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A Epístola aos Hebreus

CRISTO SUPERIOR A MOISÉS Capítulo 3:1-19

Bruce Anstey · Texto do EPUB · Seção 7 de 23

CRISTO
SUPERIOR A MOISÉS
Capítulo 3:1-19

 

Como mencionado na Introdução, os capítulos 3-10:18 concentram-se em Cristo como “o Sumo Sacerdote da nossa confissão”. Isso tem a ver com a Sua entrada no céu para realizar Seu atual serviço de intercessão por nós (Rm 8:34), depois de ter feito expiação pelo pecado.

O Sacerdócio de Cristo para com o Homem e para com Deus

Os capítulos 1-2 desdobraram as glórias de Cristo como o Filho de Deus e o Filho do Homem e, assim, mostraram que Ele está perfeitamente preparado para entrar em serviço como nosso grande Sumo Sacerdote. Tendo-O introduzido como tal no final do capítulo 2, o escritor prossegue agora com o ministério de Seu sacerdócio nos capítulos seguintes. Isso está relacionado tanto ao homem quanto a Deus.

  • Para com o homem (caps. 3-7) – Ele socorre (ajuda) aqueles que são tentados (cap. 2:18), Ele Se compadece daqueles com fraquezas (cap. 4:14), Ele concede misericórdia e graça para os necessitados (cap. 4:16), Ele tem compaixão dos ignorantes e dos que estão fora do caminho (cap. 5:2), e salva aqueles que vêm a Deus por Ele (cap. 7:25).
  • Para com Deus (caps. 8-10) – Ele assegura o novo concerto e sua bênção para Israel (cap. 8), Ele oferece a Si mesmo sem mácula a Deus como um Sacrifício supremo para aniquilar o pecado e assim purificar a consciência do crente (caps. 9-10), e Ele apresenta os louvores dos santos a Deus (caps. 10:21, 13:15).

 

Ambos os aspectos da obra sacerdotal de Cristo são vistos no capítulo 2:17 – “misericordioso e fiel Sumo Sacerdote naquilo que é de Deus”. “Misericordioso” pertence ao nosso lado do Seu serviço sacerdotal e “fiel” tem a ver com o lado de Deus.

Um Breve Resumo dos Capítulos 3-4

Antes de assumir a verdadeira função do sacerdócio de Cristo no capítulo 5, o escritor toca em algumas coisas preliminares relacionadas a esse ofício. Um breve resumo dos capítulos 3-4 é o seguinte:

  • A esfera na qual o serviço sacerdotal de Cristo é exercido – a casa de Deus (cap. 3:1-6).
  • As circunstâncias a que foi chamado – o deserto (cap. 3:7-19).
  • O repouso para o qual o caminho do deserto leva (cap. 4:1-11).
  • A provisão que Deus fez para que fôssemos preservados do fracasso (cap. 4:12-16).

A Esfera do Serviço Sumo Sacerdotal de Cristo A Casa de Deus

Nos capítulos 3-4, o escritor apresenta os dois maiores líderes da história inicial do sistema legal – Moisés e Josué – e os compara a Cristo. Ele mostra, novamente, que Cristo em todos os sentidos é superior a eles.

Cap. 3:1-2 – Ele se dirige a esses crentes hebreus como: “Irmãos santos, participantes do chamado celestial”. Isso é algo completamente diferente do que eles sabiam e tinham tido parte como judeus em Israel. Eles já haviam sido irmãos, em um chamado nacional de Deus, com esperanças terrenas e uma herança terrena (Dt 7:6-8). Mas ao receber a Cristo pela fé, foram “tirados” daquele chamado terrestre para fazer parte de algo novo da criação de Deus – a Igreja (At 26:17 – JND). Dirigindo-se a eles como tais, são vistos em sua posição Cristã com um chamado celestial.

Como Cristãos, são convidados a considerar o “Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão”, Jesus Cristo, que foi “fiel Ao que O constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa”. Como já mencionado, considerar Cristo como o “Apóstolo” de nossa confissão nos foi apresentado nos capítulos 1-2. Considerar Cristo como o “Sumo Sacerdote” de nossa confissão é agora o que nos está sendo apresentado nos capítulos 3-10:18.

Moisés é introduzido no versículo 2 com o propósito de comparar sua fidelidade à de Cristo (Nm 12:7). Isso é visto nas palavras “como também”. Cristo foi “fiel Ao (Deus) que O constituiu”. Assim, ambos foram fiéis.

