulo responde a isso com uma grande apresentação da Pessoa e obra de Cristo. Em uma tentativa de acrescentar verdade aos santos em relação a Cristo, os místicos realmente haviam diminuído Sua glória com declarações de pura blasfêmia. Paulo, por outro lado, coloca diante de nós as glórias de Cristo e magnifica a grandeza de Sua Pessoa. Isso confirma a velha máxima de que todo ministério verdadeiro que vem de Deus exaltará a Cristo.
Usando a tipologia na conquista da terra de Canaã por Israel, temos diante de nós, nesta próxima série de versículos, o antítipo da visão que Josué viu do “Príncipe do Exército do Senhor” (Js 5:13-15). Este glorioso e poderoso Capitão encontrou Josué em Jericó e anunciou que Ele havia vindo para levar os filhos de Israel à sua herança prometida em Canaã. Da mesma forma, nesta passagem nos é dado um vislumbre da gloriosa Pessoa de Cristo como aqu’Ele que conduz os santos ao conhecimento e gozo de sua porção celestial de bênção – da qual Canaã é um tipo. Com uma Pessoa tão grande diante dele, Josué “se prostrou sobre o seu rosto na terra, e O adorou”. O Capitão lhe disse: “Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo”. Da mesma forma, quando tocamos o assunto da Pessoa de Cristo, como fazemos neste capítulo, precisamos nos lembrar de que também estamos em solo sagrado, e ser cuidadosos na maneira como lidamos com esse grande assunto. Este capítulo é um dos três primeiros capítulos em nossas Bíblias que magnificam as glórias da Pessoa de Cristo – João 1, Colossenses 1 e Hebreus 1.
Paulo dirige nossa atenção para a glória de Cristo de três maneiras: em relação a Deus, em relação à criação e em relação aos crentes.
EM RELAÇÃO A DEUS (v. 15a)
A primeira coisa que Paulo declara sobre a grandeza e glória de Cristo é que Ele é “a imagem do Deus invisível”. Isso se refere à Sua glória essencial em deidade2. Na Escritura, “imagem” tem a ver com algo ou alguém representando outra pessoa (Lc 20:24). O homem, sendo criado à imagem de Deus (Gn 1:26-27) foi colocado no lugar de representante de Deus na Terra. Mas ele caiu e a imagem foi desfigurada. Embora caído, o homem ainda é à imagem de Deus (Gn 9:6; 1 Co 11:7) e, portanto, ainda responsável por representar a Deus – mas, infelizmente, ele o faz muito mal. Cristo, por outro lado, representa perfeitamente a Deus. O verdadeiro caráter de Deus foi perfeitamente trazido à manifestação em Sua vida na Terra como uma representação viva de Deus. Sendo divino, Ele é “a imagem expressa de Sua pessoa” (Hb 1:3). Isto confirma Sua deidade, pois ninguém menos que uma Pessoa divina pode revelar completamente e representar perfeitamente outra Pessoa divina.
Como Deus é “invisível”, é impossível para qualquer criatura vê-Lo. Para revelar Deus como Pai, uma Pessoa divina (Cristo) teve que descer de Deus para revelar Seu verdadeiro caráter de luz e amor. Assim, é em Cristo, o Filho de Deus, que vemos Quem é Deus. “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Este O fez conhecer [O declarou – JND]” (Jo 1:18; 14:9).
É interessante e instrutivo notar que das duas coisas que a Escritura diz sobre o homem quando ele foi criado (sendo feito à “imagem” e “semelhança” de Deus), quando se trata de Cristo, a Escritura diz que Ele é a “imagem” de Deus (2 Co 4:4), mas não diz que Ele era “semelhança de Deus”. A razão para isso é que Cristo não é como Deus – Ele é Deus (Jo 1:1). Dizer que Ele era como Deus poderia implicar que Ele não era Deus. Ele foi “feito carne” (Jo 1:14), mas Ele nunca foi feito Deus, pois Ele sempre existiu na Divindade. A Escritura diz que Cristo foi “feito semelhante aos homens” (Fp 2:7 – TB; Rm 8:3). Isto é, Ele era como o homem constitucionalmente, tendo um espírito humano (Jo 13:21), uma alma humana (Jo 12:27) e um corpo humano (Hb 10:5). Nesse sentido, Ele foi “semelhante a Seus irmãos” (Hb 2:17). No entanto, Ele não era como o homem moralmente. Ao Se tornar um Homem, Ele não tomou a carne humana pecaminosa em união Consigo mesmo. Ele era “sem pecado [pecado aparte3 – JND]” (Hb 4:15). Isto significa que Ele era sem a natureza pecaminosa caída. O Senhor Jesus Cristo ainda é um Homem hoje em um estado glorificado à destra de Deus nas alturas.
EM RELAÇÃO À CRIAÇÃO (vs. 15b-17)
Quanto a todo o universo, Cristo não é nada menos que o Criador de todo ele! Paulo diz que Ele é o “Primogênito de toda a criação” e explica por que: “Porque n’Ele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na Terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Assim, a criação exibe a glória criacional de Cristo (Sl 19:1-3).
Alguns têm pensado que “Primogênito de toda a criação” significa que o Senhor foi o primeiro ser criado por Deus. Mas não é assim que o termo “Primogênito” é usado na Escritura. Nela o termo não tem nada a ver com ser o primeiro em ordem de nascimento. É verdade que o Senhor foi o primeiro a nascer na família de José e Maria (Mt 1:25), mas não é isso o que esse termo significa. Pelo contrário, é usado para indicar a posição de uma pessoa acima dos outros – sendo primeiro em posição e, portanto, tendo preeminência sobre os outros (Êx 4:22; Rm 8:29; Hb 12:23). Por exemplo: Davi não foi o primeiro a nascer na família de Jessé (1 Cr 2:13-15), mas o Senhor o chamou de “primogênito” (Sl 89:27). Da mesma forma, Efraim não foi o primeiro a nascer na família de José (Gn 48:14), mas o Senhor o chamou de seu “primogênito” (Jr 31:9).
