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Esboço dos Acontecimentos Proféticos

Esboços das Escrituras que Confirmam Esta Ordem dos Eventos. 1) Daniel 11-12 Daniel 1…

Bruce Anstey · Texto do EPUB · Seção 18 de 105

Esboços das Escrituras que Confirmam Esta Ordem dos Eventos.

1) Daniel 11-12

Daniel 11 apresenta um relato detalhado das guerras entre dois reis – o rei do norte (Síria) e o rei do sul (Egito). Historicamente eles foram as duas partes dominantes do império grego. Os versículos 1 a 35 cumpriram-se na história antes da época de Cristo por vários reis do norte e do sul. Porém, do versículo 36 ao final do livro de Daniel, temos o que ainda está para se cumprir em um dia futuro. O período da Igreja, com aproximadamente 2.000 anos, se interpôs entre os versículos 35 e 36 do capítulo 11. A Igreja não é mencionada, pois não é considerada na profecia. A Igreja é um mistério oculto no coração de Deus nas eras passadas (Ef 3:2-7; Cl 1:26-27; Rm 16:25).

Os versículos 36 a 39 dão uma breve descrição dos feitos do rei voluntarioso, o falso messias dos judeus (o anticristo) na grande tribulação. Ele promoverá iniquidade e idolatria, e levará muitos à apostasia. Continuará o seu caminho de iniquidade até à “indignação” (v. 36). Assim que a indignação inicia (v. 40), o rei do sul (Egito e seus aliados – v. 43) invadirá a terra de Israel proveniente do sul. Este é o ponto nº 1 neste sumário.

O rei do norte (já vimos que haverá uma confederação de nações árabes aliadas a ele – Sl 83 etc.) passará então impetuosamente sobre Israel proveniente do norte e a assolará (vs. 40-41), e muitas outras nações vizinhas ao mesmo tempo. Ele continuará sua conquista em direção ao Egito, após derrotar os seus exércitos que tiverem subido à terra de Israel (v. 42). Este é o ponto nº 2 do sumário.

O rei do norte entrará no Egito para saquear suas riquezas (v. 43). Enquanto estiver saqueando o Egito, o rei do norte ouvirá notícias provenientes do norte (v. 44). Esta é uma referência velada à besta e aos seus exércitos (a confederação ocidental) entrando na terra de Israel (que se encontra geograficamente ao norte de onde estará – no Egito) numa tentativa de defendê-la. Este é o ponto nº 3 do sumário.

Ao mesmo tempo, o rei do norte também escutará notícias vindas do Leste (v. 44a) que provavelmente fazem referência à Aparição de Cristo com os exércitos celestiais A Aparição de Cristo se dará a partir do Leste (Mt 24:27). A primeira coisa que Cristo fará na Sua Aparição será destruir a confederação ocidental (Ap 19:11-21; 2 Ts 2:8). Este é o ponto nº 4 do sumário.

Após ter ouvido essas notícias, o rei do norte voltará do Egito, indo para a terra de Israel, e será destruído pelo Senhor (vs. 44b-45). Este é o ponto nº 5 do sumário.

A profecia continua para o capítulo 12 de Daniel. Após o Senhor haver tratado com a confederação ocidental e com o rei do norte, o povo de Daniel (seu povo eram os judeus – as duas tribos – por isso chamado ‘o remanescente judeu’) será libertado e restaurado ao Senhor (Dn 12:1). Nessa ocasião o Senhor efetuará uma ressurreição da nação (não uma ressurreição literal) e as dez tribos que têm estado espalhadas por toda a face da Terra irão voltar (Dn 12:2-3). Haverá duas classes entre eles: os verdadeiros (aqueles que têm fé) e os falsos. Os rebeldes (os falsos, que não têm fé) serão removidos dentre os outros nas fronteiras da terra (Ez 20:34-38). Os verdadeiros entrarão na terra e se juntarão com o remanescente (as duas tribos), e juntos desfrutarão das bênçãos do reino de Cristo na Terra – o Milênio – que estará prestes a começar. Isto corresponde ao intervalo que há no sumário entre os pontos nº 5 e nº 6.

Os pontos nº 6 e nº 7 deste sumário não estão incluídos neste esboço do livro de Daniel, pois o assunto de Daniel é o curso “dos tempos dos gentios”, que terminará com a Aparição de Cristo (Lc 21:24-28). Gogue descerá do norte após o Senhor haver retornado e estabelecido o Seu reino em Israel, como outros esboços irão mostrar.

2) Apocalipse 16:12-21

Estes versículos mostram que quando a sexta taça for derramada, a confederação de reis do Oriente dará início ao seu avanço em direção à terra de Israel (v. 12). Isso corresponde aos movimentos dos exércitos mostrados no ponto nº 2 do sumário (Esta é a mesma confederação mencionada em Daniel 11:40-45, sob a liderança do rei do norte. Quando estes exércitos são mencionados na Escritura em oposição ao rei do sul eles são mencionados como os exércitos do rei do norte, mas quando eles são mencionados em oposição aos poderes do Ocidente (a besta), são mencionados como “os reis do Oriente” (Ap 16:12). O livro de Apocalipse desenvolve a profecia principalmente do ponto de vista Ocidental. Portanto é apropriado que aqui sejam chamados “os reis do Oriente”. Em Isaías e Miqueias são chamados Assírios porque esses profetas desenvolvem a profecia num tempo quando a Assíria era a grande inimiga ao norte de Israel64.

À medida que esses reis confederados provenientes do ocidente (e do norte) de Israel vierem, os exércitos ocidentais, sob a liderança da besta se reorganizarão e unirão suas forças para entrar na terra (vs. 13-14). Este é o ponto nº 3 do sumário.

Quando os exércitos ocidentais entrarem na terra de Israel, o Senhor descerá do céu como “um ladrão” (v. 15). Ele julgará a confederação ocidental sob a figura da Babilônia (política) (a sétima taça – vs. 17-21)65. Este é o ponto nº 4 do sumário.

Este esboço cobre apenas do ponto nº 2 até o ponto nº 4, mas note que a ordem é mantida, embora nem todas as batalhas do sumário sejam apresentadas. O livro do Apocalipse, por estar no Novo Testamento, desenvolve a profecia, principalmente, sob o ponto de vista ocidental, por isso ela termina na sequência das batalhas quando os exércitos ocidentais são destruídos. Embora Apocalipse 16:14 anuncie que mais batalhas irão acontecer (ao indicar que os exércitos “de todo o mundo” [Ap 16:14] vão sendo atraídos à terra de Israel), tais batalhas não são descritas por não ser este o assunto do livro de Apocalipse.

3) Números 24:20-25

Nesta parábola de Balaão aprendemos o que vai acontecer nos últimos dias de Israel (v. 14). “Assur” (Assíria, que é o mesmo que o rei do norte) invadirá toda a terra e a deixará em ruínas. Nessa ocasião Israel será assolada por um destruidor vindo do norte, mas os efeitos dessa invasão não são mencionado nesta profecia em virtude de as parábolas de Balaão não contemplarem Israel em seu pecado (Nm 23:21), e, portanto, não sob o castigo de Jeová, para o qual os assírios foram particularmente usados como sendo a vara de Jeová (Is 10:5-6). “Amaleque” (v. 20) também será afetado por Assur quando ele passar pela terra. Os ancestrais de Amaleque podem ser rastreados a partir de Gn 14:7. Seus descendentes misturaram-se mais tarde com os descendentes de Esaú (Gn 36:12-16) que, por sua vez, misturaram-se com Ismael (Gn 28:9). Eles são os progenitores das nações árabes de nossos dias. Essa profecia indica que o julgamento deles começará por ocasião da destruição de toda a terra pelo rei do norte (Assur).

Após julgar Amaleque, Assur destruirá os “quenitas”, um ramo do povo midianita que se estabeleceu no extremo sul da terra de Judá e em seus lugares ermos, mas que são, aparentemente, originários do Egito66. Se pudermos entender isto sendo o Egito, como alguns estudiosos creem, aprenderemos que os destruidores exércitos de Assur continuarão o seu curso até alcançarem o Egito e o devastarem. Isto claramente está relacionado com o ponto nº 2 do sumário.

Quando Assur tiver varrido a terra de Canaã de norte a sul, as “naus das costas de Quitim” virão do Ocidente para afligir Assur. Quitim não apenas se refere à ilha de Chipre, mas a todos os poderes marítimos do Mediterrâneo Ocidental, particularmente o de Roma (Jr 2:10; Ez 27:6; Dn 11:30). Essa profecia corresponde aos exércitos do Império Romano restabelecido – a confederação ocidental – vindos do Ocidente com a intenção de barrar o rei do norte em sua conquista. Este é o ponto nº 3 do sumário.

“Ele também perecerá para sempre” (v. 24 – KJV) refere-se à besta, o grande líder do Ocidente67, que encontrará o seu fim. Sabemos que isso acontecerá na Aparição de Cristo (Ap 19:11-20), embora isso não ser mencionado aqui. Não se está referindo a Assur, como alguns pensam, pois nunca é mencionado que a Assíria será destruída para sempre – sendo para sempre removida da Terra como uma nação, como é o caso dos filisteus (Sf 2:5), dos edomitas (Ob 10, 18), dos amalequitas (Nm 24:20) e da Babilônia (Is 13:20; Jr 50:3, 51:29, 43, 62). Assíria, de fato, após ter sido julgada, será restaurada a uma posição de proeminência no Milênio (Is 19:24). Isso corresponde ao ponto nº 4 do sumário.

Embora apenas alguns poucos pontos do sumário (nº 2 ao nº 4) sejam vistos aqui nesta profecia, a parábola de Balaão é valiosa, pois demonstra que os poderes ocidentais virão para a batalha logo após o rei do norte tiver passado pela terra indo em direção ao Egito.

4) As Invasões de Nabucodonosor e dos Caldeus na Época de Zedequias

A condição das coisas entre os judeus no período um pouco antes à queda de Jerusalém, no tempo dos reis, é análoga às condições que prevalecerão entre os judeus que serão trazidos de volta e reunidos em sua terra no princípio da tribulação. É um prenúncio dos eventos futuros (Mt 12:43-45).

Os judeus, sob o seu ímpio rei Zedequias (Ez 21:25), abandonaram o Senhor e desprezaram os avisos de Jeremias, o profeta (Jr 37:2). A terra encheu-se de iniquidade, violência (Ez 22), e idolatria (Ez 8). Foi também uma época em que a fome e a pestilência prevaleceram (Jr 14:1-22). Os judeus irão se encontrar novamente em condições similares durante a grande tribulação. A multidão de judeus apóstatas que voltará a se ajuntar em sua terra, irá se colocar também sob um rei iníquo (o anticristo), como Ezequias e será entregue a toda sorte de iniquidade, violência (Sl 10-11), e idolatria (Ap 13:14-15). Haverá também um remanescente de judeus piedoso que será perseguido por pregar a Palavra de Deus (Ap 14:1) dos quais Jeremias e Baruque são uma figura.

Deus trouxe juízo sobre o Seu culpado povo de outrora ao levantar Nabucodonosor e seu exército caldeu, o qual é uma figura68 do rei do norte em profecia. Nabucodonosor possuía uma grande coalizão de muitas nações que o auxiliaram (Jr 34:1; 2 Rs 24:1-2; Ob 11-14; Hc 2:5). Eles são uma figura da confederação Árabe que ajudará o rei do norte (Sl 83:5-8). Nabucodonosor desceu vindo do norte (Jr 1:13-15, 4:6-7, 6:1-9, 22, 10:22, 13:19-20, 25:9-11, 46:20) e assolou toda a terra (Jr 25:9-11). Ele destruiu a cidade de Jerusalém e o templo (Jr 52). Quando seus exércitos estavam destruindo Jerusalém, Zedequias, o iníquo rei dos judeus, fugiu (Jr 52:7-11), exatamente o que fará o falso messias, o rei voluntarioso, o anticristo (Zc 11:17; Jo 10:12-13). Após Nabucodonosor haver destruído Jerusalém, ele enganou alguns de seus próprios aliados cujos países estavam localizados ao redor de Israel e os saqueou69 (2 Rs 24:7; Ob 7; Jr 25:9). Os exércitos confederados sob o rei do norte irão fazer o mesmo.

Nabucodonosor continuou, então, a sua conquista em direção ao sul indo até o Egito e derrotando os seus exércitos (Jr 46:13-26). Tudo isso é um prenúncio impressionante do futuro profético quando o rei do norte passará impetuosamente pela terra de Israel até entrar no Egito (Dn 11:40-45). Isto corresponde ao ponto nº 2 do sumário.

Historicamente, após Nabucodonosor haver completado suas conquistas pela terra de Israel até o Egito, Deus julgou Babilônia. (Isso aconteceu aproximadamente 32 anos após a queda do Egito). O julgamento de Babilônia figurativamente fala do julgamento dos poderes ocidentais – o Império Romano restabelecido sob a liderança da besta. Deus levantou Ciro, rei da Pérsia, para executar o juízo sobre a Babilônia (Is 45). Ele é chamado de “ungido” do Senhor e é, obviamente, uma figura de Cristo. Isto também prenuncia os eventos vindouros, pois após o rei do norte haver passado pela terra em direção ao Egito, a confederação ocidental (a Babilônia política) virá do Ocidente e será julgada pessoalmente pelo Senhor quando vier do céu (Ap 16:17-21). Estes são os pontos nº 3 e nº 4 do sumário.

