APÊNDICE “B”
Indicações da Vinda do Senhor
Os “dois dias” na Escritura e Outras Indicações da Proximidade da Vinda do Senhor
Antes de o Senhor Jesus Cristo voltar ao céu, Ele prometeu que iria voltar para tomar aqueles que cressem n’Ele para a casa de Seu Pai. Ele disse, “Na casa de Meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito: vou preparar-vos lugar. E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também” (Jo 14:2-3). Isso se refere ao Arrebatamento – o momento em que os crentes no Senhor Jesus Cristo serão levados para o céu. É a “bendita esperança” da Igreja (Tt 2:13).
O apóstolo Paulo, ao se referir à vinda do Senhor, nos deu mais alguns detalhes sobre esse momento maravilhoso. Ele disse: ““nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo [o próprio – JND] Senhor descerá do céu com alarido [um grito de reunião – JND] e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente [tomados juntos – JND] com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4:15-17). Aprendemos disso que aqueles que morreram em Cristo terão seu corpo ressuscitado e todos iremos para o céu. (Os “mortos em Cristo” são crentes que viveram na era Cristã).
Hebreus 11:40, acrescenta que os santos do Velho Testamento serão “aperfeiçoados [feitos perfeitos – JND]” no mesmo momento que os santos do Novo Testamento. Isso significa que eles também se unirão a este grande chamado ao céu. Sendo “feito perfeito” (JND) indica que nosso corpo será glorificado naquele momento (1 Co 15:51-58; Fp 3:20-21; Rm 8:23; Jó 14:14; Sl 17:15).
Esperando e Vigiando
A postura apropriada para o povo do Senhor é ser achado vigiando e aguardando Sua volta (Lc 12:36-40). Ele disse: “Certamente cedo venho” (Ap 22:20) e, com isso, Ele pretendia que a Igreja esperasse e vigiasse por Seu retorno a qualquer momento. O escritor da epístola aos Hebreus confirmou a iminência disso, dizendo: “Porque ainda um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá, e não tardará” (Hb 10:37).
Embora o Senhor Jesus tenha nos dado a promessa certa de Sua vinda novamente, Ele não nos disse quando isso iria acontecer. Uma razão porque Ele não nos deu uma data específica é que os santos por todo o período do tempo – desde Pentecostes até o Arrebatamento – teriam Sua vinda diante deles como algo iminente. Se o Senhor tivesse dito que viria no século XX, os Cristãos que viveram em épocas anteriores teriam desistido de esperar por Ele durante a vida deles. Isso teria um efeito negativo sobre eles, fazendo com que se estabelecessem no mundo (Compare Mateus 24:48-51).
É triste dizer, mas independentemente do desejo do Senhor de ter os crentes esperando Sua vinda a qualquer momento, o inimigo de nossa alma encontrou maneiras de fazer com que os santos abandonassem essa esperança. Não muito tempo depois que os apóstolos deixaram esta cena, a Igreja, pela influência do mundo, perdeu de vista a esperança da vinda do Senhor. Por meio do mundanismo, os Cristãos primeiramente se tornaram indiferentes e depois ignorantes a essa maravilhosa esperança. O mau ensino também resultou em deixar ir a iminência da bendita esperança. Há quem ensine que certos eventos proféticos devam acontecer primeiro. Isso é falso, pois a Escritura não ensina que existem eventos proféticos que precisam ser cumpridos antes da vinda do Senhor. Essas pessoas estão confundindo o Arrebatamento com a Aparição de Cristo. O efeito desse ensino tem sido devastador. Em alguns círculos Cristãos, é considerado má doutrina crer que o Senhor está chegando em breve!
O apóstolo Paulo expressou a apropriada atitude de expectação que todo Cristão deveria ter em relação à vinda do Senhor. Mesmo sabendo que ele não viveria para ver a vinda do Senhor, mas passaria para estar com o Senhor em estado separado pela morte (2 Tm 4:6), ele se esforço em seu ministério para estabelecer a vinda do Senhor diante dos santos como sua apropriada esperança. Ele disse: “nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts 4:17). Ao dizer “nós”, Paulo inclui a si próprio ao número dos que esperam o Senhor vir a qualquer momento (veja também 1 Co 15:51; Fp 3:20-21). A verdade é que Senhor pode vir hoje!
Os Sinais dos Tempos
Mateus 24:36 diz: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai” (ARF). Às vezes, esse versículo é erroneamente usado para afirmar que ninguém sabe o momento do Arrebatamento. Embora seja verdade que ninguém conhece esse momento, esse versículo em particular está falando da Aparição de Cristo após a grande tribulação, e não do Arrebatamento, que ocorrerá antes do período da tribulação. Como o Senhor não indicou quando voltaria, não cremos que seja uma ocupação saudável para a Igreja tentar marcar uma data para isso. Muitos fizeram isso e ficaram envergonhados.
No entanto, o Senhor disse que precisávamos devemos discernir os tempos nos quais vivemos. Ele disse, “não podeis discernir os sinais dos tempos?” (Mt 16:3 – ARA).
Há certas indicações inequívocas que nos falam que estamos nos últimos dias. De fato, elas nos dizem que estamos às vésperas de Sua vinda! Isso deveria emocionar nossa alma e elevar nosso coração ao céu em pura expectação do imediato retorno do Senhor.
As páginas seguintes nos dão sete indicações bíblicas da proximidade da vinda do Senhor.
A Condição “Laodiceia” da Igreja
Nos capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse nos dá uma história profética do estado da igreja professa – desde os dias dos apóstolos até os últimos dias da Igreja. O sétimo e último estágio é descrito no discurso do Senhor à igreja de Laodiceia no qual é apresentada em uma condição desprezível de indiferença a Cristo (Ap 3:14-22). O apóstolo Paulo também descreve a condição do testemunho Cristão “nos últimos dias” como sendo um estado similar de ruína no qual o mal moral e doutrinal iriam abundar (2 Tm 3:1-9). Esta descrição retrata precisamente a condição de coisas na igreja professante hoje – ninguém negaria isso. A próxima coisa que tem lugar no livro de Apocalipse, depois de descrever o estado final da Igreja, é que João é chamado para o céu (Ap 4:1). Esta é uma pequena figura de onde a Igreja irá depois que sua história na Terra estiver concluída. Depois disso, os santos do Novo e do Velho Testamento são vistos no céu sob a figura dos “vinte e quatro anciãos” (Ap 4:4, etc.). Além disso, o Espírito de Deus não Se dirige mais à Igreja como estando na Terra. A expressão “ouça o que o Espírito diz às igrejas” (repetida muitas vezes nos capítulos 1-3), cessa, porque a Igreja terá ido da Terra. Se estamos, então, nos últimos dias do período da Igreja, é óbvio que a vinda do Senhor deve estar bem próxima.
Não mais ver Tua grei escassa,
Apartada em mesquinhas divisões,
Mas sorvendo em paz a viva graça,
Que lhes deu unidos corações!
Senhor, apressa esse dia de resplendor,
Essa clara perspectiva infalível,
Onde DEUS, em luz, brilha em fulgor,
Em bendita glória imarcescível.
O Clamor da Meia Noite Já Foi Dado
Mateus 25:1-3 é outra passagem que nos dá um vislumbre de todo o testemunho Cristão na Terra, desde os primórdios até a vinda do Senhor. Ele menciona quatro períodos distintos nesta parábola que caracterizariam o tempo de Sua ausência. Essas quatro épocas abrangem todo o período da história da Igreja na Terra.