Cristo, ao entrar em Sua criação, sendo Quem Ele era (Deus “manifestado em carne” – 1 Tm 3:16) não poderia ter outro lugar além daquele de “Primogênito”. Quando esteve aqui neste mundo, o Senhor não insistiu em Seus direitos como Primogênito – o que Ele fará num dia vindouro, quando tomar posse da herança de todas as coisas criadas na Sua Aparição. Mas Ele tinha esses direitos, e aqueles com fé reconheciam isso.
Essa passagem mostra claramente que Cristo é o Criador de “todas as coisas”. Muitas outras passagens confirmam isso (Jo 1:3, 10; Ef 3:9; Hb 1:2, 10; Ap 4:11). A Bíblia diz: “No princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn 1:1). “Deus” (Elohim) é plural, significando que todas as três Pessoas na Divindade participaram dessa obra de criação. Da mesma forma, “Criador”, como usado em Eclesiastes 12:1, é plural. Mas quando uma Pessoa na Divindade é selecionada como o Criador, é sempre o Filho. Tal é o caso aqui em Colossenses 1.
Qualificando “todas as coisas” que o Senhor criou, Paulo diz: “visíveis e invisíveis”. Isso indica os dois grupos que compõem as coisas criadas. Não é por coincidência que Paulo menciona coisas invisíveis aqui, pois era esse lado das coisas que fascinava os colossenses. Eles precisavam saber que Cristo era o Criador de todas essas coisas invisíveis, e sendo o Criador delas significava que Ele era superior a elas. Por que, então, ficar enamorados por essas coisas quando fomos trazidos para o reino do Filho do Seu amor e temos o privilégio de ter comunhão com o próprio Criador? Não tem sentido buscar as coisas que o Criador criou em vez do próprio Criador. Entender isso serviria para impedir que os colossenses se movessem na direção de coisas místicas.
Da mesma forma, não é uma coincidência que Paulo menciona “tronos, dominações, principados ou potestades”. Estas são criaturas angélicas invisíveis em várias classes e capacidades, todas as quais foram criadas por Cristo. Os místicos estavam ensinando que os crentes deveriam adorar essas criaturas (cap. 2:18). Mas por que os Cristãos devem buscar e adorar os anjos, quando eles têm o próprio Criador para adorar?
“Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Essa declaração mostra que, sendo uma Pessoa divina e eterna, Cristo existe fora do tempo. O uso do tempo presente “é” indica isso. Compare com Jo 8:58. O fato de que todas as coisas “subsistem” por Ele mostra que Ele não é apenas o Criador do universo, mas que Ele também é o Sustentador do universo. Mesmo quando Ele andava aqui como um homem humilde, a existência do universo dependia d’Ele! Isso é realmente surpreendente. O escritor de hinos afirmou este fato da seguinte forma:
Tu semblante transcendente!
Tu, Sol Criador de Vida!
Para mundos dependentes de ti –
Embora ferido e cuspido na face
The Little Flock nº 119
A glória de Cristo na criação é uma glória adquirida; Ele a adquiriu criando os céus e a Terra. Existem três preposições diferentes usadas aqui para transmitir três pensamentos diferentes quanto a Cristo e à criação:
- “N’Ele” significa que toda força criadora (poder) reside n’Ele.
- “Por Ele” significa que Ele é o instrumento ativo (agente) pelo qual o poder divino age.
- “Para Ele” significa que Ele é o fim divino para o qual tudo foi feito; é para o Seu prazer (Ap 4:11).
EM RELAÇÃO AOS CRENTES (vs. 18-22)
Paulo continua a apresentar as glórias de Cristo em conexão com os crentes. O versículo 18 mostra que Deus agiu na cena da morte (em ressurreição) com o propósito de trazer os crentes a um relacionamento com a Divindade, para que pudessem desfrutar do que Ele desfrutava em Seu amado Filho. Em virtude de Sua ressurreição e ascensão no alto, Cristo Se tornou “a Cabeça do corpo” e “o Primogênito de entre os mortos” (ARA). Assim, Ele tem uma glória eclesiástica como Cabeça do corpo e a glória da preeminência em conexão com Seu lugar na raça da nova criação. Os crentes, portanto, têm uma ligação dupla com Cristo à destra de Deus.
Primeiramente, somos vistos na Escritura como “membros” do corpo de Cristo, do qual Ele é a Cabeça (Rm 12:5; 1 Co 12:12-13). Esta ligação com Ele foi feita quando Ele subiu à destra de Deus e enviou o Espírito Santo para habitar nos crentes (At 2). Em segundo lugar, somos vistos na Escritura como “irmãos” na nova raça da criação dos homens, da qual Cristo é o Primogênito (Rm 8:29; 2 Co 5:17; Gl 3:28-29, 6:15; Ef 2:10, 4:24; Cl 3:10-11; Hb 2:12-13; Ap 3:14) Essa ligação com Cristo foi estabelecida depois que Ele ressuscitou dos mortos e soprou nos discípulos dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). Assim, Ele é “o Princípio” de uma raça completamente nova de homens (Ap 3:14), e como Primogênito nessa raça, Ele deve ter a “preeminência” em todas as coisas. (Cristo como Primogênito dos mortos no verso 18 não deve ser confundido com Cristo como Primogênito de toda a criação no verso 15. Estas são duas esferas diferentes de primazia. Como Primogênito de toda a criação, Ele é a Cabeça da criação natural; Como Primogênito dentre os mortos, Ele é o Cabeça da nova criação).
Esses dois elos com Cristo no alto são indicados por duas expressões nas epístolas de Paulo. Elas são:
- “O Cristo” – Isso geralmente se refere aos membros do corpo e à Cabeça sendo unidos em uma unidade (união), onde são encontradas nossas bênçãos e privilégios coletivos na adoração e no ministério, capacitados pelo Espírito Santo (1 Co 12:12-13, Ef 1:10, etc. – JND).