Após Ciro haver conquistado Babilônia (com a ajuda de Dario, o medo – Dn 5:30-31) ele liberou os judeus e deu ordens para reconstruir Jerusalém (Is 45:13; Ed 1:1-4). Trata-se de uma figura da libertação que o remanescente judeu receberá na Aparição de Cristo. Historicamente, Babilônia manteve os judeus em cativeiro e os terá outra vez em escravidão quando a besta e o anticristo assumirem o controle da terra de Israel na última metade da semana. Na queda do Império Romano restabelecido (os poderes ocidentais) juntamente com seus líderes – a besta e o anticristo – a terra e os judeus (o remanescente) que estiverem nela, serão libertados70.

É interessante notar que em Daniel 9, os 70 anos de cativeiro (vs. 1-2) estão conectados com as 70 semanas da profecia. Daniel orou pela libertação dos judeus após os 70 anos terem expirado, mas Deus revelou a ele que a completa e final libertação dos judeus não aconteceria até que se passassem 70 semanas de anos (490 anos). Aprendemos com isso que a libertação dos judeus da Babilônia no passado é uma pequena figura da libertação vindoura que o remanescente judeu piedoso terá da Babilônia (política) do livro de Apocalipse, e que acontecerá no final das 70 semanas de Daniel71 (Dn 9:24-27). A profecia de Jeremias acerca da histórica libertação dos judeus da Babilônia (Jr 50:4-8), vai além da aplicação imediata (como a maioria das profecias do Velho Testamento fazem) e vê a aplicação estendida que irá ser cumprida nos últimos dias de Israel. Ele inclui em suas profecias, a volta das dez tribos que não aconteceu naqueles dias, mas que acontecerá no futuro (Jr 50:17-20). Isto corresponde ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 no sumário.

Entender o cenário histórico das épocas em que viveram os profetas do período babilônico72 não somente nos dá uma antevisão dos eventos futuros como também nos fornece a chave para entendermos muitas de suas profecias, conforme demonstrarão os esboços que se seguem.

5) Jeremias 26-33

O capítulo 26 Jeremias prediz a destruição do templo e da cidade de Jerusalém pelos exércitos confederados (Jr 34:1; 2 Rs 24:2) sob Nabucodonosor (vs. 1-9). Como já vimos, ele e seus exércitos são, na profecia, uma figura do rei do norte e da confederação árabe. Jeremias (que é figura do piedoso remanescente judeu) consequentemente sofre perseguição do povo (que é uma figura dos judeus apóstatas no futuro) por causa de suas profecias impopulares. Ele é, entretanto, providencialmente preservado por Deus dos desígnios deles de matá-lo (vs. 8-16; Jr 36:26). Da mesma maneira a porção poupada do remanescente judeu sofrerá perseguição, mas será milagrosamente preservada por Deus (Ap 12:13-17).

No capítulo 27, Jeremias enviou mensagens às nações vizinhas de Israel para avisá-las que os exércitos invasores do norte, sob Nabucodonosor, não se deteriam em Judá e Jerusalém, mas iriam submeter suas terras sob seu jugo também.

No capítulo 28 Jeremias encontra ainda maior oposição daqueles que seguiam o ímpio rei Zedequias (que é uma figura do anticristo, o falso messias dos judeus). Os capítulos 26-28 fazem, portanto, referência na forma de figuras ao ponto nº 2 do sumário.

No capítulo 29 Jeremias envia uma mensagem aos judeus cativos em Babilônia. (Os babilônios tinham anteriormente vindo a Jerusalém e tinham levado alguns deles cativos). Ele anuncia que Babilônia (uma figura dos poderes ocidentais sob a besta) seria julgada e que eles (o remanescente) seriam libertados. Em sua exortação diz que devem se sujeitar aos caminhos de Deus, aceitando o cativeiro e aguardando até que se completem os 70 anos, quando então Babilônia seria julgada. O remanescente judeu, durante a grande tribulação, receberá um encorajamento similar e aguardará dia após dia pelo momento da destruição da besta e do anticristo, o que acontecerá no final da 70ª semana da profecia de Daniel (Dn 9:24-27; Ap 16:17-21, 19:19-20). Assim como os cativos de então tiveram de aguardar que se cumprissem os 70 anos, também o remanescente judeu esperará até que a 70ª semana de Daniel se complete. O capítulo 29, portanto, nos leva aos pontos nº 3 e nº 4 do sumário, a saber, a destruição dos poderes ocidentais sob a liderança da besta.

Os capítulos 30-33 contêm as promessas da restauração de Israel. No capítulo 30 o Senhor promete voltar a reunir as tribos dispersas de Israel e reconstruir a cidade de Jerusalém. No capítulo 31 nos é dado os dois meios pelos quais o Senhor restaurará Israel: “graça” (v. 2) e “amor” (v. 3). Note que não é pela lei porque a lei não restaurará ninguém, mas graça e amor restaurarão. O efeito dessas duas coisas trabalhando no coração das tribos dispersas é que eles são vistos retornando para sua terra em arrependimento (vs. 4-21) e habitando ali sob as condições do “concerto eterno” (vs. 22-40). No capítulo 32, o exercício de adquirir as oportunidades para possuir a terra é praticado por Jeremias com respeito ao campo de seu tio (vs. 1-35). Isto ilustra a garantia de Deus de que a terra de Israel será novamente habitada por seu povo, as tribos que retornam. “Comprar-se-ão campos” e habitarão neles (vs. 36-44). No capítulo 33, há a predição de a cidade de Jerusalém ser reconstruída e o Senhor tomando o Seu lugar entre o povo para bênção deles (v. 1-16). Os capítulos 30-33 bem claramente correspondem ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Essas séries de profecias por Jeremias terminam com o capítulo 33. Embora, nem todos os pontos do sumário sejam dados aqui, podemos ver nos existentes que a ordem de eventos na “indignação” está maravilhosamente consistente.

6) Jeremias 46-51

Os capítulos 34 a 45 nos dão detalhes concernentes à queda de Jerusalém e ao julgamento dos judeus por Nabucodonosor e os babilônicos. Como já vimos, isso prefigura a futura destruição de Jerusalém pelos exércitos confederados do rei do norte. Mas nos capítulos 46 a 51 Deus anunciou que se Ele iria julgar o Seu povo (os judeus), também julgaria as nações gentias. Os capítulos 46 a 51 enumeram dez nações gentias que seriam também julgadas: Egito, Filisteus, Moabe, Amom, Edom, Damasco (capital da Síria), Quedar, Hazor, Elão e Babilônia.

Embora esses julgamentos tenham se cumprido nos dias de Nabucodonosor, eles têm sido citados na Escritura como um prenúncio do que o rei do norte fará no dia vindouro quando a profecia for cumprida. A ordem dos julgamentos, como aparecem nestes capítulos, são prenúncios da ordem dos julgamentos que cairão no futuro. Um cuidadoso exame destas profecias irá mostrar que quando o Espírito de Deus as escreveu, tinha na realidade o fim dos tempos em vista. Algumas das coisas mencionadas não aconteceram na história e ainda esperam por seu cumprimento. Isto é verdade na maioria das profecias do Velho Testamento e nos faz entender que o Espírito tinha mais em mente que apenas a aplicação imediata a Nabucodonosor73.

O capítulo 46 é uma profecia da famosa batalha histórica que deu a Nabucodonosor a inquestionável supremacia do mundo civilizado. Isto deu início aos “tempos dos gentios” (Lc 21:24). O Egito e seus aliados subiram, pela terra de Israel, ao encontro de Nabucodonosor e seus exércitos que desciam vindos do norte. Nos versículos 3 ao 12 temos a convocação dos exércitos egípcios e a ordem para marcharem para a terra de Israel. Isto é um prenúncio do ponto nº 1 do sumário.

Nabucodonosor derrotou os exércitos de Faraó e prosseguiu em direção ao sul, pela terra de Israel, entrando no Egito e conquistando também aquela terra (vs. 13-26). E então, nos capítulos 47 a 49, encontramos os vários países vizinhos, localizados ao redor de Israel, caindo sob o juízo por ocasião da passagem do exército de Nabucodonosor. Nós os vemos se dispersando e fugindo em todas as direções a fim de escaparem dos exércitos de Nabucodonosor, quando estes passam saqueando e pilhando. Este é um prenúncio do ponto nº 2 do sumário.

Em seguida, nos capítulos 50 e 51, vemos o julgamento da cidade de Babilônia. Isto não está se referindo a Nabucodonosor e seus exércitos caldeus conquistando, mas é uma futura referência ao rei Belsazar lá na terra da Babilônia uns 70 anos mais tarde. Está muito distante no tempo e circunstâncias daquilo que Nabucodonosor fez na terra de Israel. O juízo da Babilônia (a cidade), como mostramos, é figura do julgamento dos poderes Ocidentais sob a liderança da besta e do anticristo. Ciro, rei da Pérsia, executou, na verdade, o julgamento (Is 44:28-47:15). (Dario, o medo, o ajudou – Dn 5:30-31). Ciro é uma figura de Cristo que aparecerá com os exércitos celestiais no fim da grande tribulação para destruir os exércitos ocidentais assim que chegam do Ocidente.

O capítulo 51:1-2 descreve “um vento destruidor” e “padejadores” peneirando a palha na Babilônia, o que é uma figura do julgamento discriminatório executado pelos anjos na “ceifa” da terra profética – quando “será levado um e deixado o outro” (Mt 13:39-43, 24:40-41). Após esse julgamento peneirador ter sido executado, as pessoas na Babilônia (o Ocidente) são vistas como sendo poucas. Estes capítulos então são prenúncios dos pontos nº 3 e nº 4 do sumário.

Após Ciro haver julgado Babilônia, ele deu liberdade aos judeus que estavam cativos ali, e um remanescente deles retornou para sua terra (Is 45:13; Ed 1:1-4). Isso é apresentado também em Jr 50:4-20. A profecia, de fato, vai mais além do retorno dos judeus e contempla também a volta das dez tribos. Isto corresponderia à restauração de Israel descrita no intervalo do sumário antes da vinda de Gogue (Rússia) no ponto nº 6 do sumário.

Embora as profecias de Jeremias não cheguem até o julgamento de Gogue (Rússia), elas cobrem os quatro primeiros pontos do sumário e a restauração de Israel. Podemos ver mais uma vez que a ordem desses eventos é a mesma.

7) Ezequiel 24-48

Ezequiel talvez seja um dos mais completos esboços proféticos, uma vez que cobre quase todos os pontos do sumário.

Os primeiros 23 capítulos contêm testemunhos de Deus contra os judeus em geral por causa do pecado e idolatria. Os capítulos 22 e 23 resumem a triste condição deles como corrupta diante de Deus; tanto os seus profetas como os sacerdotes, rei, príncipes e povo. Como consequência, no capítulo 24 Deus traria juízo sobre Judá e Jerusalém por intermédio dos exércitos de Nabucodonosor que desceriam provenientes do norte, e destruiriam a cidade e queimariam o templo.

Os capítulos 25 ao 28 nos dá um relato de como os seus exércitos se espalharam pelos países ao redor de Israel saqueando-os também. Amom, Moabe, Edom, Filisteus, Tiro e Sidom, todos partilharam do mesmo juízo à medida que Nabucodonosor invadia a terra de norte a sul.

Em seguida os capítulos 29 e 30 mostram que ele seguiu para o Egito e os destruiu, bem como aos seus aliados. Outra vez, essas batalhas foram historicamente cumpridas na época de Nabucodonosor, mas foram registradas nas Escrituras em virtude de seu significado profético. Vendo o ensino figurado por detrás dessas conquistas históricas de Nabucodonosor, nos dá a verdade profética ainda a ser cumprida num dia vindouro.

Os capítulos 24 a 30, portanto, são outra prefiguração das invasões militares do rei do norte citadas no ponto nº 2 do sumário.

O capítulo 31 mostra o julgamento dos assírios, se não de uma forma completa, pelo menos depois do seu primeiro ataque. Este seria o ponto nº 5 no sumário. Os assírios são outra figura do futuro invasor do norte em profecia.

O capítulo 32 é uma lamentação por todos os que caíram e cairão em batalha. Julgamento é a obra estranha a Deus (Is 28:21). Ele não tem prazer nisso, ao contrário, lamenta que deva ser feito.

Os capítulos 33 a 37 mostram a restauração de Israel e o seu restabelecimento na terra. Um remanescente de judeus em Israel atenderá aos avisos de Deus (33:1-20), e será poupado – Isso é ilustrado por aquele que escapa de Jerusalém quando ela é ferida (33:21-29). Os pastores de Israel (os falsos líderes do governo maligno do anticristo estabelecido na terra) serão removidos e substituídos pelo verdadeiro Pastor de Israel – Cristo (Ez 34). No capítulo 35, enquanto Israel está a ponto de ser restaurado, seu velho inimigo Edom é avisado do juízo vindouro. Capítulo 36 contém a promessa do Senhor de restaurar a terra de Israel após a sua assolação (vs. 1-20), e de restaurar o povo a ela (vs. 21-38). As dez tribos são, em seguida, vistas no capítulo 37, como sendo revivificadas, voltando à sua própria terra e se unindo com as duas tribos (judeus) sob o reinado de Cristo. Os capítulos 33 a 37, portanto, referem-se à restauração de Israel no intervalo entre a destruição do rei do norte e da Rússia (Gogue).