- As virgens “saíram” (v. 1). Isso se refere ao dia dos apóstolos em que os santos saíram pela primeira vez para fora do arraial do judaísmo (Hb 13:13) e deixaram suas associações mundanas (1 Ts 1:9).
- “tosquenejaram todas, e adormeceram” (v. 5). Isso marcaria outro período na história da Igreja, quando a profissão Cristã, como um todo, adormeceu quanto à realidade da vinda do Senhor. Isso aconteceu logo após a época dos apóstolos e continuou por muitos séculos na época das trevas.
- “à meia-noite ouviu-se um clamor” (v. 6). Isso se refere a um reavivamento que ocorreu durante os anos 1800, quando houve um despertar geral no mundo Cristão, ao fato de que o Senhor Jesus estava voltando novamente.
- “chegou o noivo” (vs. 10 – ARA). Este é o momento que todos estamos esperando – o Arrebatamento! Isso encerrará a história da Igreja neste mundo e seremos levados para casa no céu.
O primeiro versículo nos dá três coisas que caracterizaram a Igreja primitiva. Primeiramente, diz que as virgens tomaram “as suas lâmpadas”. Uma lâmpada fala de profissão. Refere-se ao brilhante testemunho que eles tinham diante do mundo naquele dia. Houve uma manifestação da fé deles. Então, diz que elas “saíram”. Isso fala de separação. Eles saíram do arraial do judaísmo e deixaram suas associações mundanas (Hb 13:13; 1 Ts 1:9). Por fim, fala que eles foram “ao encontro do Noivo”. Isso fala de expectativa. Eles tinham a esperança da vinda do Senhor diante de sua alma. Houve manifestação, separação e expectativa. Isto foi o que marcou a Igreja primitiva.
Havia dez virgens; “cinco delas eram prudentes, e cinco loucas” (Mt 25:2). As sábias tinham “azeite” em suas lâmpadas, mas as outras não. Isso significa que alguns eram salvos e selados com o Espírito, e outros não. Eles só tinham a lâmpada da profissão. Isso descreve a mistura que existe dentro da profissão Cristã.
No entanto, aquele estado feliz (v. 1) não durou muito; “tosquenejaram todas, e adormeceram” (v. 5). A Igreja se cansou de esperar a vinda do Senhor e foi afetada pelo mundo e pelos maus ensinamentos, o que fez com que perdesse de vista a Sua vinda. Nota: houve primeiro um cochilo e depois dormiram. Isto nos mostra que esse estado veio gradualmente sobre a Igreja.
Então, nos anos 1800, uma obra soberana de Deus aconteceu pela qual houve um reavivamento da verdade da vinda do Senhor e de muitas verdades a ela relacionadas. “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro!” (Mt 25:6 – ARA). Pessoas despertaram para o fato de que o Senhor estava vindo! Houve muita agitação entre os Cristãos, e muitos começaram a investigar profecias. Ao examinarem o assunto dos eventos futuros, conforme ensinado na Palavra de Deus, eles aprenderam que a Igreja não fazia parte da profecia. Eles também aprenderam que a Igreja não pertencia à Terra, mas que tinha um chamado e destino celestiais. Então eles perceberam que o Senhor poderia vir a qualquer momento e levar a Igreja ao céu, pois não havia nada na profecia que primeiro tivesse que ser cumprido.
As palavras “... que vem...” no versículo 6 não estão nos manuscritos mais antigos. Foram colocadas no texto pelos tradutores de algumas versões, mas, na verdade, não há nenhuma razão para isso. Isso destaca o evento da Sua vinda. O pensamento, entretanto, é que uma PESSOA está chegando – o Senhor Jesus Cristo! Deveria simplesmente ser: “Eis o Noivo!” Isso retrata o espírito das coisas naquele momento com mais precisão. As pessoas naquele dia não estavam apenas esperando por um evento; elas estavam esperando o Senhor que viria! O chamado também os exortou: “Saí ao seu encontro!” Isso significa que houve um exercício em retornar à posição original – fora do arraial e do mundo. Eles deixaram todas as associações eclesiásticas e seculares com as quais estavam conectados e esperaram a vinda do Senhor.
Nos próximos versículos, vemos o que aconteceu naquela época na profissão Cristã em geral. Houve muita agitação para se preparar para se encontrar com o Noivo. Muitos foram achados como estando sem “azeite” em suas lâmpadas. A exortação das “prudentes” às “tolas” era ir e “comprar” o azeite dos “que o vendem”. Isso se refere ao grande empenho na pregação do evangelho que marcou aquele dia. O evangelho foi pregado livremente e muitos foram salvos. Comprar nos fala em ter uma negociação pessoal de fé com “Eles” (o Pai e o Filho), pela qual eles seriam salvos e selados com a habitação do Espírito de Deus, do qual o “azeite” nos fala (compare Isaías 55:1-3). Foi dito às tolas: “comprai-o para vós”. Todo mundo que é salvo deve ter uma negociação pessoal com o próprio Senhor. Não é possível comprar isso para outra pessoa.
Então chegou aquele feliz, porém, solene momento quando o Noivo chegou, e “as que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta” (v. 10). Aquelas que eram tolas e despreparadas quando o Noivo apareceu perderam tudo. Depois, vieram e gritaram: “Senhor, Senhor, abre-nos”, mas era tarde demais! (v. 11) Cinco vezes temos a expressão “Senhor, Senhor” na Escritura, e sempre se refere à profissão vazia (Mt 7:21, 22, 25:11; Lc 6:46, 13:25).
A razão de mencionar isso é que mais de 150 anos se passaram desde esse tempo do despertar e do reavivamento – e a Igreja está ainda na Terra! Isso nos faz perceber o quão próximos devemos estar de Sua vinda!
A noite se distancia e o dia está próximo;
Nenhum sinal a ser procurado; a estrela está no céu;
Alegrai-vos, santos, este é o mandamento de vosso Senhor;
Alegrai-vos, pois a vinda de Jesus se aproxima.
O Renascimento da Independência Nacional Judaica e a Agitação Política no Oriente Médio
Em Mateus 24:32-34, Marcos 13:28-30 e Lucas 21:29-32, o Senhor ensinou que quando “a figueira” (um símbolo nacional de Israel) brotasse novamente e desse folhas, Sua vinda estaria próxima. Em 1948, após muitos séculos sem uma pátria oficial, Israel ganhou sua independência nacional ao declarar-se novamente uma nação na terra da palestina. A figueira começou a brotar de novo. Atualmente a nação tem apenas as folhas da profissão e não um verdadeiro fruto para com Deus. Ela ainda não reconhece o Senhor Jesus como o seu verdadeiro Messias, e a nação não dará frutos para Deus até que chegue o tempo de produzi-los.
O Senhor prosseguiu dizendo “... e todas as árvores” (Lc 21:29). Isto se refere às várias nações. Egito e Líbia ficaram em evidência nos anos recentes. As nações árabes estão também ficando proeminentes recentemente. As nações da Europa ocidental também estão se alinhando em acordos comuns (o Comitê Econômico Europeu). Isto poderia muito bem ser o prenúncio do reinado das dez nações da besta (Dn 7:7; Ap 13:1-3). Percebemos que todos esses recentes acontecimentos são prenúncios e não o próprio cumprimento dessas Escrituras, as quais irão se cumprir apenas no período da tribulação, após a Igreja ter sido levada ao céus. O Senhor disse que quando virmos essas coisas, devemos saber que Sua vinda está próxima. O aspecto de Sua vinda a que Ele estava Se referindo é Sua Aparição. Sabendo que o Arrebatamento ocorrerá cerca de sete anos antes da Aparição, nos faz perceber sobriamente que “já está próximo o fim de todas as coisas” (1 Pe 4:7).