- “Em Cristo” – Isso indica nossa ligação com Cristo como Seus irmãos na raça da nova criação (2 Co 5:17, etc.), onde estão nossas bênçãos individuais (Ef 1:3).
A Encarnação de Cristo
V. 19 – Tendo estabelecido a glória da Pessoa de Cristo como a Imagem de Deus, o Primogênito de toda a criação, o Cabeça da Igreja e o Primogênito da nova criação, Paulo volta nossa atenção para as maiores glórias de Cristo – aquelas que têm a ver com Ele Se tornando um Homem e morrendo na cruz.
Para estabelecer estas glórias, Paulo nos leva de volta à encarnação de Cristo, quando Ele tomou a Humanidade em união com a Sua Pessoa e Se tornou um Homem (João 1:14; 1 Tm 3:16). Isso era necessário, pois para que permanecesse no lugar do Homem como Emissário do pecado deles e realizar a redenção, Ele tinha que Se tornar um homem. Como homem, “toda a plenitude da Divindade teve prazer em habitar” n’Ele (JND). As três Pessoas da Divindade estavam n’Ele em vida e em propósito (Jo 1:32, 14:10), e como resultado, cada palavra e ação d’Ele “agradou” ao Pai (Mt 3:17; Jo 8:29) e foi “justificado no Espírito” (1 Tm 3:16 – ARF). Assim, a encarnação trouxe a glória moral de Cristo à vista.
Sua encarnação trouxe Deus em proximidade com o homem. Por meio dela aqu’Ele que é infinitamente alto Se tornou intimamente próximo! (1 Jo 1:1-2) A vida e ministério de Cristo na Terra, que era “cheio de graça e verdade”, deu aos homens a oportunidade de ver Quem é Deus em caráter moral (Jo 1:14). Houve uma demonstração perfeita de graça moral entre os homens, porque Cristo glorificou a Deus em tudo o que Ele disse e fez (Jo 17:4). Enquanto caminhava neste mundo, Sua glória moral brilhou em todas as direções; era algo que não podia ser escondido.
A Cruz de Cristo
V. 20a – Paulo então prossegue com outra grande glória de Cristo em conexão com Sua morte – Sua glória redentora. Essa é uma glória que o Senhor adquiriu ao ir à cruz e glorificar a Deus em relação a toda a questão do pecado. Paulo diz que Ele fez “a paz pelo sangue da Sua cruz”. A encarnação não poderia trazer nossa união com Cristo em Seu corpo, nem poderia nos tornar parte da raça da nova criação. Como mencionado anteriormente, esses elos em que somos abençoados com Cristo não puderam ser estabelecidos até que Ele ressuscitasse dos mortos e fosse elevado ao alto. Nem a encarnação de Cristo poderia trazer o homem, que se afastou de Deus, de volta a Ele. Nenhuma quantidade de glória moral manifestada na vida perfeita de Cristo poderia trazer o homem de volta. Falando reverentemente, toda a plenitude da Divindade que habita em Cristo, por maior que fosse, não poderia realizar isso. Um trabalho mais profundo era necessário, e é isso que vemos na morte de Cristo na cruz. Ele fez a paz por meio do sangue da Sua cruz, e ali estabeleceu o fundamento para a bênção chegar ao homem e para o homem ser reconciliado a Deus (1 Pedro 3:18).
É importante entender que a obra de Cristo na cruz cuidou mais do que apenas os pecados dos crentes. Ele provou a morte por “todas as coisas” (Hb 2:9 – JND). Isso significa que Sua morte na cruz pagou o preço por cada efeito que o pecado causou na criação. Por meio de Sua obra na cruz, Ele comprou “o campo” (o mundo) e tudo o que existe nele (Mt 13:38, 44). Ele agora tem o título e o direito de tudo como sendo Sua “possessão adquirida” e Ele aguarda para redimi-la (Ef 1:14 – TB). Este aspecto da obra de Cristo na cruz de provar a morte por todas as coisas é chamado de “propiciação” (Rm 3:25; Hb 2:17; 1 Jo 2:2, 4:10). Tem a ver com a vindicação da natureza santa de Deus em relação à manifestação do pecado, oferecendo uma satisfação completa às reivindicações da justiça divina por tudo isso.
Como a “paz” foi feita pelo sangue da cruz, ninguém está sendo solicitado a “fazer as pazes com Deus” (como dizem erroneamente os homens), porque já foi feita por Cristo. Os homens não podiam fazer isso, mesmo que lhes fosse pedido que fizessem! Tendo Cristo assegurado paz para todos não significa que todos sejam justificados e tenham “paz com Deus” (Rm 5:1). Para ter isto, deve-se crer em nosso Senhor Jesus Cristo e descansar pela fé em Sua obra consumada. A paz sendo feita pelo sangue da cruz significa que o preço foi pago e a obra foi aceita, e o caminho foi aberto para Deus anunciar ao mundo: “Vinde, porque tudo já está preparado” (Lc 14:17). Assim, a obra consumada de Cristo na cruz deu a Deus uma base justa para oferecer perdão e bênção a todos os que creem no evangelho.