Os capítulos 38 e 39 apresentam o ataque de Gogue (Rússia) às recém-reunidas tribos de Israel. Este é o ponto nº 6 do sumário.

O capítulo 39:9-10 faz referência a Israel despojando seus inimigos. Este é o ponto nº 7 do sumário.

Os capítulos 40 a 48 apresentam o início do reino de Cristo sobre a Terra (Milênio), a construção do templo e a divisão da terra de Israel pelas doze tribos para habitarem nela.

O julgamento de Babilônia (figurativamente o julgamento dos poderes ocidentais) não é mencionado em Ezequiel. Sua ausência é notória. A razão óbvia é que Ezequiel estava cativo em Babilônia e não cabia a ele, que devia se sujeitar ao cativeiro (Jr 29), falar contra os poderes governamentais que estavam investidos de autoridade.

Sendo assim, Ezequiel permaneceu em silêncio quanto ao julgamento de Babilônia. Da mesma forma, Daniel, na Babilônia, também não se referiu ao seu julgamento (a não ser de forma velada) até a noite exata em que ela foi julgada (Dn 5).

8) Obadias

A profecia de Obadias foca exclusivamente no julgamento de Edom. A maioria dos pontos no sumário não é vista neste livro, pois não tem relação com o julgamento de Edom, com o qual Obadias se ocupa. Mas o pouco que é mencionado segue a ordem profética e nos mostra como e quando Edom será julgado. Este pequeno livro mostra que o juízo de Edom caiu em três fases74, terminando com o seu total aniquilamento da face da Terra.

Os versículos 1-14 cumpriram-se historicamente na época de Nabucodonosor. Ele reuniu uma grande coalizão de exércitos de várias nações das quais Edom estava envolvido (Jr 34:1; 2 Rs 24:2). Após haver passado pela terra de Israel e tomado Jerusalém (vs. 11-12), ele engana Edom e outro de seus confederados (v. 7), entrando em seus países e saqueando-os. Os primeiros nove versículos dão conta desta traição.

O versículo 1 é uma chamada pelas fileiras desta enorme confederação liderada por Nabucodonosor para que se voltem contra Edom, que está ao lado de Israel. O versículo 2 é o resultado – Edom é tornado pequeno em número. Os versículos 3-4 nos dizem o porquê: sua soberba. Os versículos 5-9 mostram quem executará o juízo: os seus próprios confederados. Os versículos 10-14 expõem a culpa de Edom. Eles ajudaram na destruição dos judeus e de Jerusalém, quando deveriam estar ajudando a Israel seu “irmão”.

Embora isso tenha acontecido no tempo de Nabucodonosor, tem importância profética e aponta para o tempo em que o rei do norte invadirá pela terra de Israel em sua jornada rumo ao Egito (Dn 11:40-43). A confederação árabe, sob o rei do norte praticará a mesma traição no futuro. Edom receberá o seu primeiro golpe naquela ocasião. Tudo isso ocorrerá ao mesmo tempo no ponto nº 2 do sumário.

A profecia de Obadias passa, então, por sobre alguns dos próximos pontos do sumário, já que eles não estão relacionados a Edom. Os versículos 15 e 16 falam do tempo em que Edom receberá o segundo golpe. Eles se referem ao tempo em que nações pagãs, que seguem a Rússia, se reunirão em Edom enquanto fazem preparativos para invadir a terra de Israel. À medida que as hordas russas avançam em direção à terra, o Senhor bramará de Sião (Ele terá então voltado e estará em Sião naquela ocasião) pisando o lagar da Sua ira (a vindima) sobre eles. Ele sairá até a terra de Edom (Is 34:1-8, 63:1-6). O julgamento do Senhor sobre as nações pagãs então reunidas será tão terrível que a terra de Edom será devastada. Muitos em Edom cairão nesse tempo. Isso acontece no ponto nº 6 do sumário.

Após o Senhor haver pisado o lagar da Sua ira em Edom, Ele liderará os exércitos do Israel recém-reunido em uma poderosa conquista (Is 11:14; Jr 51:20-23; Mq 4:13, 5:5-8; Sl 108:7, 118:1-12). Será dada, naquela ocasião, oportunidade a Israel de extinguir qualquer edomita remanescente até que o último deles seja eliminado da Terra (vs. 17-21). Esse será o seu terceiro e final golpe que ocorrerá quando o ponto nº 7 no sumário for cumprido.

9) Sofonias 1-3

No capítulo 1 Sofonias anuncia a assolação da terra de Israel e do povo que se entregou à idolatria (vs. 1-9). Novamente o instrumento de destruição são os exércitos de Nabucodonosor que viriam do norte. Sofonias descreve graficamente a entrada daqueles exércitos em Jerusalém primeiro pelo “portão do peixe”, então pela “segunda parte” da cidade (Maktesh) (vs. 10-12), até que finalmente cada esquina da cidade será esquadrinhada (v. 12). Os bens da cidade serão levados como despojo uma vez que “toda esta terra será consumida” (vs. 13-18).

No capítulo 2, o povo é chamado ao arrependimento e encorajado a buscar o Senhor para que possam ser salvos naquele dia (vs. 1-3). Sofonias continua a contar da destruição que viria sobre várias nações vizinhas naquele tempo por meio do mesmo destruidor do norte (vs. 4-11). Então ele fala dos etíopes (aliados do Egito) sendo derrotados à medida que exércitos do norte continuam em direção ao sul entrando em seus países (v. 12).

Outra vez sentimos a necessidade de mencionar que embora isso tenha acontecido nos dias de Nabucodonosor, está registrado na Escritura em razão do seu significado como uma figura, pois é o que o rei do norte fará num tempo vindouro quando a profecia for cumprida. Uma cuidadosa olhada nestas profecias de Sofonias mostra que quando o Espírito de Deus escreveu estas coisas, Ele, na realidade, tinha o fim dos tempos em vista. Algumas das coisas mencionadas não aconteceram na história e ainda aguardam por cumprimento. Isto é verdade na maioria das profecias do Velho Testamento e nos faz entender que o Espírito tinha mais em mente do que a imediata aplicação a Nabucodonosor. Os capítulos 1 ao 2:12 então correspondem ao ponto nº 2 do sumário.

Sofonias então omite a destruição dos poderes ocidentais – Babilônia (não sendo ela o objeto de sua profecia) e segue adiante para falar do juízo dos assírios (vs. 13-15). Embora não querendo ser dogmático sobre isto, parece ser uma referência ao rei do norte (o primeiro ataque dos assírios na profecia) vindo sob julgamento pelas mãos do Senhor. (As invasões dos assírios nas terras de Israel numa data historicamente antecedente a Nabucodonosor, são também uma figura profética do rei do norte). Se assim for, isso corresponde o ponto nº 5 do sumário.

No capítulo 3 a cidade de Jerusalém é descrita como corrompida e necessitando de limpeza (vs. 1-4). Isto o Senhor fará ao tomar o Seu lugar de direito na cidade (vs. 5-7). Isto acontecerá no tempo que Ele restaura Israel. Antes que as bênçãos do reino de Cristo sejam descritas pelo profeta na parte final do capítulo, é mencionada uma reunião final de nações para batalha (v. 8). Esse grupo de nações só poderia ser aqueles sob Gogue, porque é a única confederação de nações que se ajunta para a batalha, mencionada na Escritura, depois que o Senhor restaurou Israel e é encontrado habitando em Jerusalém. Isto corresponde ao ponto nº 6 do sumário.

Após essas nações terem sido destruídas pelo Senhor, as bênçãos milenares do reino são descritas. O Senhor, o Rei de Israel, é visto no meio do Seu povo terrenal, Israel (vs. 9-17). Todos os israelitas remanescentes das dez tribos que não tiverem sido trazidos de volta à terra antes, serão então reunidos nesse tempo (vs. 18-20).

10) 2 Crônicas 28-32

A história das invasões assírias na época de Acaz e Ezequias dão-nos outra mostra figurada dos eventos futuros.

Acaz reinou como rei em Jerusalém numa época da história de Israel em que eles se encontravam num estado de bastante fraqueza (2 Rs 16:1-4). Acaz é uma figura do anticristo, o rei voluntarioso (Dn 11:36-39) que reinará sobre os judeus apóstatas durante a grande tribulação. Acaz foi culpado de haver removido o altar de Jeová e estabelecido um deus estranho em seu lugar75 (2 Rs 16:10-18). Sua atitude, ao remover o altar de Jeová e seus vasos (2 Cr 28:24, 29:19), é uma figura daquilo que a besta e o anticristo farão na metade da 70ª semana de Daniel, fazendo com que os sacrifícios e a adoração judaicos cessem (Dn 9:27; 12:11). O estabelecimento de um altar estranho no templo é uma figura da ascensão da “abominação desoladora” – a idólatra imagem da besta (Dn 12:11; Mt 24:15; Ap 13:14-15).

Por volta dessa época, os assírios iniciam suas invasões vindos do norte para a terra de Israel. Tendo já conquistado o reino da Síria (2 Rs 16:9) e algumas cidades da região norte de Israel (2 Rs 15:27-29), os assírios estavam ameaçando tomar o resto da terra de Israel. O rei de Israel, ao invés de se voltar para o Senhor em busca de ajuda, chamou ao rei do Egito, que veio para a terra com seus exércitos (2 Rs 17:1-4; Is 7:18-19). Profeticamente isto corresponderia ao ponto nº 1 do sumário.

Isso inflama a ira do rei da Assíria que desce do norte conquistando “toda a terra” (2 Rs 17:5-6). Deus permitiu que Israel fosse julgado naquela ocasião em virtude de seu pecado de idolatria (2 Rs 17:7-23). Havendo conquistado a terra de Israel, os assírios prosseguem e tomam Asdode, a cidade principal dos filisteus (Is 20:1), e então continuam em sua conquista até o Egito, derrotando os egípcios e seus confederados (Is 20:4-6). Isto corresponde ao ponto nº 2 do sumário.

Então o iníquo rei Acaz (uma figura do anticristo) morreu e foi substituído em seu trono pelo bom rei Ezequias, o qual é uma figura de Cristo76 (2 Cr 29:1-2). O surgimento de Ezequias nessa ocasião prefigura a vinda de Cristo (a Aparição), em cuja ocasião o anticristo será removido em juízo (Ap 11-15, 19:11-20; 2 Ts 2:8). Isso acontecerá no ponto nº 4 do sumário.

Quando Ezequias foi entronizado em Jerusalém, ele reuniu Judá (os judeus) para que oferecessem um sacrifício pelo pecado (2 Cr 29:21-24), o que era, na prática, um reconhecimento de que haviam pecado (Compare Zc 12:10-14; Sl 51). Em seguida eles ofereceram ofertas queimadas e ofertas de ações de graças (2 Cr 29:27-36). Ezequias buscou então reunir todo o Israel sob Jeová. Ele enviou mensageiros para chamar todas as tribos de Israel para que viessem a ele em Jerusalém celebrar a páscoa. Pessoas de diversas tribos de Israel se humilharam e vieram participar da celebração (2 Cr 30). A expiação foi feita por todo o Israel. Então eles limparam a terra da idolatria e estabeleceram uma ordem verdadeiramente piedosa sob o comando de Ezequias (2 Cr 31). Isto figurativamente fala do intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário, quando os judeus (as duas tribos) e as dez tribos de Israel serão restauradas ao Senhor.

Após ter sido estabelecida uma ordem piedosa na terra sob Ezequias, os assírios desceram mais uma vez provenientes do norte, sob a liderança de Senaqueribe, para derrotar o reino de Ezequias. Assim que o exército de Senaqueribe chegou próximo a Jerusalém, o anjo do Senhor saiu e os massacrou (2 Cr 32:21; 2 Rs 19:35). Senaqueribe e os assírios77 são uma figura bem conhecida na profecia, da invasão final comandada por Gogue (Rússia) que será derrotada pelo Senhor. Este é o ponto nº 6 do sumário.

Após os exércitos de Senaqueribe terem sido vencidos, Deus exaltou Ezequias aos olhos de todas as nações sobre a Terra, de forma que muitos trouxeram presentes a ele (2 Cr 32:22-23). Da mesma maneira, após cessarem as guerras, a glória de Cristo se espalhará por todo o mundo durante o Milênio (Is 66:19; Hc 2:14; Ml 1:11; Sl 68:29, 72:10, 19).

11) Isaías 7–9:7

Este é apenas um dos muitos esboços no livro de Isaías que confirmam a ordem das batalhas apresentada do sumário.

As circunstâncias em que Isaías foi chamado a profetizar eram numa época de fraca condição espiritual de Israel, nos dias do rei Acaz. Como já mostramos, o ímpio rei Acaz é uma representação do anticristo, o falso messias e o rei voluntarioso dos judeus no futuro. Ele abandonou ao Senhor e deu lugar a um deus estranho (um altar idólatra) no templo (2 Rs 16:10-18; 2 Cr 29:19). Isto é uma prefiguração do anticristo instituindo uma imagem idólatra da besta no templo (Dn 9:27, 12:11; Mt 24:15; Ap 13:14-15).