Vai-se indo a noite e está chegando o dia,
Nenhum sinal se busca, no céu, a Estrela-guia.
Alegrem-se, oh! Santos, Seu Senhor está no comando,
Regozijem, pois, Jesus está voltando.
O Ritmo Rápido da Vida no Tempo do Fim
Em Daniel 12:4, foi dito ao profeta: “E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo: muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará”. Um ritmo acelerado de vida e o aumento do conhecimento em geral caracterizaria “o fim do tempo”. É óbvio para todos que, nos últimos tempos, houve um aumento tremendo no ritmo de vida. As pessoas hoje vivem em um ritmo frenético.
Nos últimos cem anos, houve alguns passos gigantes nas viagens, permitindo que as pessoas corressem “de uma parte para outra”. As pessoas hoje estão correndo em todo o mundo de uma maneira e a um ritmo inédito na história. Nenhuma geração viu o que vemos hoje a esse respeito. Cem anos atrás, não havia aviões, helicópteros, foguetes espaciais etc. – até os automóveis têm menos de 100 anos. Esse é outro indicador de que estamos definitivamente nos últimos dias.
O Aumento do Conhecimento no Tempo do Fim
Daniel 12:4 também indica que haveria um aumento de conhecimento e informação. Foi dito ao profeta: “e a ciência se multiplicará”. Um rápido olhar para a história do homem mostra que nunca houve um dia como o de hoje com um aumento de conhecimento em todos os campos de atuação – seja medicina, tecnologia, ciência, esportes, etc. É de fato um sinal dos tempos que confirmam novamente que “o tempo se abrevia” (1 Co 7:29).
Longe não está - a hora predita,
Quando os Seus, Cristo reivindicará!
Breve ouviremos, o poder de Sua voz, bendita,
O próprio Senhor, então, virá.
O Aumento e a Prevalência do Ceticismo nos Últimos Dias
2 Pedro 3:3-4 diz: “Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? Porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. O apóstolo nos diz claramente que os últimos dias seriam marcados pelo aumento do ceticismo82. Essa é outra indicação de que estamos perto do fim do período da Igreja na Terra.
Pode-se argumentar que as pessoas sempre zombaram da promessa da vinda do Senhor. Pedro não contesta isso; seu argumento é que haveria aumento e prevalência de tais pessoas. Alguém poderia negar que há menos reverência pelas coisas de Deus hoje do que nunca – especialmente pela promessa da vinda do Senhor? O mundo está cheio de pessoas mais ousadas do que nunca em seus escárnios e zombarias. Isso nos diz que estamos muito perto do momento da vinda do Senhor.
O Uso Figurativo dos “Dois Dias” na Escritura
A segunda epístola de Pedro diz: “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (2 Pe 3:8; Sl 90:4). Se um dia é como 1.000 anos para o Senhor, então dois dias seriam 2.000 anos no cálculo de Deus. Tendo isso em mente, várias passagens na Escritura usam a figura de “dois dias” para sugerir que o tempo aproximado da ausência do Senhor deste mundo antes que Ele venha novamente seria 2.000 anos.
Esta não é uma ideia nova que se originou com o autor. Os irmãos têm ministrado a partir da figura de “dois dias” por muitos anos. De fato, um comentário aparece para esse fim no “Present Testimony” (um periódico publicado nas décadas de 1860 e 1870. – editado por G. V. Wigram). Comentando João 4, diz: “Dois dias de testemunho – representam, não tenho dúvida, o tempo atual de graça para os gentios em que eles recebem o dom da água viva, o Espírito Santo – e então encontramos o Senhor novamente numa relação judaica, não na Judeia, mas na Galileia, de onde brota a luz dos últimos dias (Is 9)” “Present Testimony”, new series, vol. 3, pág. 133).
Para ver este ponto mais claramente é necessário entender algo dos caminhos dispensacionais de Deus para com Israel. Por causa da falha de Israel sob a lei e sua rejeição de Cristo como seu Messias, eles foram colocados de lado, nos caminhos de Deus, por um tempo e dispersados entre as nações (Lv 26:33; Sl 44:11). Enquanto isso, Deus tem enviado o evangelho de Sua graça ao mundo gentio para tomar deles um povo para o Seu Nome (At 15:14, 28:25-28; Rm 11:11-27). Depois do presente período do tratamento de Deus entre os gentios no Seu chamamento da Igreja, Ele irá reatar com Israel novamente para trazê-los novamente às bênçãos de acordo com as incondicionais promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Há muitas referências na Escritura onde os “dois dias” aparecem, sugerindo que este presente período da graça, quando Israel foi colocado de lado, poderia ser de aproximadamente 2.000 anos.
Alguns podem argumentar que passamos o ano 2000 há algum tempo, sendo que agora é 2018. Isso é verdade, mas ainda não faz 2.000 anos que a Igreja está na Terra. Ela não foi formada até que o Senhor morresse, ressuscitasse, subisse ao céu e enviasse o Espírito Santo de lá (At 1-2). É geralmente considerado que isso ocorreu no ano 33 d.C., uma vez que o Senhor viveu 33,5 anos neste mundo. Se quiséssemos pensar de forma literal (e perderíamos o significado, se o fizéssemos), 2.000 anos seriam em 2033. No entanto, é do conhecimento geral que nosso calendário foi adulterado e a data real do nascimento de Cristo é 4 ou 5 anos antes do que o calendário indica. Cristo realmente nasceu em 5 a.C. (Veja a página XXVIII do prefácio da tradução de JND – “Tabela Cronológica dos reis e profetas de Judá e Israel, subsequentes aos reinos de Saul, Dai e Salomão de 40 anos cada – de 1.95 a.C. a 975 a.C.” no final deste item). Isso significa que 2.000 anos literais seria algo em torno de 2029. Se o período de 7 anos da tribulação deva ser subtraído disso (uma vez que muitas das figuras falam de Israel sendo colocado de lado por dois dias), seria muito menos – talvez por volta de 2022.
No entanto, contar anos literais dessa forma é perder totalmente o objetivo da figura. “Dois dias”, na Escritura, não deve ser interpretado como 2.000 anos literais. Foi empregado pelo Espírito para sugerir dois milênios em um sentido geral. É uma figura para nós – nada mais. Mas que tremenda figura! E que tremendo encorajamento para os santos que estão vigiando e esperando! Isso nos faz perceber que o Senhor está chegando muito em breve. Talvez hoje!

Algumas Referências Onde a Figura de “Dois Dias” Aparece na Escritura
1) Oseias 6:1-3
“VINDE, e tornemos para o Senhor, porque Ele despedaçou, e nos sarará, fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos dará a vida: ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante d’Ele”. Os arrependidos em Israel estão falando aqui. Dizem, “Depois de dois dias” (o presente período da graça, de aproximadamente 2.000 anos) “nos dará a vida; ao terceiro dia (os 1.000 anos do reino de Cristo, chamado Milênio), nos ressuscitará, e viveremos diante d’Ele”.