Reconciliação - Dois Aspectos
Vs. 20b-22 – Ao colocar diante dos santos a grandeza da obra de Cristo na cruz, Paulo é guiado pelo Espírito a se concentrar no mais amplo e mais abrangente alcance de todas as obras de Deus em graça – a reconciliação. Ele explica que o propósito de Deus em fazer a paz pelo sangue da cruz era “reconciliar todas as coisas a Si mesmo [a Ela mesma (a Divindade) – JND]”; tendo feito paz pelo sangue da Sua cruz; por Ele, digo, quer as coisas sobre a Terra, quer as nos céus. Vós, sendo outrora alienados e inimigos no vosso entendimento pelas vossas más obras, contudo agora vos reconciliou no corpo da Sua carne pela Sua morte, para vos apresentar santos e sem defeito [irrepreensíveis – ARA] e inculpáveis perante Ele [Ela]” (TB). Reconciliação tem a ver com Deus trazendo de volta a harmonia e comunhão Consigo mesmo tudo o que se afastou d’Ele por causa do pecado. Assim, a morte de Cristo é vista aqui como a que estabeleceu as bases para uma reconciliação dupla a ser efetuada – de todas as coisas na Terra e nos céus (v. 20), e de todas as pessoas que creem no evangelho (v. 21).
A Reconciliação de Todas as Coisas
V. 20b – A reconciliação de “todas as coisas” é mencionada primeiro. Tem a ver com o estabelecimento de todas as coisas corretamente em relação a Deus. Toda a criação foi arruinada pelo pecado e necessita de purificação (Jó 15:15; Hb 9:23) e redenção (Ef 1:14), e ser trazida de volta a Deus para que possa ser usada para o propósito para o qual foi criada. Embora a criação esteja definitivamente arruinada pelo pecado, ela não é culpada. Ela não entrou em seu estado decaído por um ato de sua própria vontade (Rm 8:20). No entanto, está atualmente sob o “cativeiro da corrupção” (ARA) e “geme e está juntamente com dores de parto” (Rm 8:21-22). A reconciliação das coisas criadas começará quando Cristo aparecer (At 3:20-21). Um de Seus primeiros atos será remover a escravidão da corrupção que está lançada sobre a criação. Mas o trabalho de reconciliação não estará completo até que o Estado Eterno seja alcançado, quando a última mancha do pecado for totalmente removida e tudo será estabelecido em acordo com Deus (J. N. Darby, Synopsis of the Books of the Bible, Edição de Loizeaux, On Colossians, pág. 25, Notes & Jottings, pág. 110). Toda a desordem na criação terá desaparecido, e a Terra e os céus serão completamente libertos do poder do mal e dos efeitos do pecado (1 Co 15:24-28). É então que João 1:29 será cumprido – “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
É interessante notar que quando a criação está em vista, “os céus” são mencionados antes da “Terra” (v. 16), mas quando a reconciliação está em vista, a “Terra” é colocada antes dos “céus” (v. 20). Isso mostra a ordem em que foram criados (Gn 1:1, etc.) e a ordem em que serão reconciliados. Assim, a obra de reconciliação começará com coisas na Terra, e então se ampliará para alcançar as coisas nos céus. Coisas “debaixo da terra [seres infernais – JND]”, mencionadas em Filipenses 2:10, não estão incluídas na reconciliação e, portanto, não são mencionadas aqui. Seres “infernais” são anjos caídos e homens impenitentes sob condenação em uma eternidade perdida. Eles não eram infernais quando Deus os criou, mas se tornaram assim por rebelião. Eles serão forçados a dobrar o joelho em submissão ao senhorio de Cristo, como Filipenses 2:10 indica, mas isso não é salvação, nem reconciliação. (Reconciliação não se aplica a anjos não caídos; eles não se afastaram de Deus.)
Também deve ser notado que uma interpretação mais correta indica que a obra de reconciliação não é “a Si mesmo” (como na KJV e nas em português), mas para “a Ela mesma”, pois se refere a toda a Divindade. Isso mostra que todas as três Pessoas na Divindade estarão envolvidas em trazer tudo de volta de acordo com a mente de Deus.
A Reconciliação dos Crentes
Vs. 21-22 – Como mencionado anteriormente, a reconciliação de todas as coisas é futura; ainda está para acontecer. Enquanto isso, Deus reconcilia os homens por meio do evangelho de Sua graça.
Talvez o resultado mais triste do ingresso do pecado sejam as relações alienadas que existem entre os homens e Deus. O coração e a mente do homem possuem agora pensamentos e sentimentos errados para com Deus (v. 21). Por meio do pecado, os homens em seu estado caído tornaram-se “aborrecedores de Deus” (Rm 1:30), e assim têm grande “inimizade contra Deus” (Rm 8:7). Esta passagem em Colossenses 1 mostra que a condição caída do homem é dupla: ele se tornou um alienado e um inimigo de Deus. “Estranhos [Alienados – JND]” é o que os homens são por natureza; “inimigos” é o que são pela prática. Como tal, o homem está agora longe de Deus moral e espiritualmente, não tendo qualquer relação com o seu Criador. Esse estranhamento não foi apenas com Adão que primeiro pecou, mas é verdadeiro em toda a raça sob ele (Rm 5:19a). O ódio e a inimizade para com Deus existem em todas as pessoas perdidas, em graus variados. Isso é evidente na profanidade com que os homens usam o Seu santo nome (Sl 139:20) e nas “obras más” que praticam. Essas coisas contribuíram para o afastamento do homem de Deus. Os homens têm a sensação de terem feito o que é errado, e a consciência acusadora os afasta d’Ele a Quem ofenderam.
Essa condição de inimizade está totalmente do lado do homem; é o homem que pecou e se afastou de Deus. Mesmo que o coração do homem para com Deus tenha sido corrompido, a disposição de Deus para com o homem não mudou. Ele ainda está favoravelmente disposto para com os pecadores, pois Ele é o grande Deus Imutável (Ml 3:6). Isso pode ser visto no fato de que Ele “prova o Seu amor para conosco... sendo nós ainda pecadores”. E provou o Seu amor, pois “Cristo morreu por nós” (Rm 5:8). Assim, em seu estado confuso de pensamento, o homem vê Deus como um inimigo, mas Ele, definitivamente, de fato não o é, pois Deus está buscando o bem e a bênção do homem! Uma mudança de coração é desesperadamente necessária no homem, mas não em Deus, pois Ele sempre amou o homem. Portanto, não é Deus Quem precisa ser reconciliado com o homem, mas o homem a Deus. Dizer que Deus precisa ser reconciliado nega Seu “amor eterno” para o homem (Jr 31:3; Jo 3:16).