Notícias chegaram ao rei Acaz de que dois de seus inimigos, que antes agiam de forma independente, haviam unido forças com um plano para derrotar a casa de Davi – a linhagem real em Jerusalém (Is 7:1-2). Ainda que esses inimigos tenham causado grande dano ao reino de Acaz, não tiveram sucesso em vencer o rei Acaz nessa ocasião (2 Cr 28:6, Is 7:1). Além disso, inimigos de outras nações vizinhas estavam pressionando contra Acaz (2 Cr 28:17-18). Deus permitiu isso, porque o rei e o povo haviam abandonado ao Senhor (2 Cr 28:6). Estes acontecimentos ilustram as pressões que cairão sobre os judeus quando estiverem novamente na terra de Israel na tribulação. Haverá “guerras e rumores de guerras”; “se levantará nação contra nação e reino contra reino” (Mt 24:6-7, compare também Sl 83:1-4).

Isaías foi enviado com seu filho Sear-Jasube a Acaz com uma mensagem de Deus. Ele é uma figura do remanescente judeu que testificará para a nação apóstata na tribulação. A mensagem de Isaías para o rei foi para que ele se valesse da proteção do Senhor. Ele lhe disse que não temesse, mas se voltasse para o Senhor e descansasse n’Ele. Também disse que os desígnios de seus inimigos (“tições fumegantes”) não prevaleceriam, nem tampouco aconteceriam; porque o Senhor esmagaria esses inimigos se Acaz tão somente se voltasse ao Senhor e cresse (Is 7:2-9).

O Senhor também encorajou Acaz para que Lhe pedisse um sinal, se não tivesse fé para crer em Sua Palavra anunciada pelo profeta Isaías, dessa forma o Senhor iria provar-Se a Acaz. Entretanto, Acaz recusou-se a pedir um sinal, afirmando que não desejava tentar ao Senhor nem Lhe aborrecer (Is 7:10-13). A falta de fé do rei Acaz é figura da impiedade e apostasia que caracterizarão o anticristo. Ele não terá respeito “ao Deus de seus pais” (Dn 11:37; Sl 10:4). Por Acaz não confiar no Senhor, nem pedir por um sinal, o próprio Senhor dará um sinal mesmo assim. Emanuel será dado ao povo, nascido de uma virgem (Is 7:14). Isto se cumpriu no nascimento de Cristo (Mt 1:21-23).

Antes de Sear-Jasube (filho de Isaías) chegar à idade de ser considerado responsável (discernindo o bem e o mal), a terra de Israel seria assolada. O Senhor traria sobre a terra o rei da Assíria. Isso de fato aconteceu quando Acaz, após recusar se beneficiar da ajuda do Senhor, contratou os exércitos assírios para ajudá-lo (2 Rs 16:7-9). Mas o que ele não percebeu foi que os assírios também tinham seus interesses na terra de Israel. Eles estavam completamente dispostos a vir e destruir os inimigos de Acaz, mas não parariam aí. Tomariam o reino de Acaz também! Assim, ao chamar os assírios, Acaz estava, na verdade, trazendo o juízo governamental de Deus sobre si mesmo e sobre o povo na terra (Is 7:15-16).

O capítulo continua para mostrar que o Senhor poderia estar por trás da invasão. Ele estava trazendo esses exércitos invasores para Israel, pois Seu povo O havia abandonado e precisava ser humilhado e trazido ao arrependimento. Ele “assobiaria” não só para que viessem os assírios, mas também os egípcios. A “mosca que há no extremo dos rios do Egito” simboliza os exércitos do rei do Egito. As “abelhas que andam na terra da Assíria” representam os exércitos da Assíria. Mas observe a ordem. Primeiro assobia-se para a mosca, e então para a abelha! (Is 7:17-18) Esta é precisamente a ordem dos pontos nº 1 e nº 2 do sumário. Ainda que estas coisas se tenham cumprido apenas em parte na história, existem detalhes mencionados na última parte do capítulo que ainda não aconteceram. Isto demonstra que existe uma aplicação futura para estas profecias que ainda aguarda seu cumprimento.

O estrago causado na invasão assíria é comparado ao de um barbeiro. Eles “rapariam” a terra de tudo o que nela havia. As pessoas e a vegetação seriam cortadas. Depois daquela devastação cresceriam ali apenas “sarças e espinheiros” (Is 7:19-20, 23-25).

Em meio aos anúncios solenes do juízo vindouro, Isaías fala também da misericórdia que Deus teria para com um remanescente do Seu povo, após a terrível invasão ter produzido neles os efeitos desejados. Na Sua ira Ele Se lembra da misericórdia (Hc 3:2). Existe um futuro brilhante que aguarda o remanescente de Israel. As profecias de Isaías apontam para o dia do Milênio, quando a terra de Israel será abençoada por Deus, produzindo uma agricultura com surpreendentes resultados (Is 7:21-22).

O capítulo 8 fornece mais detalhes da invasão assíria. Para advertir o povo acerca da certeza e proximidade do juízo vindouro, é dito a Isaías que dê a seu próximo filho o nome de Maer-Salal-Hás-Baz, que quer dizer, “apressando-se ao despojo” (v. 1). Isso era para ilustrar o que os Assírios fariam em breve. Isaías profetiza que antes que a criança pudesse aprender as palavras mais simples, os assírios já teriam tomado o reino da Síria e o reino ao norte de Israel (Is 8:1-4).

Isaías novamente menciona o motivo de ser enviado o juízo. O povo recusou a proteção do Senhor – “as águas de Siloé” (paz), então Ele daria a eles “águas do rio” Eufrates – um símbolo dos exércitos da Assíria. Essa invasão foi comparada a um barbeiro no capítulo 7, mas agora se assemelha a uma impetuosa enchente de águas subindo do rio Eufrates e inundando a terra de Israel. Compare Is 17:12-13, 28:15, 18; Dn 11:40. As “asas” ou bandas do enorme exército assírio encheriam toda a largura da terra. Essa invasão semelhante a um dilúvio chegaria “até ao pescoço”, quase afogando a população. Apenas um remanescente do povo sobreviveria à devastação (Is 8:5-8).

Isaías avisa às nações que se associaram à confederação dos assírios que serão “feitas em pedaços”. Aqui é descrita a fé do remanescente judeu piedoso. Sua fé é tanta que mesmo com a terra sendo devastada, eles estão convictos de que Deus julgará este inimigo. Não falam sobre os detalhes de quando e como, apenas que o julgamento cairá sobre eles. Sua fé os faz dizer sem hesitar, “porque Deus é conosco”. Isto é o que quer dizer “Emanuel” (Mt 1:23). Mesmo que Emanuel não tenha Se manifestado ainda (Is 8:17), sua fé e esperanças estão firmemente estabelecidas n’Ele (Is 8:9-10; Sl 80:17).

Ao remanescente fiel (representado na pessoa do profeta Isaías) é dito pelo Senhor que não tome parte em nada relacionado à conspiração, antes, que santifique “ao Senhor dos Exércitos” em seu coração e que só n’Ele repouse (Is 8:11-14; Sl 20:7). Muitos dos judeus (apóstatas) tropeçarão e serão enganados pelo anticristo, mas o remanescente judeu piedoso é encorajado a fortalecer o testemunho entre aqueles que são fiéis e a esperar pelo Senhor (Is 8:15-18).

Quando o anticristo e seus partidários corruptos lançarem seus enganos idólatras, o remanescente também será aconselhado (provavelmente pela voz dos profetas entre eles – os masquilim) a não receber nada disso; mas antes a testar todas as coisas pela “Lei e o Testemunho” – a Santa Palavra de Deus (Is 8:19-20).

Os últimos versos do capítulo nos apresentam o terrível fim daqueles judeus apóstatas que receberam o anticristo e confiaram nele. Quando os assírios (o rei do norte) começarem a assolar a terra, o anticristo os abandonará, deixando-os em angustia! (Zc 11:17; Is 22:19; Jo 10:13) Esses pobres judeus apóstatas que pensaram que seu (falso) messias e “rei” poderia milagrosamente libertá-los de todos os seus problemas, descobrirão que foram enganados por um “pastor inútil” (Zc 11:17). Em desespero amaldiçoarão “ao seu rei e ao seu Deus” (Is 8:21). Em meio a uma névoa de escuridão espiritual, olharão confusos para os céus e para Terra, mas não encontrarão auxílio. Dois terços dos judeus na terra de Israel serão massacrados naquele tempo quando da invasão dos exércitos assírios (Zc 13:8). Que triste fim! (Is 8:21-22)

Os capítulos 7:17 até 8:22 nos fornecem detalhes a respeito da invasão descritas no ponto nº 2 do sumário.

Enquanto os judeus apóstatas estarão chegando ao seu final, envolvidos nas trevas espirituais que o anticristo trará sobre eles (Is 8:22), o remanescente piedoso dos judeus será libertado. “Mas para a que estava aflita não continuará a obscuridade” (Is 9:1 – TB). O remanescente piedoso, que esteve “angustiado” durante a terrível perseguição trazida pela besta e o anticristo, receberá libertação. Logo após “o dilúvio do açoite” (Is 28:15, 18) (o primeiro ataque dos assírios – Is 7:17, 25, 8:7-8) passar varrendo tudo até a terra do Egito, o remanescente piedoso, que teve que passar por aquele tempo de trevas espirituais na grande tribulação, verá “uma grande luz”. Isso se refere ao resplendor da Aparição de Cristo (2 Ts 2:8). Nessa ocasião o Senhor aparecerá repentinamente, não em Jerusalém, mas ao norte da terra de Israel. Exatamente como nos dias do ministério terrenal do Senhor, será a Galileia, não Jerusalém, que terá a honra de ter Sua presença primeiro. “Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios” (Is 9:1). O Senhor permitirá que a parte norte da terra (na verdade toda a terra) seja “envilecida” pelos assírios (o primeiro ataque) que invadirão e arrasarão a terra (Is 7:17, 25, 8:7-8). Mas, depois, o norte da terra será honrado primeiro por Sua gloriosa presença quando Ele vier (Sua Aparição). Esta é a mesma área de Megido – Armagedom. Armagedom tem uma referência especial ao julgamento do Senhor dos poderes ocidentais sob a besta (Ap 16:15-21, 19:19-20; Is 9:1-2). Essa “luz” ao norte da terra de Israel faz alusão a esse julgamento, ainda que não o mencione especificamente. Isto acontecerá na época do ponto nº 4 do sumário.

Alguns dos efeitos do retorno do Senhor são apresentados nos versículos seguintes. Ele não só libertará o remanescente judeu, como multiplicará a nação de Israel e aumentará o gozo dela. “Tu multiplicaste este povo, a alegria lhe aumentaste” (Is 9:3). Isto faz referência ao Senhor reunindo e restaurando a Israel. Isto corresponde ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Então os versículos subsequentes falam novamente de guerra! Eles falam também do Senhor ferindo o “opressor”. Esta parece ser uma referência à Assíria em sua forma final sob Gogue. O Senhor não só restaurará Israel (Is 9:2-3), mas também removerá “o jugo” e a “vara” de seu opressor para sempre. O modo como o Senhor fará isso será “como no dia dos midianitas”, que é uma expressão frequentemente usada e que se refere ao Seu juízo para com Seus inimigos (Is 9:4-5, 10:26-27; Sl 83:9). Estas coisas correspondem ao ponto nº 6 do sumário.

Em seguida a esse julgamento, Cristo é visto tomando Seu lugar legítimo na Terra, como Rei sobre todas as coisas (Zc 14:9). Ele estabelecerá Seu reino milenar e “o governo estará sobre o Seu ombro” – JND. Ele trará paz e justiça sobre a Terra naquele dia (Is 9:6-7).

12) Isaías 9:8-12:6

Devemos ter em mente que as divisões dos capítulos e versículos de nossas Bíblias, não são divinamente inspiradas como o são as Escrituras. Homens as colocaram nos textos para facilitar as referências e elas de fato servem de ajuda. Mas infelizmente, neste caso, foram mal colocadas. O capítulo 9 estaria melhor se iniciado no versículo 8, pois os 7 primeiros versículos pertencem ao assunto dos capítulos 7 e 8.

Então esta profecia começa no versículo 8, com Isaías anunciando o descontentamento de Deus com Seu povo tão falho. Ainda que Isaías estivesse pregando essas coisas para o povo de seus dias, tudo isso tem aplicação quanto à condição moral dos judeus na terra de Israel em seus últimos dias, sob o anticristo (o rei voluntarioso – Dn 11:36-37). A triste condição do povo e sua injustiça fazem com que Jeová coloque Sua mão contra eles na forma de vários castigos. Isaías suplicava ao povo naquele dia, advertindo-os de que se não se convertessem de seus caminhos, o Senhor traria seus inimigos sobre eles, como uma punição ainda mais severa do que nunca. Da mesma forma, na grande tribulação, o piedoso remanescente de judeus pregará e suplicará a seus irmãos (apóstatas) que se convertam de suas iniquidades. Eles irão adverti-los acerca do juízo vindouro. Descrevendo a longânime misericórdia do Senhor, Isaías diz, “ainda está estendida a Sua mão”, quatro vezes (Is 9:8-10:4). Compare com Jó 33:14; Pv 1:24-27.

Havendo desprezado a mão do Senhor estendida para punir e a Sua voz pela profecias de Isaías, o profeta descreve o julgamento que viria sobre eles, uma vez que haviam se recusado a arrepender-se. O Senhor usaria a Assíria como Sua “vara”. Ele enviaria o exército assírio contra o povo, como Seu instrumento de destruição, por sua hipocrisia e iniquidade. Esse exército poria o povo, de maneira sem misericórdia, para ser “pisado aos pés, como a lama das ruas” (Is 10:5-6). Outras nações vizinhas à nação de Israel também cairiam como presas durante as invasões assírias (Is 10:7). Essa terrível invasão aconteceu na história de Israel sob Senaqueribe, mas ela será cumprida num grau muito maior num dia futuro, quando os assírios (o rei do norte e sua confederação árabe) entrarem na terra de Israel e a assolarem.