2) Lucas 10:30-35
“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E d’igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele, e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar”. Nestes versos o “um homem” que caiu à beira da estrada pelas mãos de salteadores, é uma figura da terrível condição na qual o homem caiu pela atuação de Satanás. Diante de Deus, o homem jaz na vala do pecado “meio morto”. Ele está fisicamente vivo, mas espiritualmente morto. O “sacerdote” e o “levita” que não ajudariam o homem, nos ensinam que a religião não pode salvar o homem de sua terrível condição. O “samaritano” que aparece em cena para resgatar o homem é uma figura do Senhor Jesus Cristo, o Salvador rejeitado. Ele resgata o homem e o traz, não de volta a Jerusalém o que corresponderia à velha ordem de coisas no judaísmo, mas para uma “estalagem”. Esta é uma figura da assembleia. Na estalagem recebe ajuda, comida e comunhão, que suprem todas as suas necessidades. Depois de deixar o homem aos cuidados do “hospedeiro” (o Espírito Santo), o samaritano paga pela estadia do homem na estalagem com dois dinheiros, prometendo voltar outra vez. Isto sugere que o tempo que ele pretendia se ausentar era de dois dias! Naquele tempo um dinheiro era o salário de um dia (Mt 20:2).
3) João 1:29-2:11
Em João 1:29 e 43 temos dois dias (vs. 29 e 35 são o mesmo dia – note que é dito no v. 35 “outra vez” fazendo uma ligação com o v. 29). Os detalhes encontrados nesses dois dias correspondem a certas coisas que são características do período da Igreja. São feitas referências a Cristo sendo feito conhecido como o Cordeiro de Deus (vs. 29, 35) e o Filho de Deus (v. 34), à descida do Espírito Santo e ao batismo (vs. 32-33), ao lugar de habitação de Cristo (a assembleia – vs. 38-39) e ao evangelho sendo anunciado trazendo outros a Cristo (vs. 40-42, 45-50). Então, no capítulo 2, é dito que no “terceiro dia” houve umas bodas em Caná que prefigura a reunião de Israel com o Senhor quando o remanescente for restaurado num dia futuro (Os 2:16; Is 62:4-5). Nas bodas, o Senhor deu vinho novo a todos os que estavam ali. Isto fala do gozo que o Senhor trará para a Terra no dia milenar.
4) João 4:1-54
O capítulo inicia com o Senhor Jesus sendo rejeitado pelos judeus na Judeia (vs. 1-3). Isto prenuncia a nação formalmente rejeitando o Senhor Jesus e, finalmente, crucificando-O (At 2:23, 3:13-15). Sendo rejeitado, Ele os deixa e vai aos samaritanos, que é um povo de origem gentia e lá Ele Se revela a uma pobre mulher pecadora e ao seu povo (vs. 4-42). Isto é uma figura do evangelho indo para os gentios depois da nação de Israel rejeitá-lo (At 15:14; Rm 11:16-20). É notável que o Senhor escolheu, naquele tempo, revelar a esta mulher a verdade do fim da velha ordem judaica de adoração e a introdução da verdadeira adoração Cristã em espírito e verdade (vs. 23-24). Devemos notar também que o Senhor não fez milagres em Samaria. Ele usou apenas Sua Palavra para cumprir Sua obra lá. Esta tem sido, geralmente, a maneira pela qual Deus tem levado o testemunho Cristão entre os gentios. Esta era presente não foi marcada por sinais e maravilhas, mas unicamente pelo poder de Sua Palavra indo adiante e convertendo almas. É significativo que o Senhor permaneceu “dois dias” entre os samaritanos falando do coração de Deus a eles (v. 40). E então, após os “dois dias” acabarem, Ele retornou ao Seu próprio povo, os judeus na Galileia (vs. 43-54). Sua obra na Galileia é uma figura da época, em um futuro próximo, quando Ele voltará a tratar com um remanescente em Israel. O homem nobre que vem a Ele sugere que os líderes que fizeram com que Israel rejeitasse a Cristo, se arrependerão primeiro (Joel 2:12-17). O Senhor então ressuscita o filho desse nobre, que é uma figura da ressurreição nacional de Israel (Ez 37:1-28; Dn 12:1-2).
5) João 10:39-11:46
Nesta passagem o Senhor Jesus é outra vez visto como rejeitado pelos judeus que tentaram apedrejá-Lo até a morte. Ele escapou de suas mãos indo a um lugar além do Jordão, fora da terra de Israel. Lá muitas pessoas creram n’Ele e foram abençoadas. Isso também é uma figura do Senhor deixando de lado Seus tratos com Israel por conta da sua incredulidade e por terem rejeitado-O, e voltando-Se aos gentios. É também significativo que Ele permaneceu naquele lugar por “dois dias” (Jo 11:6). No capítulo 11 Lázaro está morto. Esta é uma figura da condição nacional de Israel diante de Deus (Ez 37:1-2). Maria e Marta em suas tristezas são uma figura do remanescente judeu piedoso no dia futuro que clamarão pela vinda do Senhor (Sl 6:3-4). Depois de “dois dias” o Senhor foi a Lázaro e o ressuscitou, o que é uma figura de Israel sendo ressuscitado no dia vindouro. Quando o Senhor chegou onde Lázaro estava, é dito que ele estava morto há “quatro dias” (Jo 11:17, 39). Isso indica toda a história da nação diante de Deus, desde o tempo de Abraão em diante. Sabemos que a história nacional de Israel pode ser traçada desde Abraão que viveu 2.000 anos antes de Cristo. Desde aquele tempo até a vinda de Cristo para levantar Israel (na Sua Aparição) há um período de aproximadamente 4.000 anos ou “quatro dias”. Depois que Lázaro foi ressuscitado, o Senhor subiu a Jerusalém e os gentios vieram a Ele (Jo 12:12-22). Nessa ocasião a multidão clamou, “Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor!” E, “teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta”. Esta é uma figura do Milênio quando Israel e as nações gentias irão reconhecer Cristo como o Rei de Israel (Zc 2:11; Sl 47:9)
6) Atos 20:7-12
“E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e alargou a prática até à meia noite. E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos. E, estando um certo mancebo, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo: e foi levantado morto. Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está. E subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até à alvorada; e assim partiu. E levaram vivo o mancebo, e ficaram não pouco consolados”. Nesta passagem temos uma figura da Igreja de Deus em sua ordem própria durante os dias iniciais da Cristandade. Estavam num “cenáculo mobilado”83 (Lc 22:12; Jo 13-17), “congregados” (Mt 18:20 – TB), “partindo o pão” (1 Co 11:23-26) no “primeiro dia da semana”. Existe aqui uma sugestão de dois dias: o “primeiro dia da semana” e “no dia seguinte”. A cena feliz foi interrompida pela queda e recuperação de Êutico. Isso indica o fato (confirmado pela História) de que a Igreja escorregou e caiu, de uma posição elevada e separada que tinha, para o mundo e depois tendo sido graciosamente recuperada num testemunho remanescente. Entretanto o ajuntamento todo não se desfez até a “alvorada”, no dia seguinte. Isto fala da vinda do Senhor (o Arrebatamento) para encerrar essa dispensação da graça.