Às vezes, quando as pessoas são despertadas para a necessidade de serem salvas, elas têm a ideia equivocada de que, uma vez que pecaram e se afastaram de Deus, precisam fazer algo para trazer o coração de Deus em direção a elas. Alguns pensam que precisam derramar lágrimas; outros pensam que precisam limpar suas vidas e se tornar religiosos. Mas, novamente, isso é entender mal o coração de Deus; Seu coração sempre foi favorável ao homem.
Assim sendo, a Escritura não apresenta reconciliação como a conhecemos hoje no sentido moderno da palavra. Isto é, em relação a duas partes que foram alienadas, aproximando-se umas das outras com algum grau de compromisso, para que as relações entre elas possam recomeçar como eram antes. Reconciliação, como encontrada na Bíblia, trata o assunto como homem sendo trazido de volta a Deus. Assim, a Escritura não diz que estamos reconciliados com Deus, o que pode implicar este compromisso, mas sim que estamos reconciliados “a” Deus (Rm 5:10; 2 Co 5:20; Ef 2:16; Cl 1:20 – todos da tradução de JND). Além disso, somos nós que recebemos “a reconciliação”, não Deus (Rm 5:11). (Mt 5:24 usa a palavra “reconciliar” no sentido de que duas partes se juntam, mas é uma palavra diferente em grego e não está relacionada com as bênçãos do evangelho que estamos considerando.)
Deus em graça superou a alienação e a inimizade do homem ao cuidar da questão do pecado na morte de Cristo, e então envia Seus servos para anunciar que Ele ama o homem e que providenciou um caminho para que ele seja trazido de volta em paz. Assim, a mensagem do evangelho que os servos de Deus levam ao mundo é: “Reconcilieis a Deus” (2 Co 5:20 – JND). Isto não significa que todas as pessoas no mundo estejam agora reconciliadas, ou que todas serão reconciliadas, mas que uma provisão foi feita para alcançar e restaurar todas as pessoas, se elas vierem a Cristo.
Existem quatro lugares principais no Novo Testamento, onde a reconciliação de pessoas é considerada – cada um retrata o assunto em um aspecto diferente:
- Colossenses 1:19-22 – para o prazer da Divindade.
- Romanos 5:1-11 – para o conforto e gozo do crente em Deus.
- Efésios 2:11-16 – para efetuar a união entre os membros do corpo de Cristo.
- 2 Coríntios 5:19-21 – como um testemunho para o mundo.
Como mencionado acima, Colossenses 1:22 apresenta a reconciliação sob a perspectiva de Deus, enfatizando o que ela realiza para o prazer de Deus. Assim, é o aspecto mais elevado da reconciliação. Ser perdoado nos satisfaria, mas não satisfaria a Deus. A parábola em Lucas 15 ilustra esse grande fato. O pai não estava satisfeito em dar ao pródigo os beijos do perdão – ele o vestiria com o melhor vestido, com um anel no dedo e com os sapatos nos pés, de modo que seus olhos pudessem repousar sobre o filho com complacência. (Lc 15:20-23) Assim, vemos a partir disso que Deus trabalha para efetuar a reconciliação a fim de que possamos ser “santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis”, “perante Ele [Ela (a Divindade) – JND] – e isso para que Ele possa encontrar Seu prazer em nós. A reconciliação vai além do perdão dos pecados e da justificação, para trazer o crente para “perto” de Deus em paz (Ef 2:13). W. Kelly disse: “Reconciliação, portanto, é um termo de significado rico, e vai muito além do arrependimento ou fé, vivificação ou justificação” (Notes on the Second Epistle to the Corinthians, pág. 114). Assim, a encarnação trouxe Deus ao homem e a reconciliação leva os homens (crentes) a Deus.
A principal diferença entre a reconciliação das coisas e das pessoas é que a reconciliação das coisas é universal; enquanto que a reconciliação de pessoas não é. Nem todos os filhos do Adão caído obtêm essa grande bênção; são somente aqueles que creem no evangelho e recebem a Cristo como seu Salvador. Outra diferença é que Deus reconcilia as coisas Consigo mesmo pelo exercício do julgamento, mas Ele reconcilia os homens pelo poder do Seu amor e graça trabalhando em seus corações para dissipar seu ódio e inimizade. Ele pega aqueles que são alienados e inimigos por causa do pecado, e os converte e reconcilia e os transforma em filhos, e eles “se gloriam [têm gozo – KJV] em Deus” (Rm 5:11) e Ele tem o Seu prazer neles!
Pai, Teu soberano amor procurou
Cativos ao pecado, distanciados de ti;
A obra que o Teu próprio Filho consumou
Nos trouxe de volta em paz e liberdade.
E agora como filhos diante da Tua face,
Com passos gozosos, na senda que trilhamos
Que nos leva aquele lugar abençoado
Preparado para nós por Cristo nossa Cabeça.
The Little Flock nº 331
Resumo das Glórias de Cristo em Colossenses 1
- Como “a Imagem de Deus” – Sua glória essencial na Divindade.
- Como “o Primogênito de toda a criação” – Sua glória criacional.
- Como “a Cabeça do corpo” – Sua glória eclesiástica.
- Como “o Primogênito de entre os mortos” – Sua glória de preeminência na nova criação.
- Como aqu’Ele em Quem “toda a plenitude da Divindade habitou” – Sua glória moral.
- Fazendo “paz pelo sangue da Sua cruz” – a Sua glória redentora.
- Reconciliando “todas as coisas à Divindade” – Sua glória oficial no reino.