O profeta descreve a seguir, de uma maneira poética, as arrogantes deliberações do coração dos assírios. As conquistas assírias são repetidas na ordem em que aconteceram. Carquêmis, Hamate, Damasco, Samaria e finalmente, Jerusalém são mencionadas como o itinerário assírio. O Espírito de Deus tem a intenção de nos informar que as invasões assírias aconteceram do norte para o sul. Tudo isso prefigura de maneira acurada o dia futuro da invasão da terra de Israel pelo rei do norte e sua confederação árabe (Is 10:8-11).

Após o Senhor haver usado os assírios para cumprir a obra de julgar Seu povo apóstata (os judeus incrédulos que retornaram a terra na primeira parte da tribulação), Ele julgará então a Assíria, por causa de seu orgulho. Atribuindo a si mesmos as conquistas vitoriosas na terra de Israel, os exércitos assírios se vangloriaram dos “tesouros” que haviam reunido do despojo dos judeus. Essas riquezas estão sendo acumuladas para si pelos judeus pelo seu sucesso comercial, enquanto dispersos, e que terão sido trazidas de volta à sua terra (Is 2:7, 17:14; Sl 73:7-12). Os assírios gabam-se da facilidade com que juntaram para si tudo isso, e comparam a situação com ajuntar ovos de ninhos abandonados (Is 10:12-14).

Assim, em Isaías 10:5-14 há referência ao primeiro ataque dos assírios na profecia (o rei do norte), ainda que grande parte disso tenha se cumprido de imediato na história dos assírios. Isto, de maneira profética, corresponde ao ponto nº 2 do sumário.

O Senhor responde à soberba dos assírios, questionando quem é maior: o instrumento que causa destruição, ou O que opera o instrumento? Ele fala, de maneira figurada a respeito dos assírios, como sendo iguais a quatro tipos de instrumento em Suas mãos (um machado, uma serra, um bordão e uma vara). Nenhum destes têm poder sobre si mesmos e nada poderiam fazer a menos que alguém os movesse (Is 10:15).

O profeta prossegue para narrar como os assírios seriam julgados. O próprio Senhor, “a Luz de Israel”, interviria pessoalmente sobre os desígnios da Assíria como uma “labareda” de fogo (um símbolo de juízo), para consumi-los (Is 15:17). A repentina destruição dos exércitos da Assíria é comparada a um enorme incêndio na floresta que se espalha rapidamente e consome milhares de árvores. Árvores, na Escritura, são frequentemente comparadas a homens (Am 2:9; Mc 8:24; Lc 3:9, 6:43-45; Sl 1:3, 92:12-14; Is 2:11-14, 65:22; Dn 4:20-22). Portanto, uma floresta é a representação de uma grande multidão, ou um exército de homens. Os “gordos” (árvores frondosas) são uma referência aos guerreiros assírios mais robustos. Eles também cairiam “como quando um doente vai definhando” (Is 10:16-19 – TB).

Esse juízo do Senhor sobre a Assíria acontecerá, na profecia, logo após a Aparição do Senhor em Sua segunda vinda. Aprendemos em outros trechos que o Senhor primeiro julgará os poderes ocidentais – a besta. Isaías não fala a respeito da destruição dos poderes ocidentais por não ser este o assunto aqui. Os assírios (o rei do norte) terão prosseguido pelo Egito, continuando sua conquista lá. Estando no Egito, ouvirá as notícias de que o Senhor apareceu na terra de Israel e então voltará àquela terra para ser julgado pessoalmente pelo Senhor (Dn 8:25, 11:42-45). Entretanto, os detalhes acerca da bravura dos assírios no Egito também não são tratados aqui, pois o assunto dessa profecia de Isaías são os castigos do Senhor para com Seu próprio povo (os judeus) que se havia afastado d’Ele. O julgamento da Assíria é simplesmente comentado, sem uma referência de como ele aconteceria. Isaías simplesmente indica que isso será após os assírios terem cumprido a obra do Senhor assolando a terra de Israel. Este seria o ponto nº 5 do sumário.

Após julgar a Assíria, o Senhor irá encarregar-Se de restaurar Seu povo. O remanescente fiel dentre os judeus, que fugiram para as montanhas em busca de segurança da perseguição causada pelo anticristo (Mt 24:15-22), será libertado nesse momento. Mas, mais do que isso, o Senhor executará a restauração do “remanescente de Israel” (as dez tribos). Ele os fará retornar a sua terra nessa ocasião, enviando Seus anjos para reunir Seus eleitos desde os quatro ventos (Mt 24:31). Vemos em outras passagens que uma multidão virá misturada com eles, e aqueles que não forem verdadeiros em seu coração serão peneirados nas fronteiras da terra (Ez 11:9-10, 20:35-38; Am 9:9-10; Sf 3:11-12). Não apenas retornarão de todas as partes do mundo à terra de Israel, mas retornarão ao “Deus Poderoso” (Is 10.21 – TB). Isso significa que sua restauração não será um fato meramente exterior ao retornarem à sua terra, mas haverá também uma obra interior de arrependimento no coração e consciência deles, por meio da qual serão restaurados ao Senhor. A partir daí eles “se estribarão (confiarão ou crerão) sobre o Senhor, o Santo de Israel, em verdade” (Is 10:20-21). Este é o intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

O Senhor então conforta Seu povo em vista de tudo o que irá acontecer. Ele diz a eles que ainda que uma “consumação” esteja determinada sobre a terra como um justo juízo de Deus, um remanescente sobreviverá e será restaurado ao Senhor (Is 10:22-23 – TB). (A “consumação” é um termo técnico para o juízo executado pelos assírios enquanto passam varrendo terra de Israel em direção ao Egito – Is 28:11)

Depois de um remanescente de todas as doze tribos de Israel ser restaurado ao Senhor, e estar habitando em sua terra sob Sua proteção (Is 27:2-5, 32:17-18; Ez 38:11), eles ficarão aterrorizados diante das notícias da aproximação de um segundo ataque dos assírios. A confederação de nações que irá compor a Assíria nesta formação final é feita por Gogue e seus aliados (Ez 38:1-7, 17). O Senhor conforta Seu povo restaurado, prometendo a eles que ainda que os assírios tenham afligido a nação com um “bordão” (uma referência ao primeiro ataque – Is 10:5-6), e agora estejam novamente levantando Sua “vara” contra eles; dessa vez não terão sucesso (Na 1:9-13; Sl 46:4-7; Zc 9:8). O Senhor garante que “a indignação” cessaria, quando Ele mesmo julgasse a Assíria completamente e para sempre. “Ele mesmo vos consumirá de todo” (Na 1:9). Ele relembra a Seu povo o que Ele fizera há muito tempo no massacre dos Midianitas e na destruição do Faraó e seus exércitos (Jz 7; Êx 14). Em cada caso o Senhor tratou em juízo com seus inimigos e a eles foi dito apenas “estai quietos e vede o livramento do Senhor” (Êx 14:13; Jz 7:21). O Senhor promete que novamente esse seria o caso. O “jugo” da Assíria seria tirado de seu pescoço e despedaçado por causa do “ungido”, que é uma referência ao Senhor, agora reinando no meio de Seu povo restaurado (Is 10:24-27).

O profeta então descreve o avanço dos assírios (o segundo ataque). Isso já se cumpriu no tempo de Senaqueribe, mas é dado pelo Espírito como uma antevisão do ataque final da Assíria sob o comando de Gogue. Isaías descreve vividamente os exércitos da Assíria se aproximando de Jerusalém, passando de cidade a cidade, numa linguagem que intenciona aumentar o suspense. “Aiate” (Ai) encontra-se a 16 km ao norte de Jerusalém, “Migrom” está a 15 km ao norte, “Micmas” a 14 km, “o desfiladeiro” (o ribeiro de Querite – ARA) está a 11 km ao norte, “Geba” a 9,5 km ao norte, “Ramá” a 8 km, “Gibeá” a 5,5 km, “Galim” e “Anatote” estão a 4,5 km ao norte, “Madmena” e “Gebim” estão a 3 km, e “Nobe” está a 1,5 km ao norte de Jerusalém. Quando a Assíria estiver perto de levantar sua mão contra “a filha de Sião, o outeiro de Jerusalém” para tomá-la, o Senhor, que estará habitando ali nessa ocasião (Sl 46:5; Zc 9:8), bramará de Sua amada cidade e destruirá os assírios (Jl 3:16).

A destruição final dos assírios é representada na figura de uma floresta sendo devastada (Is 10:33-34). Isto fará cessar a “indignação”. Se os assírios chegarão realmente tão próximos a Jerusalém não é alvo de detalhada descrição de Isaías. Ele simplesmente indica que haverá outro ataque, ainda mais aterrador, da Assíria contra Israel, após haverem sido restaurados ao Senhor, mas que não será bem-sucedido (Ez 38:15-17). Isto corresponde ao ponto nº 6 do sumário.

Após os assírios haverem sido julgados pelo Senhor, o Espírito de Deus muda o foco da nossa atenção para o capítulo 11, para as bênçãos que o Senhor trará sobre a Terra quando Ele houver derrotado todos os poderes adversários. Embora o julgamento no capítulo anterior pudesse dar indícios de seu cumprimento parcial nos dias de Ezequias (2 Rs 19:32-35), não existe nenhum rei que se tenha levantado na história de Israel, que se aproxime da predição que nos é dada no capítulo 11. Isso mostra que o Espírito tinha mais do que Senaqueribe em mente quando falava das invasões dos assírios.

O capítulo 11 refere-se somente ao reinado do Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Rei de Israel (Jo 1:49). A figura de uma árvore é novamente utilizada, mas aqui com Cristo em claro contraste com as imponentes árvores da Assíria. Ele é o “Renovo” (o Nazareno) que crescerá das raízes (linhagem familiar) de Jessé, e que será frutífero, trazendo bênçãos à Israel e à Terra. Ele é o maior Filho do grande Davi – o Senhor Jesus Cristo (Ap 5:5, 22:16). Várias qualidades do Senhor Jesus são enumeradas mostrando que Ele é completamente competente para reinar como o Rei de Deus (Is 11:1-5). Toda glória terrenal estará centrada n’Ele e Ele julgará o mundo em justiça por 1.000 anos (Sl 9:8, 96:13, 98:9; At 17:31).

Não apenas a justiça reinará no reino de Cristo (Is 32:1), mas Ele também trará libertação do “cativeiro da corrupção” (Rm 8:21 – ARA) sob o qual a criação agora geme e sente as dores de parto, e que são resultado da entrada do pecado (Rm 5:12, 8:22). O “lobo” habitando com o “cordeiro” e o “leopardo” repousando com a “criança” indicam que os instintos selvagens e assassinos dos animais serão alterados (Is 11:6, 65:25). O “leão” comendo palha como o “boi” mostra que a dieta dos animais carnívoros também sofrerá alteração. Enfermidades e doenças também serão tiradas (Is 33:24; Sl 103:3). O coxo, o cego, o surdo e o mudo serão curados (Is 35:5-6; Sl 146:8). Além do mais, paz e segurança encherão a Terra. Naquele dia toda a Terra estará cheia do “conhecimento do Senhor” (Is 11:6-9).

Os versículos seguintes mostram como a Terra se encherá do conhecimento do Senhor. No Cristianismo, a maneira de Deus de difundir o conhecimento de Cristo e Sua obra consumada na cruz, é por seus servos indo por todo o mundo pregando o evangelho (Mc 16:15; Lc 24:47). No dia do reino milenar de Cristo, o mundo aprenderá do conhecimento do Senhor subindo à Jerusalém (Is 2:2-3), pois Seu reino não será exclusivamente para Israel; os gentios também terão parte nele (Is 56:7, 60:1-4). Israel, como “os sacerdotes do Senhor”, ensinarão a Terra acerca dos caminhos do Senhor (Is 61:6; Sl 34:11-18). Conforme o reino de Cristo está sendo estabelecido na Terra, aparentemente haverá ainda alguns poucos israelitas que não voltaram para sua terra. Por alguma razão eles não retornaram mais cedo, quando o Senhor reunir o “remanescente de Israel” (Is 10:12-13). O Senhor “tornará a estender a Sua mão para adquirir outra vez os resíduos do Seu povo” (Is 11:10-13, 27:12-13). Quaisquer que restarem serão reunidos nesse momento.

A profunda obra moral de restauração ao Senhor realizada no coração e consciência deles ficará evidente no comportamento das dez tribos (chamadas “Efraim”) e das duas tribos (chamadas “Judá” que são os judeus). Haverá unidade e harmonia entre eles (Jr 3:18; Ez 37:16-17, 22; Os 1:11; Sl 133:1). A raiz de inveja existente desde os dias de Roboão e Jeroboão será desfeita (Compare com Is 9:21). Após isso, o Senhor liderará os exércitos do Israel restaurado para tomarem posse da total extensão de sua herança prometida, desde o ribeiro do Egito, até o rio Eufrates (Gn 15:15-18; Sl 108:7-13, 144:1; Ez 25:14; Mq 4:13, 5:5-8; Jr 51:20-23). Nessa ocasião, quaisquer inimigos restantes serão subjugados e feitos tributários. Edom e os Filisteus serão aniquilados da face da Terra (Ez 25:14; Ob 18; Nm 24:18-19; Sf 2:5; Am 1:8). Contudo, um remanescente de Moabe e Amom permanecerá no território da herança de Israel como tributários (Jr 48:47, 49:6; 2 Sm 8:2). Este é o ponto nº 7 do sumário (Is 11:13-14).