7) Êxodo 19:10-11
“Disse também o Senhor a Moisés: Vai ao povo, e santifica-os hoje e amanhã, e lavem eles os seus vestidos; E estejam prontos para o terceiro dia: porquanto no terceiro dia o Senhor descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o monte de Sinai”. Aqui o Senhor estava oculto à vista de Israel por dois dias (“hoje e amanhã”) antes de Sua vinda diante de todo o povo para fazer um concerto com eles no “terceiro dia”. Os dois dias novamente poderiam correspondem à presente dispensação, durante a qual o Senhor permanece oculto de Israel e do mundo que O rejeitou. O “terceiro dia” fala do tempo da manifestação pública do Senhor em Sua segunda vinda – Sua Aparição (Ap 1:7). Portanto, ao estabelecer o primeiro concerto, temos uma indicação de quando o novo concerto será feito com Israel (Jr 31:31-34; Hb 8:8-12). Embora Israel tenha falhado em manter a lei dada a eles naquele dia (quando estavam sob o primeiro concerto), no dia vindouro eles irão cumprir Sua lei porque ela será escrita no coração deles (Ez 36:25-27, 37:26; Rm 11:25-27).
8) Josué 10:12-14
“Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse aos olhos dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu Lua, no vale de Ajalom. E o Sol se deteve, e a Lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro do Reto? O Sol pois se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro: E não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, ouvindo o Senhor assim a voz dum homem: porque o Senhor pelejava por Israel”. No capítulo 9, Israel falhou em sua responsabilidade e, consequentemente, os gibeonitas foram introduzidos no meio deles. Esse povo era gentio e, como resultado da falha, Josué foi obrigado a “livrar” os gibeonitas (Js 10:6). Isto nos fala da história de oportunidade que foi dada ao mundo gentio para ser salvo pela graça de Deus em face da falha de Israel (Rm 11:11-20). Após todo um dia de conflito, Josué percebeu que eles não teriam tempo suficiente para alcançar a vitória; assim, ele pede para que o Sol para não se ponha e este parou sobre Gibeão por mais um dia completo. A batalha, portanto, continuou por dois dias, como contaríamos o tempo! Esta é uma bela figura deste prolongado dia de graça quando o brilhar da graça de Deus tem permanecido sobre este mundo “até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Rm 11:25). Nunca tinha havido um “dia semelhante a este”, e certamente não tem havido um dia como este presente quando gentios de todo o mundo têm sido salvos aos milhares. Depois de um longo dia em Gibeão, Israel retornou a “Gilgal”. O lugar que fala de julgamento próprio (v. 15; Js 5:1-9). Da mesma forma, após o dia da graça terminar seu curso, Israel irá ser trazido ao julgamento próprio e arrependimento diante do Senhor. Depois desse momento, serão abençoados em Seu reino (Sl 51; Zc 12:9-14).
9) 2 Samuel 1:1-2
“E sucedeu, depois da morte de Saul, voltando Davi da derrota dos amalequitas, e ficando Davi dois dias em Siclague, sucedeu, ao terceiro dia, que eis que um homem veio do arraial de Saul com os vestidos rotos e com terra sobre a cabeça; e, sucedeu que chegando ele a Davi, se lançou no chão, e se inclinou”. Davi é uma figura de Cristo aqui. Em 1 Samuel, Davi foi rejeitado pelos seus irmãos e refugiou-se em Siclague que era um lugar fora da terra que Israel ocupava aquele dia (1 Sm 27:4-6). Parece que Davi viveu em Siclague por 16 meses (1 Sm 27:7). Mas é surpreendente esse versículo diz que ele habitou lá “dois dias” antes seguir adiante no “terceiro dia” para publicamente tomar seu trono em Hebron. Davi em sua rejeição, fala de Cristo no presente tempo, rejeitado por Israel e o mundo. O “terceiro dia” como vimos, fala do tempo quando o Senhor virá em poder e glória para tomar o trono em Israel e reinar como o Rei de direito sobre todos (Is 32:1; Zc 14:9).
10) 2 Reis 19:35-20:11
“Sucedeu pois que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles: e, levantando-se pela manhã cedo, eis que todos eram corpos mortos. Então Senaqueribe, rei da Assíria, partiu, e foi, e voltou: e ficou em Nínive. E sucedeu que, estando ele prostrado na casa de Nisroque, seu deus, Adrã-Meleque e Sarezer, seus filhos, o feriram à espada; porém eles escaparam para a terra de Arará: e Esaradom, seu filho, reinou em seu lugar. Naqueles dias adoeceu Ezequias de morte: e o profeta Isaías, filho de Amós, veio a ele, e lhe disse: Assim diz o Senhor: Ordena a tua casa, porque morrerás e não viverás. Então virou o rosto para a parede, e orou ao Senhor, dizendo: Ah! Senhor! Sê servido de Te lembrar de que andei diante de Ti em verdade, e com o coração perfeito, e fiz o que era reto aos Teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo. Sucedeu pois que, não havendo Isaías ainda saído do meio do pátio, veio a ele a Palavra do Senhor, dizendo: Volta, e dize a Ezequias, chefe do Meu povo: Assim diz o Senhor Deus de teu pai Davi: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que Eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do Senhor. E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de Mim, e por amor de Davi, Meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou”. Nesta passagem vemos que depois de o Senhor destruir Senaqueribe e seu exército assírio, Ezequias (que havia adoecido “de uma enfermidade mortal” v. 1 – ARA), foi levantado e sua saúde foi restaurada novamente no “terceiro dia”. Senaqueribe e os Assírios são figuras bem conhecidas das hordas russas que, em seus últimos dias, descerão sobre a terra de Israel (Ez 38-39). A condição de Ezequias (doente a ponto de morrer) é uma figura da condição espiritual de Israel diante de Deus. É significativo que Ezequias permaneceu nesta condição por dois dias antes de ter clamado ao Senhor no terceiro dia e ser levantado. O mesmo ocorrerá com Israel quando invocarem ao Senhor em sua angústia, no final da grande tribulação (Jl 2:15-17), eles também serão levantados por Ele.
11) Jonas 1-3
No primeiro capítulo, Deus comunicou Sua vontade a Jonas tornando-o uma testemunha responsável aos ninivitas (gentios). Similarmente, foi dado um privilégio à nação de Israel, tendo os oráculos de Deus sido confiados a ela (Rm 3:2). Consequentemente, eles foram colocados em um lugar de responsabilidade de levar ao mundo o testemunho do verdadeiro conhecimento de Deus (Rm 2:18-20; Is 43:10). Da mesma maneira que Jonas se rebelou e saiu da presença de Deus, Israel também foi rebelde contra o Senhor e falhou em dar um testemunho apropriado do Senhor ao mundo. A má conduta deles sob a lei só deu às nações motivo para blasfemar contra Deus (Rm 2:23-24). Assim como Jonas foi atirado ao mar, assim Israel, nos caminhos de Deus, foi colocado de lado por um tempo e estão, no presente, dispersos num mar de nações (Ap 17:15; Mt 21:21). Depois de Jonas ter sido atirado ao mar, os marinheiros gentios se tornaram para Deus. Essa é outra figura da salvação vindo aos gentios por Israel ter sido colocado de lado. A aflição por que Jonas passou nas entranhas do grande peixe do capítulo 2, é uma figura das provas e sofrimentos que os judeus passaram durante os longos anos de sua dispersão. É interessante notar que embora Jonas tenha sido engolido pelo grande peixe, ele não orou a Deus até o terceiro dia! É dito: “e Jonas esteve no ventre do peixe três dias e três noites. Então orou Jonas a Jeová seu Deus” (Jn 1:17 – 2:1 – TB). E quando Jonas finalmente orou, em verdadeiro quebrantamento, Deus respondeu sua oração e o libertou (Jn 2:2-10). Isto é um prenúncio da libertação de Israel e sua restauração a Deus. Jonas veio a público novamente e estava pronto para ser usado como um instrumento de bênção aos ninivitas que são uma figura das muitas nações que irão se converter ao Deus de Israel por meio do testemunho de Israel (Jn 3:1-10). Israel será usado para ser uma bênção para as nações naquele dia (Is 2:1-3, 60:1-5, 62:1-3).