A Tríplice Superioridade de Cristo Sobre Moisés

Vs. 3-4 – Após a comparação, o escritor prossegue dando três grandes contrastes entre Cristo e Moisés: Primeiro, Cristo, o Sumo Sacerdote de nossa confissão, “é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou”. A “casa” que Moisés fez e ministrou era o tabernáculo terreno no deserto (Êx 25-30). Era apenas uma representação figurativa ou “modelo” da casa que Cristo construiu e onde ministra – que é todo o universo (Hb 8:2, 5, 9:23). O escritor a identifica como “todas as coisas”. Assim, Moisés serviu em um mero modelo da verdadeira casa. A esfera do trabalho sacerdotal de Cristo, portanto, é incomparavelmente maior. Para que ninguém confunda Quem é Cristo – o Construtor da casa de Deus, o escritor acrescenta: “o que edificou todas as coisas é Deus.” Assim, ele identifica Cristo como Deus, e imediatamente isso O distingue de Moisés tão quanto o Criador está acima da criatura.

V. 5 – Em segundo lugar, o ministério de Moisés serviu “para testemunho das coisas que se haviam de anunciar”. Isto é, testificava dos “bens futuros” (Hb 9:11, 10:1), que foram trazidos por Cristo. Isso, novamente, mostra que Cristo é maior que Moisés.

V. 6 – Em terceiro lugar, Moisés era um “servo” na casa em que ele ministrava, mas Cristo é “Filho sobre a casa de Deus” (TB). Quase não precisa ser dito que um filho é maior que um servo. O filho pródigo entendeu essa diferença e disse: “não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores” (Lc 15:19 – ARA).      

O escritor nos diz que nestes tempos Cristãos a casa de Deus tem outro significado. Ele diz: “a qual casa somos nós”. Os crentes no Senhor Jesus Cristo são vistos como sendo a casa espiritual de Deus hoje. Somos juntamente “edificados para morada de Deus” (Ef 2:22; 1 Pe 2:5). Ao introduzir os crentes como a casa de Deus, aprendemos que estamos na esfera em que o sacerdócio de Cristo é exercido.

O escritor então diz: “se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (v. 6b). Ele menciona isso porque havia a possibilidade de alguns apostatarem. Por outro lado, aqueles que eram verdadeiros provariam ser a casa de Deus ao se conservarem firmes. Isso mostra que a continuidade no caminho de fé é a evidência de ser um verdadeiro Cristão.

As Circunstâncias Que Requerem o Serviço Sumo Sacerdotal de Cristo – O Deserto

Cap. 3:7-19 – Está nos caminhos de Deus testar toda a profissão. Todos os que tomam o caminho de fé e assim se identificam com a posição Cristã neste mundo serão testados quanto à sua veracidade ou a falta dela. E não há lugar como o “deserto” para trazer isso à tona. Falamos agora do deserto em um sentido figurativo. Assim como Israel passou por um grande deserto, em seu caminho do Egito para Canaã, que estava repleto de perigos e inimigos, e teve sua fé testada, os crentes no Senhor Jesus também estão passando por uma cena de perigo espiritual e teste enquanto andam por este mundo no caminho de fé. Este tempo de teste e aprendizado em nossa experiência Cristã pode ser referido como nossa jornada no deserto (Rm 5:3-5; 1 Pe 5:10).

Assim, o deserto é onde a realidade de nossa profissão é testada pelas circunstâncias que encontramos. Provamos a veracidade da nossa fé pela nossa perseverança no caminho, independentemente da gravidade das dificuldades do trajeto. Essas mesmas circunstâncias também manifestam o verdadeiro estado de um crente meramente professo; será evidente em seu afastamento do terreno Cristão, que é apostasia. Isto era o que estava acontecendo com esta companhia de hebreus que professavam fé em Cristo. As provações e perseguições que eles estavam experimentando estavam provando que a maioria deles tinha verdadeira fé, mas infelizmente, essas mesmas provações e perseguições também estavam manifestando que havia uma ausência de fé verdadeira em alguns. Aqueles que são falsos finalmente abandonarão sua confissão de fé em Cristo e se afastarão do caminho.

Na segunda metade do capítulo 3, o escritor volta-se para falar das circunstâncias do deserto que exigem o exercício do sacerdócio de Cristo, do qual (sacerdócio), se um crente tirar aproveito (cap. 7:25), irá ajudar a mantê-lo em curso e a continuar no caminho “firmes até o fim” (TB).

 

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