Um Aviso
V. 23 – Paulo então acrescenta uma advertência: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes [não afastados – JND] da esperança do evangelho que tendes ouvido”. Ao usar a palavra “se” aqui, ele não estava insinuando que os santos de Colossos poderiam perder sua salvação se não prosseguissem firmemente, mas porque havia uma possibilidade real de que alguns entre eles fossem meros professantes. Paulo tinha razões para crer que poderia haver alguns que estavam externamente ligados à companhia Cristã em Colossos, mas não estavam vitalmente ligados a Cristo pela fé. Em outras palavras, eles estavam indo para as reuniões da assembleia em Colossos, mas não eram realmente salvos. O “vos” neste verso, portanto, abrange todos os que invocaram o nome do Senhor em Colossos, incluindo qualquer um que fosse meramente um professante da fé. Aqueles que eram verdadeiros crentes manifestariam isso continuando na fé, e aqueles que não tivessem fé mostrariam isso, abandonando a fé. Assim, essa palavra de cautela foi adicionada para verificar a mera profissão. Isso mostra que as maravilhosas bênçãos incluídas na reconciliação são condicionadas a uma pessoa ter fé verdadeira em Cristo, e que continuar no caminho da fé é a melhor maneira de provar a realidade de uma pessoa.
Na verdade, existem dois tipos de “se” na Escritura: um é um “se” de condição, e o outro é um “se” de argumento. O “se” de condição assume que existe a possibilidade de algum tipo de falha ocorrer no cumprimento das condições envolvidas em um determinado assunto. O “se” de argumento, por outro lado, tem a ver com o escritor estabelecendo certos fatos em sua apresentação, e então argumentar sobre esses fatos para estabelecer um determinado ponto. Neste caso, a palavra “se” pode ser substituída por “visto que”. (Veja os capítulos 2:20 e 3:1). Paulo estava usando o “se” de condição neste versículo 23 porque havia uma possibilidade real de alguns não crerem no evangelho, e isso seria evidente pelo fato de não continuarem na fé.
Aqueles que eram meros professantes também se manifestariam aceitando as doutrinas blasfemas apresentadas pelos falsos mestres da região. Nota: Paulo não fala deles se afastando, mas de estarem “afastados”. Isso implica a influência de outros envolvidos no afastamento desses. A “esperança do evangelho” nesta passagem é mais do que os santos sendo glorificados com Cristo no Arrebatamento. O contexto aponta para a gloriosa consumação da reconciliação sendo levada a bom termo tanto na Terra como nos céus, nos quais a Divindade encontrará a Sua plena satisfação.
Ao falar do evangelho, Paulo diz que ele foi “proclamado em toda a criação” (JND). Ele não quis dizer que todos no mundo inteiro ouviram a mensagem da graça de Deus, mas que sua esfera de operação não é menor do que cada pessoa em toda a criação.
Os Dois Ministérios de Paulo
Caps. 1:23b-2:3 – É o desejo de Deus que “toda criatura que está debaixo do céu” tenha a oportunidade de ouvir essas coisas maravilhosas e ser abençoada por elas em Cristo (1 Tm 2:4). Em vista disso, Paulo continua falando dos dois ministérios que o Senhor lhe havia dado para levar a verdade ao mundo.
Tendo já falado do “evangelho”, do qual ele diz que se tornou um “ministro” (v. 23b), Paulo expande isso e fala de um ministério adicional que lhe foi dado – a revelação do Mistério a respeito de Cristo e a Igreja. Ele diz: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo Seu corpo, que é a igreja [assembleia – JND]; da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir [completar – JND] a Palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos Seus santos; Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”
Assim, Paulo teve dois ministérios: pregar “o evangelho” aos perdidos e ensinar a verdade do “Mistério” aos santos. O fato de serem mencionados juntos aqui, e em Romanos 16:25 e novamente em Efésios 3:8-9, mostra que essas duas coisas estão conectadas e devem sempre ser tratadas como tais. A verdade do evangelho deve conduzir para a verdade da Igreja. Infelizmente, muitos Cristãos não têm visto isso e focalizam seus esforços no trabalho do evangelho sem dar a devida atenção ao ensino de seus convertidos à verdade da Igreja. W. Kelly lamentou sobre isso e escreveu: “Um dos sinais e provas melancólicos de onde a Igreja está atualmente é que mesmo nos mais fervorosos filhos de Deus, há apenas um pequeno pensamento em trazer refrigério aos corações dos santos. O zelo é absorvido na simples conversão dos pecadores. A glória de Deus na Igreja nada vale... alguém diz isso não para diminuir a compaixão pelo que perece, mas para insistir nos clamores da glória e graça de Cristo nos salvos” (The Epistles to Titus and Philemon, pág. 148). Aprendemos com isso que a grande finalidade do evangelho não é meramente libertar uma pessoa da pena de seus pecados, por mais maravilhoso que isso seja. Mas é fazer com que o convertido entenda o seu lugar no corpo de Cristo (a Igreja) e, assim, funcione junto com os outros membros do corpo de acordo com o plano de Deus para exibir a glória de Seu Filho, tanto agora neste mundo como no mundo vindouro.
O Custo de Levar a Verdade aos Santos
V. 24 – Paulo então fala do que lhe custou levar a verdade aos santos. Ele havia sido bombardeado com perseguição, o que lhe causou muito sofrimento (At 9:16; 2 Co 11:23-27), e isso o levou a estar “preso” em Roma (Cl 4:3, 18). Isso mostra que Satanás não fica em silêncio e deixa o evangelho ser pregado e a verdade ensinada. Não, ele levanta oposição a isso. Podemos ter certeza de que tudo o que for introduzido neste mundo concernente a Cristo, Satanás se oporá a isso. Ele se opunha a Cristo quando estava aqui, e agora que Cristo foi para o céu e formou Seu corpo para representá-Lo aqui embaixo, Satanás se opõe a ele. Se ele não pode mais perseguir a Cristo, ele irá voltar sua energia para perseguir Seu corpo. Isso pode ser visto na pergunta que o Senhor fez a Paulo antes de ele se converter: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?” (At 9:4) Essa declaração mostra que tocar nos membros do corpo de Cristo é tocar em Cristo, por causa da união que existe entre a Cabeça e o corpo. Quando Saulo foi convertido, ele se tornou o ministro-chefe dessa própria verdade e, naturalmente, suportou o peso da perseguição dirigida aos santos. Satanás mirou o vaso que havia sido especialmente levantado por Deus para revelar essa verdade.