12) Levítico 23
Neste capítulo, os “dois dias” são vistos num modo diferente. É necessário ter primeiro um simples entendimento do esboço dispensacional do capítulo antes que os dois dias possam ser vistos. Há sete festas anuais no capítulo, que dão uma antecipação dos eventos desde a cruz de Cristo até a vinda do Seu reino. São elas: “a páscoa” – a morte de Cristo (1 Co 5:7), “a festa dos pães asmos” – a comunhão prática em santidade nos santos (1 Co 5:8), “a festa das primícias” – Cristo ressuscitado e elevado em glória (1 Co 15:23), “a festa do pentecostes” – a Igreja formada em um corpo pela descida e habitação do Espírito (At 2:1), “a festa das trombetas” – Israel sendo ajuntado de entre as nações depois da sua dispersão durante o dia presente (Mt 24:31), “o dia da expiação” – arrependimento de Israel diante de Deus (Zc 12:9-14; Sl 51), e “a festa dos tabernáculos” – a bênção milenar da Terra no reino de Cristo (Sl 72). As primeiras quatro festas foram cumpridas, e a três últimas ainda estão para ser cumpridas. Todas as festas exceto as duas do meio, eram celebradas num dia específico no calendário judeu e correspondem à ordem judaica de coisas concernentes à observação de tempos e estações (Gl 4:9-10). Mas não havia calendário de datas para “a festa das primícias” e “a festa de pentecostes”. Estas festas correspondem à presente dispensação Cristã. Elas falam de Cristo que foi para o céu e do Espírito de Deus enviado para formar a Igreja, o corpo de Cristo. Essas são as duas características distintivas do Cristianismo (Jo 7:39). Essas duas festas eram para serem guardadas no primeiro dia da semana! Esses dois primeiros dias da semana diferem do resto dos dias festivos e indicam este presente período de aproximadamente 2.000 anos.
13) Mateus 15:1-39
Na primeira parte deste capítulo o Senhor expôs o estado dos judeus, como sendo corrupto e afastado de Deus. Depois de pronunciar Seu juízo sobre eles, Ele parte para Tiro e Sidom que eram cidades gentias da Síria (At 21:3). Essa é uma ação simbólica do Senhor mostrando que Deus suspenderia os Seus tratos com Israel por um tempo, e que Ele visitaria os gentios neste dia presente com o evangelho de Sua graça. Uma mulher gentia foi abençoada sob o princípio de fé, sendo um exemplo do material pelo qual a Igreja seria composta. Após tratar com a mulher, Ele retornou às regiões judias e tomou um lugar numa montanha na Galileia onde administrou bênçãos para todos que vinham a Ele. Isso demonstra Deus retornando Seus tratos com Israel em um dia vindouro. A bênção que flui prenuncia a benção milenar no reino de Cristo. Todos foram curados (vs. 29-31), de acordo com Isaías 35:5-6, e todos foram satisfeitos com pão (vs. 32-39), de acordo com o Salmo 132:15. Essa bênção aconteceu no terceiro dia (v. 32).
14) Mateus 17:1-8
“Seis dias depois, tomou Jesus Consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-Se diante deles; e o Seu rosto resplandeceu como o Sol, e os Seus vestidos se tornaram brancos como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com Ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para Ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o Meu amado Filho, em Quem Me comprazo: escutai-O. E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre seus rostos, e tiveram grande medo. E aproximando-Se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos; e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus”. A narrativa da transfiguração do Senhor Jesus Cristo no monte é uma amostra da glória de Seu reino Milenar. Isso aconteceu “seis dias depois”. Assumindo ser “um dia como mil anos” (2 Pe 3:8) isso figurativamente indica que o reino de Cristo iria ser estabelecido aproximadamente 6.000 anos após o início da história do homem na Terra. Cristo nasceu 4.000 anos84 após Adão – ou após 4 dias. Se esta passagem indicar que o Seu reino será estabelecido em 6.000 anos (“seis dias”), então são deixados dois dias ou 2.000 anos para representar este presente dia da graça.
15) Ester 1-10
Quando Deus removeu Sua sede de governo na Terra das mãos de Israel, Ele a deu nas mãos dos gentios. Este período de autoridade gentia é chamado “os tempos dos gentios” (Luc 21:24). Daí em diante, os vários monarcas gentios que governaram durante esse tempo foram indiretamente uma extensão da autoridade de Deus na Terra. No livro de Ester, o rei Assuero governou naquela posição de autoridade sobre o mundo conhecido daquele tempo, “desde a Índia até a Etiópia” (cap. 1:1). Ele é uma figura de Deus o Qual governa sobre todo o mundo por trás dos bastidores (Dn 4:17).
O primeiro capítulo de Ester nos fala que o rei Assuero fez uma festa “a todos” desde “o maior até ao menor” (cap. 1:1-5). Esta é uma figura da grande festa que Deus fez para toda a humanidade pelo evangelho da Sua graça (Lc 14:16). O propósito da festa de Assuero foi para mostrar “as riquezas da glória do seu reino” e “o esplendor da sua excelente grandeza”. O evangelho também anuncia a glória de Deus e “as riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Ef 2:7). Exatamente como a festa de Assuero durou “muitos dias” Deus, em Seu longânime amor e misericórdia, também estendeu o convite para Sua festa por muitos dias – aproximadamente 2.000 anos. Os convidados que aceitaram o convite do rei Assuero, vieram e foram chamados “príncipes e... maiores senhores”. Do mesmo modo, aqueles que aceitam o convite de Deus à festa de Seu evangelho são igualmente feitos “reis e sacerdotes” (Ap 1:6).
Na festa, o rei proveu “leitos que eram de ouro e de prata” para que os hóspedes repousassem (cap. 1:6-8). Prata e ouro na Escritura são símbolos da redenção e justiça divina. Essas duas coisas dão ao crente um lugar de descanso quanto à salvação e consequentemente, ele tem paz com Deus e descanso em sua alma (Mt 11:28). Havia também belos “pendentes” coloridos na festa para os convidados desfrutarem. Sendo suspensos acima por “anéis de prata,” estes pendentes são uma figura das bênçãos celestiais dos Cristãos que são suas por meio da redenção (Ef 1:3). Além do mais, o rei serviu aos hóspedes “muito vinho real”. Isso fala do gozo que Deus dá àqueles que recebem e creem no evangelho de Sua graça (Jz 9:13; Sl 104:15).
A gentia rainha Vasti, que tinha um lugar muito privilegiado no reino sendo associada com o rei publicamente, foi também convidada para a festa. Seu dever era contribuir com a glória do rei ao mostrar ao povo a sua beleza. Mas quando foi chamada, se “recusou” a vir porque seu coração se elevou em orgulho e rebelião (cap. 1:9-12, compare Ap 18:7). Ela gostava da posição que tinha de estar publicamente associada com o rei, mas não se identificava com a festa dele. Vasti é uma figura da Igreja professa que tem sido exteriormente identificada com Deus diante do mundo, mas não tem fé verdadeira. A Cristandade apóstata teve a maior oportunidade de receber a salvação e a bênção que está sendo oferecida no evangelho, mas como Vasti, isso não serviu para ela.