O capítulo 12 fornece uma conclusão adequada à libertação de Israel de todos os inimigos. Ele retrata o louvor deles para o Senhor no dia do Milênio. Eles de livre vontade justificam Seus tratos com eles quando o Senhor os afligiu em Sua ira (uma referência às punições trazidas pelo Senhor, que culminaram com Ele usando a Assíria como Sua “vara” – Is 9:8-10:5) Isso é um sinal da autenticidade de seu arrependimento e restauração. Naquele dia cantarão ao Senhor como sendo sua força, seu cântico e sua salvação. Todo o período em que eles seguiram ídolos e seus pecados, não é registrado como sendo um tempo em que eles tivessem felicidade ou gozo, mas agora que foram restaurados ao Senhor, o profeta fala do gozo deles. “Portanto com gozo tirareis águas das fontes da salvação” (Is 12:3 – TB). O gozo de Israel no Senhor transbordará para todas as nações gentias da Terra (“entre os povos” Is 12:4). Eles encorajarão “toda a Terra” para juntar-se a eles em seu canto de louvor ao Senhor. Esta é mais uma indicação da genuína restauração de Israel ao Senhor. Eles não mais sofrerão de preconceito junto às nações (compare com Jn 4:9). Tendo o “Santo de Israel” em seu meio, preenchendo e satisfazendo seu coração, eles não mais invejarão as nações (Is 12:1-6).

13) Isaías 13-27

Os capítulos 13-14:27 são uma introdução a esta série de capítulos. Eles mostram, de uma maneira geral, que o juízo cairá primeiramente na Babilônia (os poderes ocidentais – a besta), antes de cair sobre a Assíria (o rei do norte e sua confederação árabe e, mais tarde, Gogue – Rússia). Este é o outro lado da história e mais uma vez prova que estas coisas têm aplicação para um dia futuro.

É importante notar que quando a Babilônia é julgada há duas pessoas particularmente em foco, como sendo especialmente culpadas e, portanto, sujeitas ao juízo de Deus. São eles os líderes responsáveis pelos poderes ocidentais: “o rei da Babilônia” (Is 14:4-11), que é uma figura do líder político da confederação de dez nações, e “Lúcifer” (Is 14:12-20) que, aparentemente é uma figura do anticristo78. Compare Ap 13:1-18, 19:20.

Havendo dado uma breve introdução, Isaías lista as várias nações que seriam tomadas quando os assírios viessem do norte. O esboço desses capítulos começa com Isaías 14:28. Essas profecias se cumpriram parcialmente nas conquistas de Tiglate-Pileser, Salmanasar e Sargom, reis assírios, mas elas apontam para os últimos dias quando os futuros assírios (o rei do norte – Dn 11:40-43) assolarão a terra. O lado histórico dessas Escrituras serve como pano de fundo para os eventos futuros da profecia. Filístia (Is 14:28-32), Moabe (Is 15-16), Damasco, a capital da Síria (Is 17) e a terra de Israel (Is 18), são vistas vindo a juízo por meio dos assírios.

É importante entendermos que essas pronunciações proféticas (e a maioria das outras) não só apresentam o ponto principal na sequência dos eventos em discussão, mas também cobrem outros detalhes ligados ao assunto, frequentemente apontando para o fim, quando o reino Milenar de Cristo for estabelecido. O capítulo 18, por exemplo, não narra apenas o ataque dos assírios à terra de Israel, o que é o ponto principal (vs. 4-6), mas também de que modo os judeus voltaram à sua terra (vs. 1-3).

Depois da terra de Israel ficar assolada (Is 18:5-6), a conquista assíria continua em direção ao Egito (Is 19), onde os egípcios e seus aliados, os etíopes (Is 20), também são julgados. Estes capítulos, 14:28 a 20:6, nos fornecem, portanto, uma surpreendente previsão, relacionada ao ponto nº 2 do sumário.

Em seguida “o deserto do mar”, a Babilônia, é julgada (Is 21). Esta é uma representação do julgamento dos poderes ocidentais liderados pela besta. Ciro (Is 45), o rei persa, foi especialmente levantado por Deus para executar esse juízo sobre a Babilônia. Ele é uma figura de Cristo, que pessoalmente julgará os exércitos da besta na Sua vinda (Ap 19:19-21). Estes são os pontos nº 3 e nº 4 do sumário.

Muitas outras coisas também ocorrerão quando o Senhor vier dos céus em Sua Aparição. Os próximos capítulos desenvolvem esses detalhes na forma de figuras e símbolos. Primeiro, Sebna, que ocupava uma posição no governo da casa de Davi, é removido de seu ofício e lançado como uma bola em lugar espaçoso (Is 22:15-19). Isto significa a remoção do anticristo, o falso messias dos judeus, que será lançado no lago de fogo na Aparição do Senhor (Ap 19:20). Então Eliaquim é trazido para substituir Sebna e o governo da casa de Davi é colocado em suas mãos. Isso é uma figura de Cristo79 assumindo Seu lugar de direito no trono de Davi, como o verdadeiro Messias e Rei de Israel (Is 22:20-25). O capítulo 22 é outro exemplo da profecia indo além do ponto de discussão principal. Este capítulo mostra o anticristo sendo lançado fora, e Cristo sendo colocado em evidência, mas também faz uma recapitulação da pilhagem de Jerusalém (Is 22:1-14), por meio da qual podemos entender quando e como isso acontecerá. Ele será tirado na ocasião do ataque do rei do norte (Zc 11:17).

Então Tiro, representando o mundo comercial, também é julgado. Entendemos que isso significa que o corrupto sistema dos negócios comerciais será levado a julgamento (Is 23). Os últimos versículos do capítulo 23 apontam para o reino milenar de Cristo. Eles mostram que Tiro (os negócios comerciais) existirá novamente. No entanto, seu propósito será unicamente para o suporte do serviço ao Senhor.

Também aprendemos que a Terra (profética) será esvaziada das pessoas ímpias quando o Senhor vier (a Sua Aparição) para julgar os poderes ocidentais (Is 24). Essa obra é realizada pelos anjos (Mt 13:39-42, 24:39-41). Essa profecia prossegue para o julgamento dos anjos iníquos. Eles serão colocados numa “masmorra” e serão encerrados ali por “muitos dias” – isto quer dizer, durante o Milênio, depois do qual serão trazidos para fora, apenas para serem lançados no lago de fogo (Is 24:21-22). Depois de Deus haver limpado toda a cena, Cristo reinará em Jerusalém (Is 24:23). Estas coisas todas ocorrerão no período abrangido pelo ponto nº 4 do sumário.

Em Isaías 25, o remanescente piedoso que será libertado e restaurado ao Senhor nesse momento, elevará seu coração em louvor a Deus, por Sua intervenção em favor deles. Eles pacientemente esperaram pelo Senhor, e tendo Ele vindo para libertá-los, regozijam-se em Sua salvação. O remanescente celebrará sua libertação num cântico de louvor (Is 26). As dez tribos de Israel são também levantadas do pó da Terra, para se juntarem ao reavivamento nacional (Is 26:19; Dn 12:1-2; Ez 37). Isaías 25-26 corresponde ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário. À medida que continua “a indignação”, o Senhor encorajará a recém-revivida nação de Israel (todas as doze tribos) a se refugiar por um pouco de tempo, até que Ele tenha tratado com todas as nações hostis restantes na Terra (Is 26:20-21).

Em Isaías 27, após haver restaurado a Israel, o Senhor julgará “o leviatã”, a serpente veloz e tortuosa. A temível besta é um símbolo do poder de Satanás nas mãos dos assírios – o segundo ataque, sob Gogue (Rússia). No entanto, Israel, a vinha de Jeová, será preservado, por Seu divino cuidado, quando os assírios vierem à terra pela segunda vez (Is 27:1-5). Este é o ponto nº 6 do sumário.

Depois disso, Israel é visto num lugar de proeminência na Terra. Quando vier o Milênio, eles serão uma bênção para toda a Terra (Is 27:6 – JND).

14) Isaías 28–35

Os capítulos 28 e 29 formam uma introdução a essa série de declarações proféticos que contém seis “ais”. Estes capítulos relatam brevemente os dois ataques da Assíria. Os capítulos que se seguem à introdução fornecem mais detalhes da maravilhosa ordem desses eventos proféticos.

O capítulo 28 mostra as invasões dos exércitos assírios (o primeiro ataque) varrendo a terra de Israel, de norte a sul, sob a figura de uma violenta saraiva e um poderoso dilúvio. Efraim (um nome usado pelos profetas para indicar o reino do norte de Israel, do qual Samaria era a capital) foi o primeiro a sentir os efeitos causados pelos assírios (Is 28:1-13). Isso teve o seu cumprimento imediato nos dias de Tiglate-Pileser (2 Rs 15:27-29), Salmanasar (2 Rs 17:3-6) e Sargom (Is 20) e prefigura as futuras invasões do rei do norte.

Isaías continua para alertar os governantes em Jerusalém que o “dilúvio do açoite” (o ataque assírio) cairia também em Judá e Jerusalém, e que não haveria lugar onde pudessem se esconder dele. Na história, eles passaram por Judá em seu caminho em direção ao Egito, mas não tomaram Jerusalém. Isto mostra, mais uma vez, que a profecia de Isaías tem mais do que simples aplicação histórica. No dia vindouro, os assírios tomarão Jerusalém (Is 28:14-22). Este é o ponto nº 2 do sumário.

Na última parte do capítulo 28, Isaías faz uso de uma parábola para mostrar que depois que os assírios passassem pela terra, o Senhor restauraria Israel. Israel é visto como o lote de terra de Jeová, que Ele cuida como um Agricultor. O “lavrador” (os assírios) é contratado para revolver a terra (Israel), quebrando seus “torrões” (os judeus apóstatas). A isso, segue-se a semeadura de novas sementes na terra. O ato de trazer novas sementes e plantá-las na terra é uma figura das tribos dispersas de Israel sendo trazidas de volta à sua terra e plantadas ali (Am 9:15; Jr 24:6, 32:41). Isso resulta na produção de frutos para Deus (Is 28:23-29). A restauração de Israel à sua terra acontece no intervalo entre os dois ataques dos assírios.

Então, após Israel (um remanescente de todas as doze tribos) ser restaurado à sua terra e ao Senhor, o capítulo 29 mostra que haverá outro ataque por parte dos assírios (o segundo ataque – Gogue). Nesta ocasião, o ataque não terá êxito. “Ariel” (Jerusalém) será cercado por inimigos, mas o Senhor os julgará. Num “instante” a “multidão de estrangeiros” reunida contra Jerusalém será destruída. Israel será libertado do ataque dos exércitos tão rápido quanto acaba o sonho de quem acorda (Is 29:1-8). Ainda que a imediata aplicação desta profecia seja o julgamento dos exércitos assírios sob o comando de Senaqueribe (2 Rs 19:31-35), ela aponta para a futura libertação de Israel do ataque dos exércitos de Gogue. Este é o ponto nº 6 do sumário.

Na metade do capítulo 29, o profeta narra a condição moral do povo que atraiu as invasões dos assírios (Is 29:9-16). Então, na parte final do capítulo, o Milênio é visto sendo estabelecido, com a situação sendo invertida no que diz respeito a Israel. Os arrogantes assírios serão humilhados e eles (Israel), que haviam sido humilhados, serão exaltados. A insensibilidade de Israel dará lugar ao entendimento espiritual e seriedade no que diz respeito às coisas de Deus (Is 29:17-24).

Havendo relatado rapidamente na introdução os dois grandes deslocamentos dos assírios (Is 28-29), o profeta Isaías volta, para dar vários detalhes acerca daquelas circunstâncias.

O capítulo 30 expõe a condição de incredulidade dos judeus apóstatas na terra nos dias de Isaías, buscando proteção contra os assírios, que ameaçavam invadir a terra. Em sua incredulidade e recusa em confiar no Senhor para ajudá-los, eles procuraram auxílio nos egípcios (2 Rs 18:21-24). Isaías os avisa que a ajuda do Egito seria em vão (Is 30:7). Confiar no homem para obter ajuda é considerado como rebelião pelo Senhor; e consequentemente, Deus permitiria que o poder do Egito fosse despedaçado como um “vaso do oleiro” e seus homens dispersos pelos assírios. Da mesma forma os judeus seriam deixados como “uma árvore no topo da montanha, separada de seus ramos”, após a passagem dos assírios pela terra (Is 30:1-17). Isso, mais uma vez, prefigura os eventos vindouros. O Egito subirá à terra de Israel (mas no dia vindouro, não virão para protegê-los), e o rei do norte (primeiro ataque dos assírios) virá e os destruirá, assim como à terra de Israel. Estes são os pontos nº 1 e nº 2 do sumário.