Se sofrimento tivesse que ser suportado para trazer a verdade aos santos, então Paulo estava feliz por sofrer pela verdade. Ele disse: “Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós” (TB). Ele explica que, na realidade, foi o mesmo caráter de sofrimento que Cristo mesmo suportou em Sua vida quando em Sua obra para reconciliar o homem a Deus (2 Co 5:19). O sofrimento de Paulo cumpriu “o que falta das aflições de Cristo” (TB). Isto é, quando o Senhor terminou Seu ministério e voltou para o céu, Ele deixou para trás aqueles sofrimentos pela causa da verdade para os outros “cumprissem”. Assim, os sofrimentos de Paulo foram realmente uma extensão dos sofrimentos de Cristo. Estes, naturalmente, não eram os sofrimentos de martírio e de expiação de Cristo. Isso era um tipo completamente diferente do tipo de sofrimento que os ascéticos4 estavam defendendo. Eles estavam mortificando seus corpos “para a satisfação da carne” (cap. 2:23), enquanto Paulo estava sofrendo em seu corpo pela causa do benefício espiritual do “corpo de Cristo”.
Revendo os exercícios de Paulo como ministro, vemos que ele não apenas orou pelos santos (v. 9), e os ensinou por palavras e ações (v. 28), mas também estava preparado para sofrer por eles (v. 24). Essas três coisas devem andar juntas no ministério de cada servo. Uma questão desafiadora que podemos nos perguntar é: “Estou preparado para sofrer pelos santos?”
O Mistério
V. 25 – Paulo fala então de seu segundo ministério. Ele diz que ele também era um “ministro, segundo a dispensação de Deus que me foi concedida”, a qual, como dissemos, tem a ver com a revelação da verdade do “Mistério”. Paulo era o principal propagador do Mistério. Outros “santos apóstolos e profetas” tiveram essa grande verdade revelada a eles (Ef 3:5), mas Paulo foi especialmente comissionado pelo Senhor “para iluminar a todos com o conhecimento” do “Mistério” (Ef 3:9 – JND).
Como mencionado na Introdução, o Mistério revela o grande propósito de Deus para glorificar Seu Filho em duas esferas – nos céus e na Terra – no mundo vindouro por meio de um vaso de testemunho especialmente formado, a Igreja (Ef 1:8-9). O Velho Testamento claramente predizia um Messias judaico reinando sobre toda a Terra com Israel e as nações gentias regozijando-se submissas a Ele. Mas o Mistério revela algo mais. Quando Cristo reinar, Ele terá um complemento celestial ao Seu lado – a Igreja, Seu corpo e Sua noiva. Deus usará esse vaso especialmente formado para realçar a glória de Cristo naquele dia de manifestação (Ap 21:9-22:5). Além disso, o Mistério revela que Cristo não apenas reinará sobre a Terra, mas sobre todo o universo (os céus e a Terra); tudo estará sob a administração de Cristo e da Igreja. (“o Cristo” Ef 1:10 – JND).
Também mencionadas na Introdução estão as duas partes do Mistério, apresentadas nas epístolas aos Efésios e aos Colossenses. Efésios enfatiza o aspecto futuro quando o grande propósito de Deus concernente a Cristo e à Igreja será trazido à manifestação no mundo vindouro. Colossenses dá o aspecto presente do Mistério, que tem a ver com as características de Cristo sendo desenvolvidas na prática nos membros de Seu corpo, de modo que o mundo veria uma demonstração viva da união de Cristo e da Igreja.
Paulo diz que trazer à luz essa grande verdade seria “cumprir [completar - JND] a Palavra de Deus”. Assim, o Mistério é a culminante joia de Deus que completa a revelação divina da verdade. Tendo divulgado esse segredo, agora não resta mais verdade a ser revelada. “Todos os tesouros da sabedoria e da ciência” são encontrados no Mistério, e todos eles foram revelados aos santos (cap. 2:2-3). Completar a Palavra de Deus não significa que Paulo foi o último a escrever as Escrituras inspiradas; sabemos que ele não foi. O apóstolo João escreveu seu evangelho, suas epístolas e o livro de Apocalipse alguns anos depois. No entanto, esses escritos não revelam nenhuma nova verdade sobre a Igreja – que é o ponto de Paulo aqui. As epístolas de João não consideram a verdade da Igreja, mas sim a família de Deus. Sua Revelação (Apocalipse) de Jesus Cristo tem muitas visões e revelações relacionadas a eventos futuros, mas essas coisas são uma ampliação de assuntos já revelados no Velho Testamento. Todos esses ensinamentos proféticos não são novos assuntos da verdade.
V. 26 – Paulo então amplia o fato de que a verdade no Mistério não é uma extensão da verdade dada no Velho Testamento. Ele deixa claro que era algo que estava “guardado em silêncio durante os tempos eternos [os tempos dos séculos – JND]” (Rm 16:25; Ef 3:5) e só agora, na presente dispensação da graça, “tem sido revelado aos Seus santos” (TB). Não é algo que os santos do Velho Testamento pudessem conhecer. Era algo “oculto” (Rm 16:25) que não estava escondido no Velho Testamento (como alguns pensavam), mas algo que estava “escondido em Deus” (Ef 3:9). Existem referências à Cristo e à Igreja nos tipos do Velho Testamento, tais como: Adão e Eva (Gn 2), Isaque e Rebeca (Gn 24), Jacó e Lia (Gn 29), José e Asenate (Gn 41), etc., mas estes não ensinam a verdade da Igreja. Eles não revelam a natureza de sua união, etc. Tudo isso requer uma revelação divina, que é o que o Mistério revela. Nós não teríamos visto essas figuras no Velho Testamento se a verdade da Igreja não tivesse sido revelada no Mistério no Novo Testamento.