No último dia da festa (cap. 1:5, 10) a rebelião de Vasti veio à tona e devido à sua desobediência e falha em se mostrar de um modo que glorificasse o rei, ela foi deposta de seu lugar como rainha (cap. 1:13-22). Isso é uma prefiguração do que acontecerá para a Cristandade professante apóstata no fim do dia da graça. A rebelião e desobediência da Cristandade subiu a um nível tal que Deus não irá mais tolerá-la. Quando o Senhor vier (o Arrebatamento), Ele irá também rejeitar publicamente a Cristandade professante apóstata ao deixar para trás todos os meros professos. Ele irá “vomitá-la” de Sua boca (Ap 3:16). A Cristandade, como Vasti, será “cortada” e deixada de lado nos tratos de Deus (Rm 11:17-22). Assim como Vasti experimentou o “furor do rei Assuero” (cap. 2:1), a Cristandade será julgada por Deus naquela ocasião – e isso por conta de sua falha em glorificar a Deus na Terra.
O exercício no capítulo 2 é o de trazer uma substituta para Vasti. No processo de encontrar alguém para substitui-la, Ester entra em cena (cap. 2:1-7). Ela é uma figura do remanescente judeu piedoso. Romanos 11 indica que quando a Cristandade gentia for rejeitada e colocada de lado por sua infidelidade, Deus irá retornar Seus tratos com um remanescente de Israel e conduzi-los à bênção. Sendo órfã, Ester não tinha apoio no mundo e isso descreve apropriadamente o caráter desamparado do piedoso remanescente de judeus na tribulação vindoura.
Eles estarão totalmente dependentes de Deus. Embora Ester fosse órfã ela foi tomada como filha e cuidada por Mardoqueu seu primo. Ele é uma figura de Cristo que providencialmente cuidará do remanescente judeu.
Antes que Ester pudesse ser trazida em relacionamento com o rei, ela tinha que passar por purificação (cap. 2:8-14). Isso fala dos resultados dos exercícios que o remanescente judeu irá passar durante a grande tribulação. Durante aquele tempo, eles serão purificados e preparados para seu Rei (Dn 2:10; Ml 3:2-4; Zc 13:9). Durante o período de purificação de Ester, Mardoqueu teve grande interesse no bem-estar dela (cap. 2:11). Embora ele não pudesse se comunicar abertamente com ela, porque o tempo de purificação dela ainda não estava completo, ele passava todo dia pelo lugar onde ela estava para saber como ela estava. Do mesmo modo, durante a grande tribulação, Cristo não irá Se comunicar diretamente com o remanescente judeu, mas irá observar o progresso deles, com intenso interesse. Ele fará isso, por assim dizer, à distância (Is 8:17, 18:4, 54:8; Ct 5:6; Gn 42:7, 23-24, 4:30). Ele irá fazer isto até que a obra de arrependimento e purificação esteja completa no remanescente, quando, então, Ele irá Se revelar a ele.
O incidente no fim do capítulo 2, com Mardoqueu cuidando do bem-estar do rei (quando Bigtã e Teres se insurgiram contra o rei), ilustra como Cristo Se importa com glória de Deus e irá trabalhar por ela nos bastidores (cap. 2:21-23).
No capítulo 3 vemos o rei Assuero promovendo Hamã, o agagita no reino e dando-lhe um lugar acima de todos os príncipes. Hamã “o inimigo dos judeus” é uma figura do anticristo. Sua promoção no reino indica o tempo quando Deus permitirá o anticristo subir a uma posição de proeminência e poder na Terra – particularmente na terra de Israel. Hamã usou sua posição de poder para sua própria exaltação e exigiu que todos se inclinassem diante dele em reverência. E o anticristo (“o homem de pecado”) irá fazer o mesmo, demandando que adorem a ele mesmo (2 Ts 2:3-4).
Mardoqueu se recusou a inclinar-se a Hamã (cap. 3:2). Isso induziu o ódio de Hamã e o anticristo (que Hamã prefigura) irá tentar apagar o nome de Jesus Cristo da Terra. Ele também “procurou destruir a todos os judeus que havia em todo o reino” (cap. 3:5-15). Isso é uma indicação da terrível perseguição que o anticristo irá causar na grande tribulação, na sua tentativa de exterminar os judeus tementes a Deus. Hamã tinha dez filhos que aparentemente lhe ajudaram em sua causa (caps. 5:11, 14, 9:7-10). Eles talvez possam ser uma figura da confederação das dez nações da Europa ocidental chamada “a besta”, que irá ajudar o anticristo a impor a grande perseguição contra o remanescente piedoso. O rei deu a Hamã seu “anel”, autorizando o perverso plano (cap. 3:10). Isso fala de Deus permitindo o anticristo ter seu curso em perseguir o remanescente piedoso por um tempo. Ele permite isso para testar a sinceridade deles e aprofundar Sua obra neles.
Por causa dos perversos desígnios de Hamã, a vida dos judeus estava em grande risco. Isso causou muito choro e lamento em todas as províncias (cap. 4:1-3). Isso é uma figura da tristeza e profundos exercícios de alma que o remanescente judeu irá passar na grande tribulação. Mardoqueu também “vestiu-se de um pano de saco com cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor”. Isto ilustra os sentimentos de Cristo. Ele irá sentir com profunda compaixão tudo o que o remanescente irá passar no tempo de suas dificuldades. O livro dos Salmos particularmente ilustra os sofrimentos de empatia de Cristo com o remanescente.
Por conhecer a terrível condição de seu povo, Ester foi informada que deveria ir “ter com o rei, e lhe pedisse, e suplicasse na sua presença pelo seu povo” (cap. 4:4-9). Mas isso era algo que ela não tinha feito antes e estava com medo de fazê-lo, porque ninguém podia se achegar à presença do rei por si mesmo sem ser morto. Isto fala do fato que as pessoas não podem chegar a Deus em seus próprios meios e termos. Entretanto, a lei era tal que se o rei levantasse “o cetro de ouro” a uma pessoa, o que representa graça divina, ela viveria e não morreria. Graça habilitou o homem a se aproximar de Deus (cap. 4:10-11).
Mardoqueu, ainda falando a Ester à distância (por meio de Hataque), pressionou-a que se aproximasse do rei, mesmo que isto significasse arriscar sua vida; pois este era o único meio de libertação de seu povo (cap. 4:12-14). Assim, depois de muita oração e jejum, Ester resolveu ir ao rei (Ester 4:15-17). Do mesmo modo, o remanescente, depois de muito exercício de alma, se aproximará de Deus.
Quando Ester aproximou-se do rei depois de não ter estado em sua presença por muito tempo, ela alcançou graça aos seus olhos e o cetro de ouro foi apontado para ela (Ester 5:1-2). Do mesmo modo, o quebrantado e aflito remanescente irá se aproximar de Deus em oração e súplicas e irá obter graça no tempo de sua grande provação. É notável que foi no “terceiro dia” que Ester se aproximou do rei. Na Escritura o número três nos fala de ressurreição (Jn 1:17, 2:10; Mt 12:40; Hb 11:19). Isso aponta para a ressurreição nacional de Israel (Dn 12:1-2), quando Deus virá para o remanescente judeu piedoso, trazendo libertação a eles e ao remanescente da nação de Israel (Compare Os 6:2).
Vindo à presença do rei, Ester não derramou imediatamente as profundezas de seu coração a ele. Ao invés disto ela solicitou que um banquete fosse feito para o rei e Hamã, em cuja ocasião, pensou em fazer sua real solicitação conhecida. Mas quando chegou o tempo, ela adiou sua solicitação ao rei até o dia seguinte (cap. 5:3-14). Isso ilustra como o remanescente irá, a princípio, carecer de confiança para abrir seu coração para Deus, mas finalmente, por causa da necessidade, fará assim (Compare Sl 25, 32, 41, 51 – os Salmos Penitenciais. Note a progressão do aprofundamento de seus exercícios de alma).