Em seguida, é dado encorajamento àqueles (o remanescente judeu) que esperaram no Senhor. O Senhor promete que eles verão libertação, habitarão em paz em Sião e desfrutarão bênçãos no reino Milenar (Is 30:18-26). Ele promete também que os exércitos assírios que foram “como bordão nas Suas mãos” (Is 10:5-6, 30:31) serão abatidos pela voz do Senhor, e o rei do norte, o líder pessoal da confederação assíria, encontrará seu fim em “Tofete” – o lago de fogo (Is 30:27-33). Isto acontece no ponto nº 5 do sumário. Uma vaga referência é feita ao “rei” de Israel (anticristo) sendo lançado em “Tofete” também. Isso acontecerá no ponto nº 4 do sumário, mesmo que não seja mencionada a vinda do Senhor (a Sua Aparição).

No capítulo 31, Isaías enfatiza a insensatez de haverem confiado no braço de carne (Egito). Ele compara a força do Egito com o divino poder do Senhor de proteger a Sião. Também profetiza que o Senhor defenderá a cidade desse tempo em diante, como um leão ruge sobre a sua presa e um pássaro guarda seu ninho (Is 31:1-5).

Ele roga ao povo que se volte ao Senhor com sinceridade de coração e lance fora seus ídolos. Ele os assegura que então o Senhor trataria com os assírios (uma referência a qualquer ataque vindouro – Is 31:6-9). Os judeus que restarem na terra darão ouvidos às exortações e se converterão ao Senhor e serão restaurados nesse tempo. Isto acontecerá no intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Consequentemente, com o arrependimento dos judeus e sua restauração, o Senhor tomará Seu lugar em Jerusalém como seu Rei. “Eis aí está que reinará um Rei com justiça” (Is 32:1). Israel irá refugiar-se sob Sua maravilhosa proteção (Is 32:2). Eles terão julgado a iniquidade deles e, como resultado, seus olhos estarão abertos e o coração pronto a entender a sabedoria divina (Is 32:3-14). Haverá também uma tremenda mudança na conduta de Israel quando habitarem em “lugares quietos de descanso” em sua terra prometida (Is 32:15-20; Ez 38:11). Este capítulo faz referência ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Então, nos capítulos 33-34 a Assíria é, mais uma vez, colocada diante de nossos olhos. Mas, desta vez, em proporções ainda mais assustadoras. Trata-se de Gogue (Rússia) que assumirá o controle da Assíria em sua forma final. Esses exércitos descerão do norte para invadir a terra de Israel após as doze tribos estarem lá habitando em segurança, sob a proteção de Jeová. Esta poderia ser uma referência ao segundo ataque dos assírios.

Neste ponto, profeticamente, a Rússia, a grande Assíria, “despojou” antes a terra de Israel, usando para isso o rei do norte e sua confederação árabe (o primeiro ataque), que eram seus satélites (Dn 8:24). Mas ela (Rússia) “não foi despojado” quando o Senhor interveio pelo bem do remanescente judeu e julgou o rei do norte, porque ela não veio a terra com este na ocasião da invasão. A Rússia agiu “perfidamente (traiçoeiramente)” com o rei do norte quando não veio em seu auxílio quando estava em perigo. (Dn 11:45 – “não haverá quem o socorra”); mesmo assim, o rei do norte foi fiel à aliança com a Rússia e não agiu traiçoeiramente com eles (Is 33:1).

Quando as notícias da aproximação dos exércitos chegarem às recém-restauradas tribos de Israel, o povo cairá de joelhos perante o Senhor. Eles clamarão com fervor por libertação (Is 33:2). Em resposta à oração do Seu povo, o Senhor, fiel à Sua promessa de defender Jerusalém (Is 30:4-5, 8), repentinamente põe o inimigo em fuga (Is 33:3-9). Ele os consumirá com “fogo” – um símbolo de juízo (Is 33:10-14). Estando os exércitos dos assírios (Gogue) destruídos, a última parte do capítulo mostra o tempo em que Israel estará, mais uma vez, desfrutando de tranquilo descanso em sua terra, tendo sobre si o Senhor, seu “Juiz”, “Legislador” e “Rei” (Is 33:15-24).

O capítulo 34 mostra detalhes da destruição dos aliados da Assíria (Gogue). Após haver destruído os exércitos de Gogue nas montanhas de Israel (Ez 39:1-5), a indignação do Senhor se estenderá até a terra de Edom, onde os exércitos das nações sujeitas a Gogue estarão se reunindo (Is 34:1-8, 63:1-6). O juízo do Senhor sobre esses exércitos confederados será tão severo, que a própria terra de Edom se tornará um deserto perpétuo (Is 34:9-15). Os capítulos 33-34 correspondem ao ponto nº 6 do sumário.

O capítulo 35 encerra essa série de capítulos com uma imagem do Milênio que se seguirá a esses juízos. A criação é vista sendo liberta do “cativeiro da corrupção” (Rm 8:21 – TB) e os redimidos do Senhor são vistos subindo a Sião com cânticos de eterno louvor (Is 35:1-10).

15) Joel 1–3

O capítulo 1 é um relato da invasão de gafanhotos que aconteceu nos dias de Joel e que deixou fome por toda parte. Ele usou a vinda da enorme nuvem de gafanhotos como uma ilustração do terrível juízo de assolação que o Senhor traria sobre a terra de Israel num dia vindouro, por meio dos exércitos assírios (o primeiro ataque – Dn 11:40-43).

No capítulo 2:1-11, Joel prevê esses exércitos descendo do norte e assolando toda a terra. Dois terços do povo (os judeus) na terra serão destruídos nessa ocasião (Zc 13:8). Este é o ponto nº 2 do sumário.

A profecia então omite os pontos nº 3 e nº 4, pois o inimigo nos dias de Joel (como na maioria dos profetas do período assírio) não são os poderes ocidentais (Babilônia).

Como resultado da terrível invasão proveniente do norte, os judeus que restarem na terra (aproximadamente um terço – Zc 13:8-9) estarão totalmente humilhados. Eles clamarão desesperadamente ao Senhor por ajuda (Jl 2:12-17). Em resposta ao clamor do remanescente, o Senhor virá em seu socorro e removerá o exército do norte (Jl 2:18-20 – Compare com Dn 11:45). Este é o ponto nº 5 do sumário.

Quando o Senhor houver lançado da terra o exército do norte, Ele confortará o remanescente judeu e restaurará Israel (Jl 2:21-26). Ele tomará Seu lugar no meio do Seu povo e os abençoará (Jl 2:27-32). Isto corresponde ao intervalo no sumário entre os pontos nº 5 e nº 6.

No capítulo 3, Joel mostra que após Israel haver sido restaurado ao Senhor, muitas outras nações se reunirão para guerrear (v. 2). Isso só pode ser uma referência ao ataque final dos assírios sob Gogue, uma vez que é o único ataque na profecia que acontece após o retorno do Senhor e da restauração de Israel. Esses exércitos (“multidões”) virão à terra de Israel e serão julgados pelo Senhor (Jl 3:1-17). O Senhor “bramará de Sião” (uma expressão usada quando o Senhor tiver retornado do céu e estiver habitando em Jerusalém – Jl 2:27) e destruirá totalmente as nações que se reuniram para guerrear (Jl 3:9-16). Isso acontecerá no ponto nº 6 do sumário.

O terceiro capítulo se encerra com uma figura do Milênio. Naquele dia a bênção do Senhor estará sobre a Terra e Sua divina presença será conhecida em Jerusalém (Jl 3:18-21).

16) Miqueias 1–7

Miqueias inicia sua profecia anunciando que o Senhor (Adonai) estava prestes a vir em julgamento sobre Israel. O Senhor executaria Seu juízo sobre eles por intermédio dos assírios que eram Seu instrumento voluntário. O primeiro capítulo fornece um vívido relato das invasões daquele grande inimigo que o Senhor usaria. Miqueias fala do Senhor, como se fosse Ele próprio o líder desses exércitos invasores (Mq 1:3; Is 10:5-6; Jl 2:11 – “Seu exército”). Ainda que essas coisas se tenham cumprido na história pelos assírios (primeiro por Salmanasar, depois por Sargom e, finalmente, por Senaqueribe), elas prefiguram a futura invasão da terra de Israel no final da 70ª semana de Daniel.

Samaria, a capital do reino do norte de Israel, seria devastada primeiro, quando os assírios descessem vindos do norte (Mq 1:1-7). Então os assírios seguiriam para o sul, rumo a Judá, indo até Jerusalém (Mq 1:8-9). Outras cidades na terra de Israel seriam devastadas ao longo do caminho pela invasão (Mq 1:10-16).

Os capítulos 2 e 3 revelam as causas morais dos juízos de Deus sobre Seu povo por meio dos assírios. O povo estava envolvido em práticas ímpias (Mq 2:1-6), e havia rejeitado a Palavra de Deus (Mq 2:7-11). Na última parte do capítulo 2, Miqueias mostra que ainda que o povo tivesse abandonado ao Senhor, Seu propósito de abençoar a Israel ainda se cumpriria. Mas, seria cumprido apenas num remanescente (Mq 2:12). Antes que Ele pudesse fazer isso, o remanescente de judeus deveria estar num correto estado moral, o qual Ele produziria neles por meio das invasões assírias que assolariam e arrasariam a terra. Como resultado, eles ficariam completamente humilhados e arrependidos (Mq 2:13).

O capítulo 3 expõe um mal ainda mais sério. Os líderes da nação e os profetas estavam corrompidos! (Mq 3:1-7) Deus não mais suportaria isso e, portanto, Sião (Jerusalém) seria “lavrado como um campo” e se tornaria um montão por meio dos exércitos assírios assoladores. Entretanto, na história, os assírios nunca capturaram Jerusalém, muito menos a lavraram como a um campo. Isso mostra que o Espírito de Deus realmente tinha o dia futuro em mente quando moveu Miqueias a escrever essas coisas a respeito das invasões assírias. Os capítulos 1 a 3 têm, portanto, aplicação profética ao que acontecerá no ponto nº 2 do sumário.

Então, no capítulo 4, Miqueias vê Israel em seus últimos dias, restaurado e abençoado por Deus. Isso é mais uma prova de que as profecias passadas tinham a intenção de mostrar mais do que as circunstâncias imediatas das invasões assírias na história; pois o que temos nesse capítulo certamente não se cumpriu em nenhum momento após a passagem dos assírios pela terra naquele dia. Essas coisas referem-se tão somente a um tempo futuro, ainda por se cumprir.

Miqueias vê Jerusalém reconstruída e tornando-se o centro de adoração e aprendizado do conhecimento do Senhor na Terra (Mq 4:1-5). Ele fala também das tribos de Israel, que estavam dispersas por toda parte, sendo reunidas de volta à sua terra (Mq 4:6-10). Isto corresponde ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Quando Israel (um remanescente de todas as doze tribos) estiver estabelecido em sua terra, sob as bênçãos do Senhor, Miqueias relata que haverá uma nova confederação de nações que reunirá suas forças contra eles. Isso pode ser, profeticamente, uma referência ao segundo ataque dos assírios (Gogue – Rússia). Miqueias revela que o Senhor os fará vir àquele tempo, para que possa julgá-los, e assim pôr um fim em todas as guerras da Terra (Mq 4:11-12). Isso corresponde ao ponto nº 6 do sumário.

O Senhor não apenas destruirá sua enorme confederação, mas Ele também encorajará o Israel restaurado a lutar e subjugar as nações que a seguirem nessa confederação (Mq 4:13). Este é o ponto nº 7 do sumário.

O capítulo 5 vai mais além tratando do cerco assírio do quarto capítulo. O primeiro versículo mostra as tropas assírias (Gogue e seus confederados) juntando-se contra Israel.

O versículo 2 é um parêntese que relata a primeira vinda de Cristo e Sua rejeição por Seu povo. Isso é revelado para mostrar que Jesus Cristo, O mesmo a Quem eles rejeitaram há tanto tempo, será seu Libertador num dia vindouro. O versículo 3 mostra os judeus sendo colocados de lado, nos caminhos de Deus, como consequência de rejeitarem a Cristo (Rm 11:16-27). O versículo então omite o presente período da obra de Deus entre os gentios durante os últimos 2.000 anos (At 15:14), e olha para os futuros tratamentos do Senhor com Israel quando Ele irá voltar a tratar com eles, restaurando-os e abençoando-os em sua terra.

Os versículos 4 e 5 revelam que o Senhor Se colocará junto a eles como seu grande Protetor quando os assírios (segundo ataque) vierem à terra de Israel.

Os exércitos de Israel também sairão numa vitoriosa campanha sobre seus inimigos após o Senhor haver derrotado a Assíria. Nessa época, o poder militar de Israel será como o de um leão devorando sua presa (Mq 5:5b-9). Novamente, essas coisas correspondem aos pontos nº 6 e nº 7 do sumário.

A última parte do capítulo mostra que toda idolatria e confiança humanas serão removidas de Israel naquele dia e eles confiarão plenamente no Senhor (Mq 5:10-15).

Os capítulos 6 e 7 formam um apêndice, descrevendo o lado moral da restauração de Israel. Esta porção contém os exercícios pelos quais passará o remanescente no caminho de sua restauração. O capítulo 6:1-16 revela que em meio a todos os problemas que enfrentarão naquele dia, ouvirão a voz do Senhor falando a eles. O capítulo 7:1-10 registra a oração penitencial do remanescente. No capítulo 7:11-20 está a graciosa resposta do Senhor à humilde confissão deles. Ele promete restauração e bênçãos, perdoando suas iniquidades e lançando seus pecados nas profundezas do mar.