V. 27 – Paulo então define a operação prática da verdade do Mistério nos santos. Ele diz que é, “Cristo em vós, a esperança da glória” (ARA). Assim, o mistério revela que Deus teria pessoas aqui agora neste mundo no mesmo lugar onde Cristo foi expulso e crucificado, nas quais as características vivas de Sua Pessoa seriam vistas. Não é que Cristo habite pessoalmente naquelas que compõem esta nova companhia (como comumente se pensa), mas que as características da vida de Cristo são vistas nelas. W. Kelly disse: “É a vida de Cristo em nós em seu completo caráter ressuscitado de manifestação” (Lectures on Colossians, pág. 108). “Vós”, sendo plural, mostra que é intenção de Deus que haja neste mundo uma reprodução harmoniosa de Cristo nos santos. Ver os santos movendo-se juntos em feliz comunhão, mesmo que estejam em diversas posições sociais, níveis intelectuais, distinções raciais, etc., dá um forte testemunho sobre o que Deus está atualmente fazendo neste mundo por meio do evangelho. A “esperança” a que ele se refere aqui é a certeza adiada de estarmos com Cristo em um estado glorificado.
V. 28 - Tendo falado do Mistério em seu aspecto atual, Paulo diz: “quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”. Vimos a partir disso que o objetivo de seu duplo ministério era que as pessoas não somente teriam suas almas salvas eternamente por crerem no evangelho, mas também que seguiriam depois que fossem salvas e alcançariam a plena maturidade Cristã. “Perfeito”, no sentido em que Paulo usa a palavra aqui, refere-se a isso. Significa “completamente crescido” e pode ser traduzido como tal (1 Co 14:20; Fp 3:15). Todos os Cristãos estão “em Cristo Jesus” quanto à sua posição de aceitação diante de Deus em Cristo, o Homem ressurreto e glorificado. Mas ser “perfeito em Cristo Jesus” envolve conhecer a verdade do Mistério e procurar andar com nossos companheiros irmãos de tal maneira que haja uma demonstração viva de Cristo. Assim, Paulo não estava interessado em simplesmente fazer com que pessoas ultrapassassem a linha de salvação da alma e deixá-las ali para fazer seu próprio caminho nas coisas divinas – ele trabalhou para estabelecê-las na verdade depois que elas foram salvas. Assim, se os colossenses desejassem a perfeição Cristã, ela seria encontrada na verdade revelada no Mistério, e não naquilo que os falsos mestres de sua região estavam propondo.
Observe a mudança do plural (“vós” – v. 27) para o singular (“todo homem” – v. 28). Isso porque, quando se trata de crescimento e progresso nas coisas divinas, é uma coisa individual. Não podemos crescer por outra pessoa e eles não podem crescer por nós. Por parte do crente, o progresso espiritual requer obediência, diligência e exercício de alma. Também é útil ter ajuda de instrutores com dons, como foi o caso aqui com as instruções de Paulo.
V. 29 – Em vista de apresentar a cada homem perfeito, Paulo diz: “E para isto também trabalho, combatendo segundo a Sua eficácia, que obra [atua – ARA] em mim poderosamente”. O combate se refere à guerra. Isso mostra que Paulo viu seus esforços como um conflito espiritual. Ele entendeu claramente que o diabo e seus emissários estavam trabalhando nos bastidores para resistir à propagação da verdade (2 Co 10:3-5; 1 Ts 2:18; Ef 6:11-13). No mundo vindouro, não haverá combate com esses inimigos malignos para manifestar Cristo e a Igreja, porque todos eles estarão confinados no abismo (Is 24:21-22; Ap. 20:1-2). Mas neste mundo hoje há uma indiscutível batalha espiritual em relação à reprodução coletiva das características de Cristo nos santos.
Cap. 2:1 – Paulo sabia que os santos daquela região estavam em uma condição perigosa e queria que eles soubessem de sua preocupação. Ele disse: “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia”. A menção de “Laodiceia” aqui e “Hierápolis” mais adiante na epístola (cap. 4:13). nos diz que essas assembleias vizinhas também estavam em perigo. Isso mostra que os esforços do inimigo são implacáveis. Se esses falsos mestres não conseguissem a atenção dos colossenses, eles tentariam entrar em Laodiceia ou em Hierápolis.
Vs. 2-3 – O grande desejo de Paulo por eles era “para o fim de que seus corações possam estar encorajados, estando unidos em amor, e para todas as riquezas da plena certeza do entendimento, para o pleno conhecimento do mistério de Deus. No qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (JND). Estar “unidos em amor” era uma questão de seus “corações” serem elevados ao Senhor, e ter “a plena certeza do entendimento” do Mistério era uma questão de suas mentes serem instruídas na verdade. Isso os guarneceria contra os enganos do inimigo. Se esse estado existisse entre os colossenses, seria difícil para o inimigo conseguir um espaço na assembleia. A “plena certeza” a que Paulo estava se referindo não era a garantia da salvação de suas almas; isso eles já tinham. Era que eles teriam plena certeza do fato de terem recebido “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” no Mistério. Saber disso os livraria da busca da verdade em qualquer outro lugar, a não ser no Mistério. Assim, o conflito de Paulo na oração era que eles estivessem em um estado espiritual correto para se beneficiarem com a verdade.
Usando a tipologia na jornada de Israel do Egito até Canaã, “os tesouros da sabedoria e do conhecimento” de que Paulo fala aqui é o antítipo da herança prometida de Israel (porção) em Canaã. Veja Efésios 1:3.