Na mesma noite que Hamã estava planejando matar Mardoqueu, o rei não conseguiu dormir. E similarmente, “Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel” (Sl 121:4). Isso será especialmente assim durante aquele tempo quando o anticristo tentar eliminar o nome de Cristo da Terra. A noite passa com uma singular mudança de eventos para os judeus. O rei vê que é justo exaltar publicamente Mardoqueu e apresentá-lo em “vestido real” e com a “coroa real” diante de todo o povo! Quando o dia chegou, o menosprezado Mardoqueu, foi anunciado pelas ruas da cidade com glória, dignidade e honra para todos verem (cap. 6:1-11). Isto é uma figura da Aparição de Cristo (a segunda vinda), quando Ele virá para a Terra com poder e glória; e “todo olho O verá” (Ap 1:7).
Quando Ester viu que a providência divina estava trabalhando para bem e para a bênção dos judeus e que o rei tinha exaltado a Mardoqueu diante do povo, ousou vir imediatamente à presença do rei no banquete e derramou seu coração. Do mesmo modo, quando o remanescente judeu piedoso vir a Cristo ornado em glória, eles irão imediatamente derramar seu coração (Zc 12:10-14). Ester acusou Hamã de sua perversidade e suplicou ao rei pela destruição de Hamã. O rei aceitou seu pedido e Hamã foi enforcado em sua própria forca! (cap. 7:1-10) Isso corresponde ao tempo quando Deus responderá ao clamor do remanescente e julga o anticristo “o júbilo dos ímpios é breve” (Jó 20:5). “Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás” (Is 54:17 – ARA).
Maravilhamo-nos de quão precisa é a ordem dessas figuras! Mardoqueu é exaltado e apresentado diante do povo em vestes reais (cap. 6) e então Hamã é enforcado (cap. 7). Nas profecias vemos a mesma ordem. Imediatamente após Cristo aparecer em glória, o anticristo (com a besta) serão removidos em julgamento e lançados no lado de fogo (Ap 19:11).
Depois de Hamã ser executado, Ester faz conhecido ao rei Assuero o parentesco dela com Mardoqueu. Do mesmo modo, após Cristo ter retornado e o anticristo julgado, o remanescente judeu piedoso alegremente confessará que eles pertencem a Ele. “Ó Senhor Deus nosso, outros senhores têm tido domínio sobre nós; mas, por Ti só, nos lembramos do Teu nome” (Is 26:13; Jo 20:28). Depois a casa de Hamã (sua propriedade) é dada a Ester e ela, com satisfação, transfere tudo a Mardoqueu (cap. 8:1-2). Isto é uma figura dos judeus naquele dia dando a Cristo, com satisfação, o justo lugar que Lhe pertence. “O Teu povo se apresentará voluntariamente no dia do Teu poder” (Sl 110:3).
Então nos é dito: “E tirou o rei o seu anel, que tinha tomado a Hamã, e o deu a Mardoqueu” (cap. 8:2). Isso fala de Deus dando a Cristo o lugar de governo e autoridade na Terra que o anticristo falsamente tinha possuído (Compare com Is 22:15-25).
Depois, em resposta ao clamor de Ester, Mardoqueu, pela autoridade do rei, liberta os judeus do terrível edito que estava sobre eles. Escreveu cartas declarando a liberdade deles e as publicou em todas as províncias. Os judeus estavam livres! (cap. 8:3-14) Isso prefigura o livramento que Cristo irá efetuar para o remanescente judeu.
Então, “Mardoqueu saiu da presença do rei com uma veste real azul celeste e branca, como também com uma grande coroa de ouro e com uma capa de linho fino e púrpura” (caps. 8:15, 9:3-4, 10:3). Isso é uma figura de Cristo em Seu oficial reino de glória. Para os judeus, consequentemente, houve “alegria, e gozo, e honra” (cap. 8:16) e isso, certamente, se refere ao gozo do remanescente naquele dia de sua libertação (Is 25-26).
O temor de Mardoqueu e dos judeus veio sobre todos, e “muitos, entre os povos da terra, se fizeram judeus” (caps. 8:17, 9:3). No Milênio (os 1.000 anos do reino de Cristo) “muitas nações se ajuntarão ao Senhor” (Zc 2:11, 8:23). “Os povos (os gentios) de coração voluntário se uniram ao povo de Abraão” (Sl 47:9 – conforme nota “f” na tradução JND).
Se isso não fosse suficiente, “a palavra do rei e sua ordem” deu autoridade aos judeus que “se assenhorearam” (cap. 9:1-4) sobre seus inimigos (gentios). Isto é uma figura de Israel sendo colocado no lugar de “cabeça” das nações, que é o propósito original de Deus para eles (Dt 28:13, Sl 18:43).
Os judeus também “feriram... a todos os seus inimigos, a golpes de espada” (cap. 9:5-19). No dia vindouro Israel exercerá juízo sobre as nações vizinhas à sua terra (Sl 47:3, 118:10-12; Is 11:14; Jr 51:20-23; Mq 4:13, 5:5-6, 8; Zc 12:6; Ml 4:3).
Depois disso, Mardoqueu instituiu a “festa” (chamada “Purim”) em que “os judeus tiveram repouso” em todas as províncias do reino (cap. 9:20-32). Eles davam presentes uns aos outros e tinham grande alegria, banquetes e júbilo. Isto fala do repouso milenar que irá permear a Terra naquele dia.
O rei Assuero então ordenou um “tributo sobre a terra e sobre as ilhas do mar” (cap. 10:1). Naquele dia vindouro, quando todas as nações se submeterem a Israel, serão colocados sob tributo. Israel “mamará” “as riquezas das nações” (Is 60:5-6, 16, 61:6; Sl 72:10).
Depois disso, o rei fez uma “declaração da grandeza de Mardoqueu” (cap. 10:2). Isso se refere ao tempo em que a glória de Cristo será espalhada pela Terra. “Este será grande” (Lc 1:32; Nm 14:21; Ez 43:2).
Daí em diante Mardoqueu foi “o segundo depois do rei” e na sua ocupação estava “procurando o bem-estar do seu povo, e falando de paz para toda a sua semente” (cap. 10:3 – JND) No mundo vindouro, Cristo irá ter o mais elevado lugar no reino e devotará Suas energias para a benção de Seu povo terrenal, Israel, e haverá paz mundial.
O ponto que queremos enfatizar neste livro de Ester é que as coisas mudaram para os judeus quando Ester se colocou diante do rei ao “terceiro dia” (cap. 5:1).
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Estas encorajantes indicações da proximidade da vinda do Senhor devem nos levar a uma feliz expectativa do Seu retorno a qualquer momento. “Pois ainda em bem pouco tempo aqu’Ele que há de vir, virá, e não tardará”. “Amém! Ora, vem, Senhor Jesus!” (Hb 10:37 – TB; Ap 22:20).
- O mundo diz: “Onde está a promessa da Sua vinda?” (2 Pe 3:4)
- A Cristandade diz: “O meu Senhor tarda em vir” (Lc 12:45)
- O crente que está vigiando e esperando diz; “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20)
Ele e eu, em glória radiante,
Profundo júbilo desfrutar,
O meu, com Ele doravante
E o d'Ele, ter-me em seu lar.