17) Salmos 79–87

Salmo 79 apresenta os efeitos das invasões dos exércitos do rei do norte num dia vindouro, expressos pelos lamentos do remanescente judeu piedoso. Esses exércitos passarão pela terra de Israel destruindo tanto a cidade de Jerusalém quanto o templo (Dn 11:40-42). O remanescente judeu crente clamará a Deus quando vir a terra de sua herança sendo assolada pelos invasores vindos do norte. Rogarão a Deus que derrame rapidamente Seu juízo sobre eles. Isso é uma referência ao tempo em que o ponto nº 2 do sumário se cumprirá.

Salmo 80 mostra que, enquanto aguarda pela intervenção de Deus, o remanescente elevará uma tríplice oração pela restauração da nação (vs. 3, 7, 19). Eles falam a Deus acerca de Israel, sob a bem conhecida figura da “vinha”, recordando-Lhe Seu maravilhoso cuidado para com eles em tempos passados (vs. 1-11). Confusos e atribulados, perguntam a Deus por que permitiu que Sua herança fosse pisoteada por um “javali” selvagem (uma referência aos exércitos de gentios impuros sob o comando do rei do norte – o primeiro ataque dos assírios) e “queimada pelo fogo” (vs. 12-16). Eles rogarão que a mão de Deus esteja sobre o Varão da Sua destra (o Messias), reconhecendo que a única esperança deles de salvação está n’Ele (vs. 17-19).

No Salmo 81, o remanescente é visto prevendo a restauração nacional de Israel. Eles anelam pelo soar da trombeta na Lua nova (a festa das trombetas – Lv 23:23-25) simbolizando a reunião nacional de Israel e sua restauração (vs. 1-5). O Senhor, buscando aprofundar Sua obra no coração deles, falará com eles e irá recordá-los que quando clamaram a Ele no passado, e Ele os libertou, logo em seguida se rebelaram (vs. 6-16). Eles não foram sinceros, e o exercício do coração deles em voltar-se para Ele não foi profundo o suficiente. Nisto, testa a sinceridade do desejo que o povo tem por Ele. O Senhor então testifica, que se provassem sua sinceridade ouvindo Sua Palavra e andando em Seus caminhos, Ele certamente os livraria de todos os seus inimigos.

Salmo 82 mostra que a presença de Deus se tornou conhecida em Israel. Isso aconteceu em razão do retorno do Senhor à Terra (Sua Aparição) em resposta ao clamor do remanescente nos salmos anteriores. Ele é visto julgando aqueles que estiveram em posição de autoridade na terra de Israel (isto é, o anticristo e seus oficiais de governo – Dn 11:39). Como o julgamento deve começar pela casa de Deus (1 Pe 4:17), aqueles que estão em posições de responsabilidade na terra são julgados primeiro (v. 7). Alguns desses líderes, aparentemente, escaparão dos exércitos do rei do norte quando estes invadirem a terra. O anticristo (e talvez alguns outros oficiais abaixo dele) fugirá no momento do ataque (Zc 11:17; Is 22:19; Jo 10:13; Jr 39:4). Entretanto, eles não escaparão do julgamento do Senhor na Sua Aparição.

O Senhor, em Seu ministério terrenal, aplicou este salmo por ocasião de Sua primeira vinda (Jo 10:34), mas não falou do julgamento associado a ele naquele tempo, pois Ele havia vindo em graça. Mas quando Ele vem pela segunda vez (a Sua Aparição), os acontecimentos deste salmo se cumprirão. Julgamento será executado sobre os judeus apóstatas em Israel, começando com os líderes responsáveis. Esse salmo, portanto, descreve o julgamento que o Senhor executará no dia em que vier para libertar o piedoso remanescente judeu. Isso acontece no ponto nº 4 do sumário.

Deve-se notar que a besta (a confederação ocidental) não é mencionada sendo julgada nesse salmo, embora o seja nessa ocasião. Isso porque as nações ocidentais não são exatamente o assunto dos Salmos: Daniel e Apocalipse têm mais a dizer sobre o Ocidente. J. N. Darby disse, “Parece-me que, pelo menos no que diz respeito aos resultados, que o anticristo se encontra fora de cena quando acontece o Salmo 83. Este salmo se cumpre após a destruição de todos os poderes da besta”80.

Após o julgamento ser executado sobre a massa apóstata de judeus, o remanescente crente pedirá ao Senhor que julgue as nações gentias (v. 8).

Com o Senhor agora sendo visto como tendo retornado a Terra, o Salmo 83 mostra que, em resposta ao clamor do remanescente, Seus juízos não se restringirão aos líderes de Israel, mas também se estenderão às nações gentias sob a Assíria. O juízo por Ele executado sobre essas nações é devido ao profundo ódio delas pelo povo terrenal de Deus, os judeus (vs. 1-8). Este juízo está correlacionado a duas significativas vitórias na história de Israel (Baraque e Gideão – Jz 4-8), quando Deus interveio em favor deles na planície de Megido (Armagedom). Aquelas vitórias prefiguravam este julgamento (vs. 9-17). Isto corresponde ao ponto nº 5 do sumário.

Como resultado da destruição dessas nações sob a Assíria, o Nome do Senhor – “JEOVÁ” torna-se conhecido sobre a Terra (v. 18). Este é Seu nome revelado a Israel no novo concerto, e quer dizer que agora Ele restabeleceu Sua relação com eles; ou, pelo menos, com o remanescente piedoso.

O título do Salmo 84 confirma que o remanescente foi libertado, com isso se referindo aos “filhos de Coré” (Coré e seu grupo representam os judeus apóstatas, que no dia vindouro, se afastarão do Senhor. Quando Deus julgou Coré, misericordiosamente poupou seus “filhos”. Eles são uma figura do remanescente – Nm 16:1-35, 26:10-11).

O salmo prossegue, descrevendo os fiéis israelitas em sua jornada à sua terra. Quem poderiam ser esses, senão as dez tribos de Israel que, como sabemos, virão a terra após o retorno do Senhor? (Mt 24:29-31) Começará a levantar-se o desejo pelo Senhor brotando no coração deles. Como verdadeiros israelitas almejarão estar no lugar terrenal que lhes é próprio, os “átrios do Senhor”. Invejarão os pardais e andorinhas que encontraram lugar para si na casa de Jeová e desejarão estar ali também (vs. 1-4).

Anelando por Deus e por Sua habitação, Seus eleitos começarão uma jornada à sua terra prometida (vs. 5-8). O versículo 5 poderia ser mais bem traduzido como, “Felizes são os homens... cujos corações estão nas estradas para Sião” (JND). Compare também Is 11:15-16, 19:23, 35:8-10, 49:9-12. Seu caminho à terra de Israel os levará pelo “vale de Baca” (que significa “pranto”), o que indica que haverá uma obra de arrependimento no coração deles à medida que retornam (Sl 84:6; Jr 31:9, 18-21). Irão “de companhia a companhia” (Sl 84:7 – margem da KJV). Isso é uma referência aos peregrinos de Israel que irão aumentando em número à medida que encontram outros grupos de seus irmãos no caminho, até existir uma enorme multidão dirigindo-se a Sião.

O salmo termina com o desejo do povo de ver seu Messias (“Teu Ungido”), ao Qual eles reconhecem como seu “Sol e Escudo” (vs. 9-12).

No Salmo 85, as tribos de Israel são vistas trazidas de volta desde os quatro ventos e estabelecidas em sua terra prometida (Mt 24:31). Nessa ocasião o “dia da expiação” terá seu cumprimento. Seus pecados serão perdoados e a ira de Deus será afastada deles (vs. 1-3).

Este salmo mostra que haverá uma restauração adicional na alma deles após serem exteriormente libertados e trazidos de volta à sua terra, mas antes de estarem em total liberdade para desfrutar as bênçãos do reino. É algo como a “festa das trombetas” que é seguida pelo “dia da expiação” (Lv 23:23-32). A “festa das trombetas” fala do remanescente arrependido de Israel sendo restaurado à sua terra (Sl 84), mas o “dia da expiação” fala Do remanescente arrependido de Israel sendo restaurado ao Senhor (Sl 85). As duas acontecem juntas.

Em cumprimento da figura da “bezerra ruiva” (Nm 19), as tribos em retorno virão “ao terceiro dia” (Nm 19:12) em sua jornada de volta à terra (Jr 31:9, 18-21; Sl 84:6). Mas quando chegarem a terra e virem ao Senhor, entrarão no “sétimo dia”, que é quando se cumprirá o “dia da expiação” (Nm 19:19-20; Is 53; Sl 85; Zc 13:6; Lv 23:26-32).

Este salmo 85 mostra o exercício da alma dos israelitas, que os conduzirá a sua completa restauração no “dia da expiação”. O rogo contínuo deles ao Senhor para que desvie deles Sua ira, demonstra que, a princípio, não estão certos de que Sua graça está completamente sobre eles. Isso revela que ainda não estão em paz em sua alma (vs. 4-7).

Conhecendo o coração deles e vendo seu genuíno arrependimento, o Senhor porá um fim em seus temores e dúvidas. Ele lhes mostrará novamente a cruz – a obra que Ele consumou ali, fazendo expiação por eles. Ele os instruirá no verdadeiro significado da cruz, onde “misericórdia” e “verdade” se encontraram, e “justiça” e “paz” se beijaram (vs. 8-10). Israel (todas as doze tribos) sentirá grande alívio quando perceber a graça e a bondade do Senhor. Como resultado, sua confiança n’Ele estará firmemente estabelecida (vs. 12-13).

Salmo 83:18 até Salmo 85:13, correspondem ao intervalo entre os pontos nº 5 e nº 6 do sumário.

Salmo 86 mostra que, embora o remanescente de Israel (as dez tribos) tenha retornado à sua terra (Sl 84), e sido restaurado ao Senhor (Sl 85), eles ficarão angustiados mais uma vez. Isso, por conta de mais inimigos cercando sua terra. Tratam-se do “ajuntamento de homens violentos” (v. 14 – TB) – os assírios81 (o segundo ataque sob Gogue). Essa angústia os leva a clamar ao Senhor que os preserve (vs. 1-7).

Eles demonstram confiança n’Ele agora (sendo restaurados) de que Ele Se levantará em poder e derrotará os inimigos que se juntaram contra eles. O reconhecimento que têm de Seu poder é indicado pelo fato de usarem sete vezes o nome “Senhor” (Adonai) que se refere ao exercício do Seu todo-poderoso senhorio na Terra. Anteriormente referiam-se a Ele como “SENHOR” (Jeová) (vs. 8-10).

Eles relembram a maravilhosa libertação operada pelo Senhor em seu favor, destruindo seus inimigos anteriores, e agora confiam que Ele fará o mesmo ao “ajuntamento de homens violentos” (TB) que se levantou contra eles (vs. 13-17). O caráter dessas hordas infiéis é revelado em que eles não colocaram o Senhor diante de si (v. 14).

Israel restaurado demonstra perfeita confiança no Senhor de que Ele os salvará dessa enorme confederação (vs. 15-17). Isto explica o ponto nº 6 do sumário.

No Salmo 87, todos os inimigos da Terra são vistos derrotados, e Sião (Jerusalém) estabelecida como a cidade de Deus. Estudiosos dizem que a ocasião histórica em que este salmo foi escrito, corresponde à época após a libertação de Jerusalém, quando os exércitos de Senaqueribe, rei da Assíria, foram destruídos (2 Cr 32:21-23). Se isso estiver correto, a colocação deste salmo é muito significativa, pois Senaqueribe é uma bem conhecida figura de Gogue (o segundo ataque dos assírios). No início deste Salmo é assumido que os exércitos de Gogue foram julgados e o reino de glória em Sião está manifestado (vs. 1-3).

O remanescente de Israel (as dez tribos particularmente) aprenderá acerca das várias nações que foram julgadas na terra deles antes que voltassem para ela (“Raabe” – Egito; Is 51:9; Sl 89:10; “Babilônia” – os poderes ocidentais). Eles não estavam na terra quando essas nações foram julgadas e saberão disso após seu acontecimento (v. 4).

Quando o Milênio começa, a fama do povo de Jeová se espalhará por todo o mundo (Is 61:9; Sf 3:3-19). Eles serão conhecidos entre os homens como aqueles que foram nascidos de Deus e estão conectados por graça a Sião (v. 4). O Senhor manterá um registro de cada um, entre as nações, que forem nascidos de novo. Isso é indicado pelo versículo que diz “os povos” (no plural). Nas Escrituras, quando se diz, “os povos” (no plural), é uma referência às nações; quando se diz, “o povo” (no singular), trata-se de Israel (v. 6).

O Milênio é visto como tendo começado pelo uso do nome do Senhor, “o Altíssimo”, que será Seu nome quando reinar publicamente sobre a Terra (v. 5). O versículo final indica que todo o gozo terrenal naquele dia será centralizado e terá sua origem em Sião, onde o Senhor está (v. 7; Ez 48:35).

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Neste apêndice, tratamos de mais de cem capítulos da Bíblia. Não houve nenhum que se desviasse da ordem de eventos no sumário apresentado no começo do apêndice. Fomos, portanto, supridos com uma abundância de evidências na Escritura, quanto a sua ordem sequencial.

Existem outros esboços nos profetas e nos Salmos que poderiam ser incluídos para também confirmar a ordem das batalhas na “indignação”. No entanto, acreditamos que os esboços aqui citados são suficientes.